<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026</id><updated>2011-12-12T10:13:13.957-08:00</updated><title type='text'>Parlatrio</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>52</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-1353330534371329797</id><published>2011-12-12T09:50:00.000-08:00</published><updated>2011-12-12T10:13:13.968-08:00</updated><title type='text'>O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 14)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;A Comunidade Internacional havia restringido veementemente a ofensiva ianque contra a biosfera artificial lunar, mas isso não incluía os que nela habitavam… incluía? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Cinismo jamais decidiu questão judicial alguma e, convenhamos, aquela não era a melhor hora para atitudes impulsivas e desajuizadas; semelhante gesto apenas concorreria para a inapelável condenação norte-americana por acender o estopim de uma situação que já se encontrava em estado crítico. No entanto, o que estava feito, estava feito; nenhuma ação que pudessem praticar daquele momento em diante anularia de forma retroativa o “incidente” diplomático… Exceto prosseguir com o plano de capturar Robert. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Essa era a razão de ser dos bodes expiatórios, afinal de contas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Até ali, tudo parecia fácil demais. Destruir os robôs pilotados pelos asiáticos foi “covardia”. Agora aqueles refugos da missão anterior investindo contra eles… Francamente, Conroy os estava decepcionando. Se com aquilo pretendia zombar de seus esforços, iria ver que o tempo gasto com a preparação para enfrentá-lo valeu cada minuto. A segunda geração de blindados inteligentes das forças armadas logo compensaria todo o investimento do programa de defesa provando ser mais que mera imitação do modelo original. O “espião tecnológico da ECO” teria de fazer o que se esperava de um oponente valoroso pois se deixasse a desejar não lhe dariam a chance de outra tentativa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;A confiança vinha da certeza de terem levado em consideração todas as táticas possíveis e imagináveis confabuladas pela mente supostamente previsível do foragido, juntamente com os métodos não menos imponderáveis dos ECOnautas… ou seja, de nada além de previsões otimistas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Os parâmetros da estratégia que traçaram, por sua vez, elaborados a partir do pouco que admitiam conhecer dos adversários, contemplavam as seguintes orientações:  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;ao primeiro sinal do autômato a linha de frente da coluna, liderada pelos oficiais, daria lugar às fileiras antecedentes. Divididas em quatro grupos formados por quinze unidades, sete das que tomariam a posição dianteira atrairíam Frankie ao seu encontro, ao passo que as oito restantes fechariam o cerco, afastando-o da base lunar. A linha subseqüente de efetivos se reorganizaria da mesma forma, com sete deles ocupando as atenções da biosfera – isto é, servindo de alvo dos prováveis ataques orientais - enquanto a retaguarda trataria de reforçar o bloqueio. Mantendo os inimigos isolados um do outro impediriam-nos de unirem forças, como na ocasião da última batalha. Naquela preliminar, de acordo com a avaliação experiente dos militares, Conroy recebera ajuda de alguma “maldita arma desconhecida”, que quando acionada neutralizou boa parte do destacamento. Como revidar seria desaconselhável e a prioridade da missão era a captura de Conroy, os desprezíveis “amarelos” sob o teto do ecossistema artificial ficariam livres de injúrias… em detrimento de todo um pelotão de soldados robôs. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Se lhes servia de consolo ainda restariam bem umas trinta unidades… E com sorte, aumentando o saldo positivo, Conroy e Frankie… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Fosse pela vontade dos oficiais todo o complexo espacial da ECO iria pelos ares, por conta do que seu “agente infiltrado” fizera com a preciosa instalação secreta da Califórnia. Era o caso de pagar na mesma moeda… Porém faltavam provas factuais, evidências inquestionáveis associando o “terrorista” diretamente ao conglomerado… apesar das “pistas” falarem a favor. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;As inúmeras questões geradas pelo incidente, repercutidas em todos os setores da sociedade, seriam, no mínimo, esclarecidas com a detenção do foragido. Os índices de aprovação do governo, em baixa desde a primeira menção ao caso, na certa voltariam a alcançar números favoráveis nas pesquisas. Numa projeção mais audaciosa quiçá adquirissem também credibilidade junto a outros países, impressionados com o modo eficiente com que puseram termo à situação sem provocar maiores estragos. Talvez alguns desses países até fizessem parte da Comunidade Internacional e os congratulasse por acatarem a decisão unânime do comitê de ética, ao respeitar a integridade física da propriedade asiática. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Mas a missão estaria longe de ser cumprida enquanto restasse alguma dúvida de que Conroy agia sob as ordens dos Estados Confederados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Convencer milhões de norte-americanos de que o cientista verdadeiramente praticou atos de terrorismo contra o próprio país já não foi tarefa das mais fáceis, uma vez que a base, por ser secreta, logicamente escapava ao conhecimento da população – os civis podiam ser patriotas do jeito que fossem mas não eram estúpidos a ponto de acreditar piamente numa história tão mal contada. Usar o mesmo argumento a fim de conquistar a simpatia das mais de 10 bilhões de pessoas do planeta, portanto, era ainda pior, tendo em vista que se tal crime sequer pôde ser configurado como ameaça à segurança da nação, tampouco poderia oferecer perigo à paz mundial. Então, de que modo tentariam angariar adeptos junto à Comunidade Internacional, ao alegar participação efetiva dos asiáticos na destruição da base californiana, sendo que seu suposto agente estava praticamente isento de culpa? (Fora do círculo governamental a inocência do réu era unânime.) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Sim, ele havia se apoderado de um artefato militar e se evadido para a Lua. Esse delito, por si só, já seria passivo de condenação; porém, condenação imposta pela corte marcial dos Estados Unidos, por se tratar de problema de ordem interna. E quanto a ter ido parar na futura colônia lunar dos orientais com o dito artefato? Claro, se o criminoso roubou o produto e o entregou nas mãos dos rivais, depois de vencer cerca de 384.404 km de distância, tal ato só poderia caracterizar espionagem industrial, pois, por qual outro motivo insólito arriscaria a vida, além desse? (Fora o fato de que a localização remota afastaria a suspeita imediata de qualquer possível ligação direta dos acusados com o crime.) A alegação possuía relevância, de fato, mas, por outro lado, também poderia condená-los se o “criminoso” em questão tivesse sido mandado ao encontro dos estrangeiros a pretexto de, posteriormente, acusá-los de espionagem - os asiáticos haveriam de contra-argumentar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;A declaração de princípios universais da Comunidade Internacional a impedia de tomar partido de qualquer nação; a neutralidade do órgão era mais do que necessária em situações como aquela, nas quais o rigor da lei exigisse que a justiça coubesse a quem de direito, sem dar margem a dúvidas. Oito das nações mais poderosas do globo, mais outro tanto de Estados emergentes, cuidavam para que a balança não pendesse para qualquer dos lados no julgamento até que provas realmente conclusivas definissem a querela. Portanto, a argumentação norte-americana deveria ser verdadeiramente convincente. Mesmo que não fosse necessariamente verdadeira. Sendo assim, sempre existiria uma ou outra nação emergente esperando a melhor oportunidade de entrar para o seleto “grupo dos oito” - e algum integrante desse mesmo grupo disposto a pagar muito bem por um voto de confiança no tribunal. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Se a intenção dos norte-americanos fosse simplesmente buscar e apreender o foragido, como fizeram crer nas inúmeras declarações públicas levadas ao ar, tal decisão objetiva pouparia a todos da tensão psicológica. Destarte evitaria opiniões ambíguas: contanto que os orientais ignorassem o produto do roubo, somente Conroy iria a julgamento. Quanto aos estadunidenses, desde que mantivessem a pecha de terrorista tecnológico sobre o réu, também se eximiriam da culpa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Entretanto, assim como a Comunidade Internacional zelava pelos seus princípios, os ianques zelavam pelos deles… E a maior afronta a esses princípios, embora ainda distante alguns quilômetros, já podia ser avistada. Não bastasse tê-la na mira dos seus painéis de monitoramento, postado logo acima da cúpula transparente que a protegia, lá estava ele, o pivô da discórdia, Frankie! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Sem perda de tempo a formação assumiu a posição de combate, com sete dos robôs adiantando-se em relação ao restante da coluna. Efetuando disparos em direção ao alvo, erraram propositalmente no intuito de apenas removê-lo das imediações da base. Infelizmente o autômato não demonstrava qualquer interesse em cooperar com os atacantes, pairando imóvel, indiferente às rajadas, como se os provocasse. Diante disso os oficiais retomaram a saraivada, dessa vez acertando-o em cheio. Quando a deflagração de projéteis cessou, eis que o adversário permanecia estático; não fosse a série de escoriações sobre a blindagem metálica diriam que nada havia acontecido - a figura “provocativa” e “zombeteira” de Frankie, praticamente intacta, lhes passava claramente essa impressão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Por ordem expressa do alto comando a “encomenda” deveria ser entregue ilesa às forças armadas, de sorte que urgia controlarem as emoções e recolher a artilharia. Alterando um pequeno detalhe do plano, de novo partiram para cima do construto metálico com os quinze robôs da linha de frente; o objetivo era contê-lo, retirando-o à força do local. Mesmo que a manobra fosse interpretada como sinal de amadorismo pelos asiáticos, posto que colocariam quase duas dezenas de unidades inteiramente à mercê da reação “amarela”, se quisessem recuperar a posse da “mercadoria roubada” tinham de pô-la em prática. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Ao avançarem rumo ao habitat espacial, faltando cerca de oito quilômetros para o contato, algo completamente inesperado ocorreu. Num minuto estavam a meio caminho do autômato e no instante seguinte… em queda livre! Uma após a outra, as quinze unidades robóticas foram apresentadas à irregularidade do relevo lunar por uma força maior que a dos propulsores antigravitacionais que as propeliam, substituindo a ferrenha obstinação dos oficias nas unidades tripuladas por uma disposição não menos previdente que cautela. Eles deviam saber, os orientais usaram o maldito robô de Conroy para atraí-los até a armadilha… e, ávidos por capturá-lo, caíram vítimas da artimanha mais antiga já arquitetada. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Bem, ainda contavam com quarenta e cinco operativos nas suas fileiras, então a batalha somente havia começado. A estratégia agora fugia das diretrizes originais, consistia em circundar a base com a segunda ala de autômatos e descobrir o limite de alcance dos efeitos da tal “arma desconhecida”. Outros quinze operativos se espalharam pelo entorno da estrutura, descrevendo uma circunferência de dezesseis mil metros de diâmetro; assim que o primeiro deles abandonou essa cautelosa distância, cruzando o perímetro demarcado, puderam se certificar da área de abrangência do poder da arma observando-o entrar em curso de colisão com o solo sem que esboçasse a menor resistência. Depois de três longos dias de viagem, deixando para trás centenas de milhares de quilômetros de espaço exterior, parecia irônico que devessem ser separados de seu objetivo por ínfimos oito mil metros, o raio de cobertura da arma infernal, porém essa era a situação com a qual se defrontaram. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;O que quer que tivesse ocasionado a pane dos sistemas robóticos lembrava em muito o pulso eletromagnético que sucede a explosão de bombas atômicas. De alguma maneira os asiáticos haviam descoberto um meio de liberar os efeitos do pulso sem recorrer à detonação nuclear - as crateras na superfície do planetóide, pelo menos até onde podiam aferir, não revelavam qualquer traço de elementos químicos radioativos. A não ser que, além de provocar sobrecarga nos circuitos elétricos dos soldados robôs, também tivesse afetado o funcionamento de seus aparelhos de medição fora da zona de perigo; no entanto, confirmando a intuição dos oficiais, as leituras efetuadas por esses equipamentos, focadas na emergência de detectar tal tipo de radiação, acusavam intensa atividade eletromagnética. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Somente um pulso controlado seria capaz de atingir objetos específicos, como aqueles dezesseis infelizes robôs pegos de surpresa, o que os obrigava a uma nova abordagem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Após duas seqüências de tentativas frustradas o aparente fiasco da Operação Captura ameaçava pôr em cheque a competência do comando local da tropa, a seriedade da instituição a qual serviam e, evidentemente, a honra da nação a qual representavam… e isso era imperdoável! Antes do previsto teriam de deixar a segurança das cabines de controle, vestir os trajes espaciais e enfrentar oito quilômetros de ausência de gravidade até a base inimiga, esperando estabelecer relações diplomáticas com aqueles que os lançaram naquele repentino estado de descontrole emocional. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Mesmo se tivessem à disposição veículos desenvolvidos especialmente para aquelas condições, tão logo adentrassem a área de ação do P.E.M.* receberiam a característica carga extra de eletricidade produzida por esse efeito, cujo dano só seria mediado pelo grau de intensidade do disparo; em resumo, a menos que utilizassem bicicletas para encurtar a distância, todo e qualquer equipamento eletro-eletrônico de que lançassem mão perderia a funcionalidade no imediato instante que cruzasse os primeiros centímetros do “território proibido”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Apesar de tal radiação não representar perigo à constituição física e mental do grupo, empreender a jornada a pé, isto é, “aos saltos”, os tornaria completamente vulneráveis; incapazes de contar com a proteção oferecida pela espessa couraça dos soldados de metal e totalmente desarmados estariam absolutamente entregues à sorte. Entretanto o regimento robótico ainda seria de alguma ajuda enquanto continuasse registrando todo o andamento da missão - isso significava dizer que caso os “amarelos” resolvessem fulminá-los no caminho, tal ato simplesmente corroboraria a tese de que a base lunar, em lugar de atender a interesses civis, serviria na realidade a objetivos militares, fornecendo provas indiscutíveis para a acusação de espionagem industrial. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;O inusitado da circunstância aliado ao código de conduta peculiar dos militares os estimulava a prosseguir, pois viram na ocasião a oportunidade de se sacrificarem pelo “bem maior”… Ainda que a batalha estivesse perdida, a “guerra” na certa estaria ganha. Era torcer para que os asiáticos não fossem tão a favor da vida humana como gostavam de apregoar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Dispostos um ao lado do outro a fim de facilitar o trabalho de seus algozes, iniciaram a caminhada, acolhendo de peito aberto o “fuzilamento”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Os intensos raios ultravioleta refletidos pela imensa redoma da estrutura, mesmo muito além, os forçavam a desviar os olhos, que não viam alternativa senão dar com a numerosa galeria de esculturas metálicas ao derredor, tão familiares quanto inúteis. Orgulho e tormento do aparato militar norte-americano, a milionária aposta belicista, semi-coberta pelo solo desértico com a violência do impacto, após a pesada queda, figurava a avalanche de críticas prestes a desabar sobre a missão, caso persistisse a situação vexaminosa. A esperança dos militares de honrar cada uma das patentes que arduamente conquistaram repousava do outro lado da quilométrica extensão de planaltos e maria*, e quem sabe a travessia dessas duas típicas representações topográficas da crosta lunar fosse o menor dos problemas. Mas havia um porém: o suprimento de oxigênio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Se tivessem o cuidado de reter o ar nos pulmões o maior tempo possível, respirando com parcimônia, além de evitar comunicação desnecessária, que apenas contribuiria para aumentar o consumo do precioso gás, talvez conseguissem completar o trajeto com alguma tranqüilidade. O grande obstáculo estaria nas dificuldades naturais do terreno que, longe de parecer uma rodovia interestadual impecavelmente asfaltada, lhes expunha toda sua tortuosa superfície. Assim, o que começou com desviar de leves depressões e contornar muitas vezes imensas crateras acabou por se transformar numa verdadeira via crucis, com o terrível esforço de arrastar aqueles pesados trajes ao longo do extenuante percurso, não obstante o intenso treinamento pré-Operação Captura.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;À medida que se aproximavam da admirável edificação, livre dos incômodos reflexos, podiam enxergar o prédio principal, cuja altura (equivalente a de um edifício de sete andares) quase atingia o topo da abóbada sobre a qual o autômato refugiado permanecia suspenso – seria aquela sua maneira particular de demonstrar que estava em posição de superioridade perante eles? E que, de lá do alto, nada nem ninguém o removeria?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Em flagrante contraste com a pujança da arquitetura e a imponência do gigante blindado estava o capitão com sua tropa, as últimas reservas de energia exauridas por completo. À beira da asfixia, todo resquício de bravura que ainda possuíam, agora convertidos em bravata, no íntimo implorava para que os orientais enfim os poupassem de tamanha aflição, livrando-os do castigo que horas atrás sequer cogitavam experienciar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;E se ainda pairasse qualquer dúvida a respeito da “inabalável” confiança do grupo, uma última demonstração sádica de gentileza da parte dos rivais trataria de dissipá-la: ao verem o acesso principal da redoma generosamente aberto, como quem atende a um humilde pedido de pousada, tiveram a real certeza de que eram não mais do que andarilhos sem norte, consumidos pelo abalo moral. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Reféns da piedade alheia, só lhes restava apelar à política da boa vizinhança - através dela talvez encontrassem a solução definitiva para o mal-estar generalizado. Uma coisa, porém, era certa: lá dentro nem as câmeras implacáveis da tropa robótica poderiam acompanhá-los; seria somente eles, o cientista rebelde e os habitantes do abrigo lunar, numa reunião a portas fechadas. O que tivesse de ser decidido - fosse a execução sumária do comandante e de seus subordinados, premeditando a temerosa guerra atômica entre orientais e ocidentais, ou a devolução pacífica de Frankie, pondo fim à desgastante celeuma - só viria a público depois que os soldados metálicos aterrissassem em território americano… com ou sem tripulantes! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Para o bem dos oficiais seria melhor que obtivessem resultado positivo no intento de convencer Conroy, pois disso dependia seu futuro nas forças armadas; ao contrário dos operativos blindados, cujo regresso à base de lançamento ocorreria de toda maneira, independente do desempenho humano na missão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Enquanto reunissem condições de ir até a Lua e de uma vez lá alunissado poder então retornar, apenas seguindo a trajetória programada, a Operação Captura deveria prosseguir pelo tempo que pudesse durar o impasse. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Considerando a natureza estóica dos orientais essa indefinição prometia se estender… por muitos e muitos anos… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt; *P.E.M. (Pulso eletromagnético) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;*Maria (plural de Mare [latim]: as superfícies mais planas da Lua) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Continua… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-1353330534371329797?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/1353330534371329797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=1353330534371329797' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/1353330534371329797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/1353330534371329797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2011/12/o-que-aconteceria-se-parte-14.html' title='O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 14)'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-9219114504559974866</id><published>2011-11-09T13:16:00.000-08:00</published><updated>2011-11-09T13:19:38.653-08:00</updated><title type='text'>O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 13)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 19px; line-height: 21px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;A comissão de ética organizada pela Comunidade Internacional impôs limites às ações das tropas americanas envolvidas na Operação Captura, chamando o presidente do país à responsabilidade na eventualidade de danos materiais além dos minimamente aceitáveis sobre o patrimônio lunar asiático. A ECO, no entanto, não confiaria um investimento de trilhões de dólares a simples restrições de ordem econômica e inócuas sentenças judiciais aplicadas aos ianques no caso de violação do termo de compromisso. Se descumprissem com a palavra, punição mais severa e imediata os aguardaria. (Estavam redondamente enganados se achavam que eram os únicos a ter ogivas nucleares apontadas em direção a alvos potencialmente ameaçadores.) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;O retorno das viagens espaciais à agenda política, desde que o Congresso dos Estados Unidos reviu suas prioridades em meados da década de 1970, dificilmente poderia ter acontecido em piores circunstâncias. A situação delicada exigia cautela, e para que a operação ocorresse dentro dos conformes toda a estratégia teria de se apoiar nos dados obtidos previamente, extraídos da investida anterior; descontando o fracasso, os autômatos militares haviam registrado na memória os movimentos de Frankie e, programados para antecipá-los, assimilaram a técnica de luta empregada no combate. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Mesmo que Conroy tivesse acrescentado novos movimentos à série naquele meio tempo, a superioridade numérica do contingente cobriria a falha; isso mais a pressão psicológica exercida pela iminência da captura por certo trariam resultados positivos à missão, raciocinavam os articuladores. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Não sem razão - apesar de alheias ao plano de retaliação dos orientais -, cerca de onze bilhões de pessoas acompanhavam atentas e apreensivas a partida da temível frota robótica. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Nesse ínterim, outro tipo de preocupação tomava Robert de assalto. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;A rigor, nenhum cientista que se preze serve de cobaia de seu próprio experimento (ou de quem quer que seja); para isso existem animais de laboratório… Porém, naquele momento fatídico, nada o impedia de se sentir na pele de uma dessas pobres criaturas. Diante das três unidades que compunham o aparato de transferência de memória, o senso de auto-preservação comum ao mais simples dos organismos aflorava, obrigando o hesitante pesquisador a respirar fundo, buscando força nos recessos de seu âmago para enfrentar o que viria pela frente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;A inofensiva e discreta cadeira na qual fixava o olhar passaria despercebida se seu encosto não sustentasse o capacete dotado de mecanismos de absorção que constituía o primeiro dos elementos do aparato. O receio era justificável: o conforto que talvez obtivesse ao se acomodar no assento tanto poderia libertá-lo daquele “patético estado de existência” como transformá-lo numa casca vazia! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Assim que ajustasse o capacete à cabeça todo o conjunto entraria em funcionamento, desencadeando o processo automático. A atividade elétrica atuante em sua massa encefálica, acompanhada de suas indissociáveis propriedades neurofisiológicas, seria drenada e transportada através de finos cabos de fibra ótica até a segunda unidade, um ambiente completamente distinto de seu habitat biológico de origem. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Nesta unidade semelhante às familiares CPUs de computador (embora em escala reduzida) o fluxo de informações colhido se converteria em linguagem digital, sendo reconfigurado à maneira dos arquivos eletrônicos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Absorvido e reprocessado, o montante das capacidades sensoriais e cognitivas do inventor enfim estaria pronto para ser revestido de uma nova “roupagem”, o microchip destacável acoplado ao mesmo equipamento. Tal invólucro, quando desconectado, apagaria definitivamente do sistema qualquer traço de assinatura mental, garantindo ao usuário em questão exclusividade absoluta sobre o conteúdo do produto ao qual pertenceria. Pelo menos com Conroy esse controle mercadológico aparentava funcionar, considerando que somente ele teria a audácia de participar da experiência. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Para todos os efeitos Frankie estava ao seu lado, como sempre; e naquela hora mais do que nunca - uma vez que as proporções descomunais do “guarda-costas” tornavam impossível o gesto amigável de segurar as mãos do protegido em sinal de apoio, a proximidade física servia de contentamento. Além do titã mecânico um dos robôs operários posicionado no lado oposto, o esquerdo, onde jazia a segunda unidade, também lhe fazia companhia; a pequena figura metálica se mantinha a postos, aguardando o exato instante em que o teste fosse iniciado a fim de cronometrar o tempo. O fim da contagem indicaria o momento preciso em que deveria executar a função para a qual fora reprogramado.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;span&gt; &lt;/span&gt;Caso todas as unidades atendessem de modo plenamente satisfatório suas especificações, o estágio levaria cerca de quinze minutos para se completar, eram as estimativas. Decorrido esse breve período, o auxiliar robótico trataria de desconectar o dispositivo da matriz, encerrando a última das duas fases do programa com a instalação do microchip em seu derradeiro destino: a bio-rede do gigante metálico. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Se a seleção natural era indiferente às características genéticas de quaisquer indivíduos, favorecendo ou desfavorecendo a sobrevivência de seus descendentes, uma regra objetiva fora instituída para o advento da entidade Robert/Frankie. O inédito exemplar da nova espécie viria ao mundo com todas as garantias de que herdaria somente o melhor de seu predecessor: inteligência em estado puro, isenta de “máculas emocionais”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;A princípio não teria por quê dar errado; a lógica do projeto seguia as mesmas linhas gerais observadas no mecanismo de funcionamento do autômato, com o capacete repleto de sensores que conectava os estímulos nervosos do cientista ao cérebro bio-eletrônico, o sistema operacional do computador fazendo as vezes de cérebro bio-eletrônico ao qual os estímulos nervosos eram endereçados, o dispositivo periférico da máquina (o precioso chip) quiçá energizado por esses mesmos estímulos… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Realizada a transferência, a pequena placa de circuitos contendo a representação energética de seu eu (ou aquilo que muitos chamam de alma) deveria então fazer sua parte assim que o robô operário fizesse a dele… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;“Tudo muito simples…”, dizia Robert de si para si, tentando se reconfortar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;“Tudo muito simples…”, só dependeria de que a bio-rede de Frankie reconhecesse o padrão de ondas mentais no interior do microprocessador; não sem antes aceitar o material com o qual o minúsculo artefato fora produzido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Na ausência da matéria-prima orgânica fornecida pela nanotecnologia, que tornou possível o estabelecimento da ligação genética entre Conroy e o robô, as chances de que seu “espírito” ficasse preso àquele formato eram realmente grandes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Sem esquecer da via de mão única que era se submeter ao teste: a partir do instante que fosse iniciado, o processo seria irrefreável… e, independente do resultado, irreversível! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Robert confiava na experiência adquirida em seus anos de engenharia mecatrônica, bem como na habilidade dos asiáticos de lidar com equipamentos de vanguarda, mas tal experimento demandava meses e meses de estudos e avaliações… além de voluntários corajosos (ou idiotas) o bastante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Se o tempo não fosse artigo de luxo naquela altura, estando ainda no planeta Terra, haveriam “candidatos” de sobra, recrutados dentre os corredores da morte. Até que o aparelho estivesse a contento ninguém repreenderia quem o confundisse com algum tipo de cadeira elétrica de aspecto sofisticado – perfeito, para o gosto dos militares; fosse o caso de receber melhorias eles lhe dariam todo o tempo do mundo, todo o apoio financeiro necessário ao aperfeiçoamento do “aspirador de cérebros” (como quase com certeza o batizariam). Os procedimentos, é claro, teriam de ser feitos de forma clandestina, para não ofender a sensibilidade dos cidadãos - da mesma forma clandestina de que se valeram quando subverteram suas criações, e quando a única sensibilidade ofendida foi a dele. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Pensando bem, se estivesse na Terra, na melhor das hipóteses algo como uma máquina autobiográfica jamais alcançaria o mercado antes de ser vetada pela Carta dos Direitos Humanos, que sequer foi capaz de entender a eutanásia como gesto solidário. O verdadeiro propósito da máquina, o de transformar pessoas no fim da vida em bancos de dados, o lançaria na fogueira da inquisição popular, atiçada sobretudo pela parcela conservadora da sociedade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Nesse cenário o equipamento contaria realmente como produto de seu altruísmo, e mesmo projetado com a melhor das intenções ainda haveria o risco de os oficiais encontrarem um meio de revertê-lo para fins destrutivos, principalmente se o associassem à maquinaria de guerra. Chips conscientes acoplados a artefatos letais fatalmente o levariam a tomar sérias providências. Psicopatas assassinos que personalizassem circuitos integrados teriam um repertório maior de crueldade na execução de missões homicidas do que seus semelhantes de Inteligência Artificial. Numa conseqüência extrema dessa especulação Robert acabaria tendo de assumir a identidade de Frankie, a contraparte heróica do horror que pôs a solta, a fim de compensar o erro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Mas mesmo na Terra, subordinado aos oficiais, o aparato de transferência de memória só faria sentido quando unisse a extraordinária capacidade mental do inventor ao fantástico poder do autômato… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;E se era assim, para quê adiar o inevitável? (Ainda mais quando já reconhecia Frankie como seu alter ego, dividindo com ele a maior - e melhor - parte de seu tempo.) &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;………………………&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;O cérebro privilegiado foi tudo de que Robert sempre precisou. O interesse manifestado por desafios intelectuais desde a infância fez dele uma pessoa não muito afeita a atividades físicas, o que lhe valeu um certo ganho de peso ao longo de quase cinco décadas e meia de cotidiano sedentário. Não era o que se podia chamar de obeso, mas também não estava no melhor da sua forma. O ambiente automatizado no qual esteve inserido durante a maior parte da vida reduzia pela metade todo seu esforço. Até o comando do autômato o poupava de exercícios, uma vez que exigia dele apenas o envio de impulsos nervosos à sua bio-rede. Se via o corpo humano como um aparelho biológico disfuncional e ultrapassado, a começar por aquele que lhe dava suporte, não era para menos. Considerava-o uma verdadeira prisão existencial, cuja pena para mantê-la de pé consistia no cumprimento do famigerado ciclo de consumo e reposição de energia; um processo cansativo e desvantajoso se comparado ao que oferecia em troca: uma vida frágil, fadada ao declínio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Os muros e grades dessa prisão feita de fome, sede, sono, sexo, desejos, aspirações, enfim… necessidades físicas e psicológicas das mais diversas, apesar de insubstituíveis enquanto elementos constituintes de tal “edificação”, impunham limites ao desenvolvimento da capacidade cerebral. A energia necessária ao desenvolvimento era canalizada para outras vias, suprindo diferentes necessidades, ao passo que o cérebro funcionava em níveis de subsistência, muito abaixo do requerido para que se atinja todo o potencial que carrega. Infelizmente tinha de ser assim, a Natureza o havia projetado como parte integrante do todo, não como peça única. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Separá-lo do restante da engrenagem era impraticável, daí o porquê da inviabilidade do transplante cerebral: nem a possível compatibilidade genética entre seres da mesma espécie estaria assegurada; frustrando, assim, as expectativas de quem porventura pretendesse atravessar incólume as gerações, “pulando” de crânio em crânio – afora violasse todos os códigos de ética existentes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;A nanotecnologia, porém, garantira algo muito melhor: a interface cérebro/máquina - tudo bem que somente ele fora agraciado com tal façanha, porquanto era o único que dispunha dos meios para fazer valer tamanha experiência, mas a possibilidade se tornara realidade concreta, sem qualquer resquício de dúvida. Agora outra tecnologia acenava com uma perspectiva ainda maior: a superação de todas as limitações físicas do corpo humano… de uma vez para sempre!&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Padecer dos males necessários de que sempre foram vítimas os seres de carne e osso já não constaria como única opção disponível no catálogo arbitrário da Natureza, na medida que somente continuaria restrito a essa alternativa se quisesse. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;A doença, a velhice e a morte jamais poderiam atingí-lo onde inexiste plataforma orgânica na qual haveriam de se apoiar, pois onde não há organismo tampouco pode haver predisposição para tais penalidades. Com efeito, tal realidade dispensava a utilização de todo e qualquer organismo. Sem desmerecer os fatores de risco - desde que tivesse coragem de enfrentá-los nada nem ninguém poderia privá-lo da indescritível sensação de liberdade que vivenciava na “pele” do autômato; ou a sensação de onipotência subjacente a ela, que seria dele por mais do que um mísero intervalo entre o cumprimento de uma rotina e outra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;A tecnologia oferecia ao cientista oportunidade como nunca se viu desde que reações eletroquímicas acenderam a fagulha da consciência humana, dando origem ao pensamento mais rudimentar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Pois quando já se ouviu falar de alguém que de matéria passou a se tornar energia? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Não apenas energia como a que procede dos átomos e de suas interações, mas energia consciente… que confinada a um microchip moveria um encouraçado metálico simplesmente pela imposição da vontade! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Nem os maiores devaneios científicos do falecido William Conroy poderiam conceber o que estava ao alcance de Robert … &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Bastava se conectar ao maquinário. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Entrementes, a meio caminho de distância, a frota inimiga avançava com a impetuosidade que faltava ao deslumbrado cientista. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;A dois dias de viagem atrás haviam reencontrado os autômatos perdidos. Não identificando Frankie entre eles nem logrando êxito em comandá-los, tentando fazer com que mudassem de curso, apenas e tão-somente abriram fogo! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Se bem que houvesse &lt;span&gt; &lt;/span&gt;vidas humanas a bordo daquelas carcaças imprestáveis, elas nada significavam. Importava recuperar a tecnologia “roubada”, e a dos robôs destruídos caíra em obsolescência há coisa de meses. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Os dois itens mais caros ao programa de defesa norte-americano continuavam intransigentes, por essa razão a linha de frente da tropa obedecia ao comando de um oficial humano e de seus imediatos. A divisão de operativos blindados das forças armadas, com todo o aprimoramento por que passou desde a última jornada até a Lua, ainda desconhecia a comunicação verbal. Sem dúvida estava preparada para Frankie mas deveria estar pronta também para uma eventual negociação com Robert, afinal, somente o inventor valia tanto quanto o invento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Os militares haviam estudado a fundo o adversário, sabiam muito bem do que era capaz. A extrema habilidade demonstrada no controle do autômato tornara-se notória; a seqüência de movimentos precisos, apesar dos meses de treinamento intenso dedicados a emulá-la, permanecia inimitável… mas disso eles poderiam dar conta, estavam em maior número – para cada unidade enviada anteriormente adicionaram três! Conroy sozinho não prevaleceria sobre o esquadrão formado por sessenta blindados, além disso supunham que tivesse tido ajuda da vez passada – ninguém os convencia de que o habitat estivesse completamente desguarnecido, do seu ponto de vista a base lunar sempre foi mais do que um futuro “resort para milionários”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Fosse como fosse, alguns daqueles empecilhos “amarelos” não passavam de poeira no vácuo sideral, e se houvessem outros, pior para eles. As ações táticas de Conroy faziam dele um oponente respeitável, apenas isso; impressionaram, à primeira vista, porém deixaram de inspirar temor tão logo suavizou-se o impacto do fator surpresa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;A menos que estivessem sendo precipitados no julgamento… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;Continua… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:12.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%;font-family: &amp;quot;Verdana&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-9219114504559974866?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/9219114504559974866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=9219114504559974866' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/9219114504559974866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/9219114504559974866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2011/11/o-que-aconteceria-se-parte-13.html' title='O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 13)'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-8129247517849838150</id><published>2011-10-03T17:33:00.001-07:00</published><updated>2011-10-03T17:38:49.155-07:00</updated><title type='text'>O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 12)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Robôs operários trabalhavam sem cessar na urgente tarefa de reparar os autômatos postos fora de combate na investida anterior, integrando-os às fileiras dos que nada sofreram para que Robert, por meio de Frankie, então pudesse reprogramá-los. A próxima frota invasora teria de se contentar com a fria recepção dos autômatos em lugar da terna hospitalidade dos asiáticos, ao passo que estariam ocupados demais saindo da biosfera artificial pela porta dos fundos. Todavia, iriam sem a companhia do estrangeiro; ele permaneceria no habitat pelas mesmas razões que o fizeram abandonar a Terra. E seria inútil insistirem para que se juntasse a eles na fuga, como deixou claro. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Ainda que pesasse sobre o inventor a culpa pela morte dos soldados no episódio da base americana, levando os astronautas a questionar a legitimidade da atitude, nem todos reprovavam sua postura radical. Enquanto uns entendiam que não havia justificativa para o extermínio (sem sequer imaginar uma solução alternativa para o impasse, entretanto) e outros se mostravam favoráveis ao diálogo (defendendo a negociação entre as partes conflitantes até que se esgotassem os argumentos), também havia os que manifestavam simpatia irrestrita ao ato de Conroy. Para esses, “aquela não era hora para acordos legais ou dilemas éticos, a situação exigia medidas drásticas”; achando injusto, portanto, que tivesse de continuar ali, ao deus dará, quando merecia melhor sorte – os simpatizantes, é claro, nem ao menos desconfiavam que seu honrado e decente herói tivesse assassinado os ex-assistentes (e que poderiam ter tido o mesmo fim se não tivessem pego o foragido em seus melhores dias). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Conroy se adequara tão confortavelmente bem ao papel de mártir idealista que em dado momento declarou aos orientais com toda convicção: “Se for preciso lutar até a morte para não ser capturado, eu lutarei!” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;A escolha nada aleatória de palavras foi determinante para avaliar o quanto poderia manipulá-los, explorando aquilo que consistia no calcanhar de aquiles de todo o grupo, a sensibilidade. Frente à arrebatadora alegação alguns não puderam conter as lágrimas, chegando mesmo a pensar em voltar atrás na decisão de partirem, somente para ser atingidos por outra pérola do melodrama: “Minha presença será sentida em seus corações quando olharem para a Lua, tenho certeza; isso será prova de gratidão suficiente por ficarem ao meu lado.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Aconselhando-os, então, a apertarem o passo, logo os dispensou, tendo o cuidado de manter a carga de sentimentalismo no último adeus - que também marcava seu último adeus ao sentimentalismo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Indiferente como era ao propósito da ECO, não poderia tê-los tratado de forma mais dissimulada; mesmo assim, a solicitude daquela equipe de japoneses, coreanos e chineses conseguiu superar suas parcas expectativas. Apesar de avesso ao convívio social era obrigado a admitir que estaria condenado à morte por inanição naquele gélido e solitário satélite caso faltassem em assistí-lo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;A curiosa reação dos asiáticos imediatamente após a chegada de Robert, no desfecho da luta que quase lhes custou a vida, havia sido a mais inesperada desde muito tempo. Quem diria que depois de submetidos ao fogo cruzado daquela repentina batalha ainda pudessem demonstrar gentileza, em vez do sentimento de hostilidade tão comum nessas horas? Sem nem ao menos conhecê-lo, lhe deram guarida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Não bastasse tamanha cordialidade ainda prestaram valorosa assistência à execução do dito “projeto biográfico”, aceitando sem hesitação o desafio - que para eles, até o aprimoramento do trabalho, não teria qualquer serventia. Se na sua visão particular consideravam o invento uma espécie de pedido de desculpas informal, uma tentativa do forasteiro de se redimir perante os compatriotas, era de somenos importância; fosse qual fosse o motivo, a verdade é que honraram o compromisso até o derradeiro instante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Embora a intenção por trás da rota de fuga improvisada por alguns daqueles autômatos fosse menos nobre do que jamais ousassem imaginar, retribuir o favor seria justo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Se a idéia do “herói científico” agradava tanto a eles, para quê desapontá-los, afinal? Depois de todo o bem que lhe fizeram, pondo a seu serviço o valioso material humano que representavam, a última coisa que poderia pensar era em virar a casaca, bancando o estraga-prazeres. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;O plano dos ECOnautas não era de todo ruim, só pecava por incluir a espécie errada. O problema com eles, que àquela altura já haviam desaparecido no horizonte, era exatamente o mesmo de toda a classe idealista: o de se sentir responsável pelos “desvalidos”; ou por toda a raça humana, no contexto generalizado que gostariam de abranger. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Sua relação com a coletividade se dava da forma hierárquica como é vista no seio familiar, e nessa relação se reservavam o direito de assumir a posição de pai ou irmão mais velho. Mas a orientação que julgavam poder transmitir aos filhos ou irmãos mais novos não passava de egocentrismo, partindo da premissa equivocada de que os “mais experientes” detém o monopólio da sabedoria. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Robert, durante o período de convivência com o grupo, se sentia como um psicólogo no exercício da profissão, acompanhando sessão por sessão a evolução de seu próprio caso. Era como se tivesse entrado numa máquina do tempo e revesse cada fase da sua vida, quase como se cada um dos asiáticos encarnasse as diferentes facetas da ingênua personalidade que deixara para trás. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Lá estava aquele Bobby Conroy alheio ao jogo de interesses dos poderosos, os ricos patrocinadores da ciência; ciência que para ele era de importância fundamental ao desenvolvimento de uma sociedade apoiada em valores humanitários, propiciados pela divulgação do conhecimento acerca de todos os setores da vida humana, e que em contrapartida também contribuía para a perpetuação de suas mazelas, na medida que se democratizava o conhecimento mas não a sabedoria – as altas somas investidas na pesquisa espacial em prejuízo do terceiro mundo largado à própria sorte serviam de ilustração. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;E aquele outro Bobby, entusiasmado por estar cumprindo com sua parte para o bem-estar social, disponibilizando os meios necessários à melhoria da qualidade de vida, indiferente aos supérfluos alçados à condição de artigos de primeira grandeza que o efeito colateral de sua produção trazia a reboque. Ou ainda o Bobby preocupado com a conservação do meio ambiente, disposto a colaborar com a implantação da tecnologia orgânica, a substituta ideal das fontes de energia não-renováveis (e dos bens de consumo supérfluos), que encontrou no petróleo, o motor da civilização industrial, seu maior impedimento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;E até o Bobby zeloso da paz mundial, consciente das tragédias que o mau uso da tecnologia pode provocar, feliz de não ter sido convocado para participar de nada parecido com o atemorizante Projeto Manhattan; pelo menos não diretamente já que, se por um lado não trouxe ao mundo nenhum tipo de bomba atômica, por outro, tornou possível a criação de armas com poder de destruição quase tão devastadores quanto – a tropa militar robótica foi somente a última a qual fora apresentado oficialmente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Todos aqueles Bobbys reviveriam, de uma forma ou de outra, todas as situações que o levaram a renunciar àquela vida pregressa, Robert podia antever; porém a máquina do tempo psicológica na qual adentrara tinha suas limitações, uma delas era a impossibilidade de prever as futuras reações dos orientais frente a cada desengano, a outra era a incapacidade de lhe mostrar a posição que assumiriam diante disso. Por mais bem-intencionados que pudessem ser eram apenas peões numa trama maior, a trama das decisões corporativistas - como Bobby tardiamente percebeu; mentes brilhantes, de fato, mas nem por isso menos descartáveis, enquanto dependentes dos conglomerados empresariais que ajudaram a erguer, transformando o mundo numa gananciosa multinacional. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Bobby teve em Frankie um componente importante na sua emancipação, sem ele certamente continuaria impassível na rotina segura de seu ambiente de trabalho, dentro da aconchegante redoma de veludo na qual abandonava sua consciência, pensando estar atento ao que se passava lá fora; era de se perguntar, portanto, de que lado viria a ameaça terrível capaz de afetar a bem sedimentada base das convicções dos asiáticos, quem ou o quê puxaria o tapete da condescendência sob seus pés, fazendo-os cair em si – pois o complexo de messias não poderia ser tão entorpecedor, não a ponto de levá-los a esquecer tão rapidamente a pequena demonstração que tiveram acerca de como funcionam as coisas no mundo real. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Talvez o palco das suas desilusões estivesse ali montado, esperando apenas a chegada dos primeiros inquilinos da base lunar. O choque de realidade promovido por aquela gente de certo ofereceria resistência proporcional à maneira educada daquelas distintas damas e cavalheiros de lidar com as circunstâncias. Robert quase manifestava o desejo de ficar para ver o embate de opiniões, entretanto, as coisas haviam fugido ao controle cedo demais, e muito por conta dele; contudo a imaginação permitia que visualizasse a cena, evocando uma possível realidade paralela onde a massa, cansada da filosofia zen-budista transmitida pelos educadores, assim como de todos os ideais de grandeza e purificação espiritual difundidos por todas as correntes ideológicas presentes na colônia, degenera em toda sorte de vícios decadentes e reencontra sua verdadeira natureza primitiva. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Em se tratando de seres humanos era muito fácil apostar no pessimismo; eles simplesmente não se ajudavam. De qualquer modo, a recente ameaça à biosfera artificial lançara alguma luz a respeito de como pretensos salvadores e prováveis indicados para a salvação reagem a uma situação-limite. Se nem mesmo dispunham de aporte psicológico para enfrentar uma casualidade feito aquela, com a qual não tinham qualquer envolvimento direto, como esperavam se sair, na condição de “pais e mestres”, toda vez que os homens da colônia exigissem deles pulso firme e mão forte na resolução dos conflitos? Visto que a humanidade estava mais para predadora selvagem do que para animal domesticável, assim que todos os meios diplomáticos se mostrassem ineficientes, teriam de fatalmente pegar em armas para pôr em ordem a turba revoltosa – que nem por um minuto hesitaria em destituí-los do poder. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Seria quando a fachada altruísta daria lugar à lucidez. E quando reconheceriam também o egocentrismo recalcado que guiava suas ações – nada mais os impediria de enxergar que enquanto pretendessem poupar a humanidade da árdua tarefa de resolver os próprios problemas, como os mais capacitados que julgavam ser, estariam simplesmente negando a ela o direito e o dever inatos de amadurecer a consciência funcional que sempre possuiu (afora contribuíssem para a perpetuação de valores arcaicos, rebaixando-a à categoria inferior na medida que se utilizavam da força do intelecto para validar uma suposta liderança natural).&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Ora, para que aspirações grandiosas e progressistas se transformassem em interesses vis e mesquinhos bastava dar tempo ao tempo; as páginas da História abundavam de líderes cujas admiráveis aspirações progressistas ocultavam os mais vis interesses - obviamente não era o caso com os ECOnautas, mas o que poderia ser tão grandioso quanto a imponente maravilha arquitetônica incrustada na Lua e tão tentador quanto as idéias de controle e poder evocadas por ela? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Os acionistas majoritários da poderosa corporação responderiam com facilidade… na hora certa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Por mais nobre que pudesse ser, o idealismo ainda era um conceito humano e, embora nele estivessem inseridas as melhores qualidades que alguém poderia cultivar, isso não o tornava imune a equívocos, levando muitas das vezes a resultados impuros, coisa que os orientais pareciam não ter se dado conta; porém, como estavam crentes de terem coabitado com um legítimo representante dessa nobre estirpe (talvez o único que tiveram a honra de conhecer, ao menos na sua inocência), que partissem levando consigo essa impressão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Em troca reclamaria algo pelo qual não valeria a pena morrer, algo cuja obtenção de modo algum exigiria o espetáculo demagógico de se sacrificar por uma causa, pois seria muito apropriado que se mantesse vivo para poder utilizá-lo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Com isso certamente os decepcionaria… mas nem os melhores idealistas conseguem agradar a todos. Ademais os autômatos militares estavam em seu encalço e a simples idéia de ser capturado tão perto de conseguir o que queria era inaceitável. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Continua… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-8129247517849838150?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/8129247517849838150/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=8129247517849838150' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/8129247517849838150'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/8129247517849838150'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2011/10/o-que-aconteceria-se-parte-12.html' title='O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 12)'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-5878494228504197501</id><published>2011-09-11T14:08:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T14:09:18.481-07:00</updated><title type='text'>O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 11)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;“Apesar dos comentários alarmistas, o mundo pode respirar aliviado.” – garantia o porta-voz do Congresso americano na coletiva de imprensa convocada dias antes da temível Operação Captura. “O apocalipse não terá início com a descida das tropas em solo lunar.” – tranqüilizava a população, enquanto dizia para si mesmo: “Talvez apenas mais uma batalha…” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Estava tão inseguro quanto todos naquela sala mas não podia deixar transparecer, as palavras cuidadosamente escolhidas deveriam inspirar confiança, mesmo que ele a tivesse perdido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;A julgar pela determinação de Conroy a batalha provavelmente ocorreria, o comportamento obstinado do cientista o levaria às últimas conseqüências; comportamento considerado inadmissível pelas autoridades americanas, ultrajadas desde a catástrofe que se abateu sobre o bilionário complexo de pesquisas de Angeles Natural Forest. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;A avaliação do perfil psicológico de Robert Conroy não revelava nada de anormal, nenhum sinal de distúrbio de qualquer espécie, o que os confrontava com a difícil questão de como alguém em juízo perfeito seria capaz de algo tão absurdo… a menos que estivesse a serviço dos orientais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Das muitas hipóteses levantadas essa era a que fazia mais sentido. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Conroy nunca foi de fazer amizades; convivia com um grupo de técnicos e engenheiros que ele mesmo havia selecionado - a despeito de colaborarem com o departamento de defesa poderiam muito bem estar disfarçando suas verdadeiras atividades por trás desse ardil -; a índole pacifista do doutor e seu caráter acima de qualquer suspeita (além de filho do grande William Conroy) credenciavam-no para as “inocentes” idas e vindas da casa da mãe, a senhora Lucy (bióloga já falecida, de acordo com o registro do Pentágono), com quem supostamente se contatava. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;No histórico do doutor ainda constava uma visita à Índia, quando jovem, por motivos obscuros; na época a região visitada havia acabado de se libertar do domínio da China, um dos futuros membros da ECO. A ECO não existia, pelo menos não como a gigante industrial que veio a se tornar; Robert Conroy tampouco trabalhava na divisão de projetos secretos subsidiada pelo departamento de defesa mas, ao que tudo indicava, já fazia parte dos planos de espionagem oriental. Quem melhor para mantê-los informados a respeito do desenvolvimento tecnológico concorrente do que alguém de destaque nessa área? Fisgaram o peixe assim que lançaram a isca. Ponto para os chineses. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;O sucesso do programa espacial japonês, que se pensava responsável pela criação dos Estados Confederados, passava a ser de importância secundária visto por esse ângulo; não podia ser simples coincidência o êxito corporativo do empreendimento e a produção em ritmo industrial de Conroy, “possibilitada pelos amplos recursos” da instalação militar. Quando finalmente conseguiram tudo que queriam era hora de detonar a base. Deixá-la de pé seria contraproducente, uma vez que a tecnologia produzida lá poderia e iria, de fato, ser usada contra eles caso fossem descobertos; tanto é que a maior invenção do doutor fora poupada e estava agora em poder dos “amarelos”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Sobre o sumiço da equipe de Conroy? O mesmo motivo da destruição da base: apagar pistas. Os soldados robôs não forneceram evidências de que estavam em companhia do sabotador, na Lua, mas a Operação Captura confirmaria a tese. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;De tal dedução, baseada em dados insuficientes e especulação pura, nascia uma nova imagem do inventor, motivada pela obrigatoriedade dos militares de prestar contas à Casa Branca, seus superiores imediatos. O fardo de carregar o peso da culpa sobre o grave incidente era depositado sobre os ombros convenientes de outrem, enquanto a imprensa saciava sua sede de manchetes com um novo terrorista. Dois coelhos com uma cajadada só. É claro que “a versão oficial dos fatos” não sairia dos gabinetes administrativos, os “detalhes sórdidos” deveriam ser omitidos se quisessem acalmar os ânimos acirrados da população. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;“Tecnoterrorista sabota base militar na Califórnia e se refugia na Lua com invento roubado” soaria melhor do que, por exemplo, “Espião industrial da ECO infiltrado em instalação secreta destrói base da economia americana sob os olhares dos militares e foge para a Lua”. Usando desse expediente manteriam afastada da mente do público a iminência da guerra atômica (porque realmente estavam dispostos a isso para recuperá-lo, o que de certa forma “lavaria sua honra militar maculada”), sem mencionar que receberiam carta branca para bisbilhotar em território alheio. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;O mundo respiraria aliviado, sim, se a falta de esclarecimento sobre a natureza real do “espião” não os impedisse de especular em torno de algo menos extraordinário e mais simplista, como imaturidade emocional, o verdadeiro delito que Conroy cometera. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Por conta desse pequeno descuido os mísseis nucleares da nação se encontravam todos voltados para o centro de comando terrestre dos Estados Confederados do Oriente; a morte viria dos céus sem qualquer aviso, repetindo numa escala nunca vista a inesquecível tragédia de Hiroshima e Nagasaki. Mas se o controle asiático da ECO ignorava o perigo, seu braço lunar tinha tido a chance de se preparar para receber o “esquadrão de resgate” robótico através do ultimato emitido via satélite pelo presidente americano. O comunicado se reportava a Robert em termos como “criminoso” e “terrorista”, exigindo que se rendesse sem impor nenhuma condição; alertava ainda para que “os reféns” do foragido evitassem reagir se molestados, requisitando deles cooperação total, e terminava anunciando o dia da chegada da tropa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Ora, se o cientista fosse mesmo tão perigoso quanto o presidente afirmava (e o controle da missão espacial, na Terra, consentia), naquela altura da situação já os teria ameaçado; o que se via em lugar de tal maníaco era uma figura inofensiva (até “afável”), embora nada surpresa com o tratamento dispensado a ela pelo chefe de Estado ianque. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Robert os alertara para o fato de que cedo ou tarde viriam buscá-lo, por bem ou por mal; quando disse que não se entregaria sem lutar, todos, num primeiro momento, temeram por suas vidas (afinal não haviam ido até lá para morrer), no entanto a confiança retornou tão logo foram postos a par de seu plano. Que de tal decisão resultasse o fim do habitat, disso não restava dúvida, porém sairíam ilesos se somente fossem rápidos o bastante. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Os astronautas não se importariam em ter de dividir espaço na biosfera artificial com pessoas de caráter duvidoso (como quase com certeza se revelariam muitos dos futuros ocupantes da colônia), desde que os deixassem de fora de suas intrigas particulares, mas entre permanecer em um sonho condenado ou fugir de um pesadelo, a segunda opção parecia seguramente mais sensata. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;De qualquer maneira, mesmo que a edificação viesse abaixo, pessoas de caráter duvidoso fariam questão de envolvê-los em suas intrigas particulares… mais cedo do que esperavam. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;Continua… &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-5878494228504197501?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/5878494228504197501/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=5878494228504197501' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/5878494228504197501'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/5878494228504197501'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2011/09/o-que-aconteceria-se-parte-11_11.html' title='O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 11)'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-6952746298312529223</id><published>2011-08-02T13:54:00.000-07:00</published><updated>2011-08-02T13:56:13.944-07:00</updated><title type='text'>O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 10)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;A quase 400.000 km da Lua o clima de amizade envolvendo as duas maiores potências do planeta Terra vinha pouco a pouco sendo substituído pela desconfiança que se instaurava em seu meio. A notícia sobre o envio de tropas robóticas àquele satélite, com a missão de reaver uma importante propriedade americana roubada dos militares por um cientista renegado, não foi vista com bons olhos pelos japoneses que coordenavam o programa espacial asiático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia alguma coisa de preocupante na declaração do chefe de Estado ianque que ficara nas entrelinhas. Alguma coisa a ver com uma ameaça velada à base lunar da ECO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em contrapartida, os estadunidenses sabiam que Robert Conroy “havia buscado refúgio” junto aos “amarelos” e estavam ansiosos para pôr as mãos naquela maravilha bélica sem par antes que a adicionassem ao seu arsenal. Sabiam também que apesar de naturalmente contidos os orientais não permaneceriam impassíveis diante de tanta ousadia mas que “acobertar aquele traidor era inaceitável”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;……………………… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A firme decisão de Robert de não ceder à pressão militar para que fornecesse novos equipamentos às forças armadas (incluindo Frankie) acabou tomando ares de seriedade assim que resolveu pedir as contas, deixando um prejuízo de bilhões de dólares aos cofres do governo (que cobrou mais do que explicações dos responsáveis); o próximo passo lógico dessa resolução poderia ser visto como algo premeditado no intuito de desencadear uma crise internacional se tivesse recebido convite dos asiáticos para aproveitar as férias nas confortáveis dependências da base lunar mas, ao contrário do que parecia, tudo se deu por obra do acaso. Na esteira desse mal-entendido a tentativa desastrosa de capturá-lo acabou por agravar ainda mais a situação que, de mero problema doméstico, ganhou corpo e adquiriu proporções apocalípticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robert fora lá para afastar o perigo que sua presença pudesse causar a qualquer nação que ousasse acolhê-lo pois onde quer que se escondesse seria perseguido incansavelmente pelas forças armadas norte-americanas; um ato heróico, à primeira vista, arriscando a própria segurança em prol das vidas de muitos - se fosse esse o caso. Na verdade o exílio auto-imposto ocorreu porque sua divergência com os Estados Unidos só dizia respeito a ambos, ademais estava cansado da sordidez humana. A Lua, pela considerável distância em relação à Terra, era o último lugar em que pensariam poder encontrá-lo; se chegassem lá seria graças à capacidade de rastreamento dos genéricos de Frankie, que realmente descobriram seu paradeiro através da leitura dos elementos químicos expelidos pelo combustível nuclear de seus retro-propulsores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora surpreso pela autonomia de vôo e o poder de fogo daqueles robôs, faltava a eles estratégias de combate menos previsíveis, o único quesito no qual reprovaram; no entanto estava grato aos seus programadores pela falta de experiência… por conta desse detalhe continuava vivo… apesar de não estar sozinho, como gostaria. Bem, estando entre humanos aja feito humano; e foi o que fez, readaptando o dito popular para aquela eventualidade. Agir feito humano significava passar por uma série de “sacrifícios”, e ele como ator era um ótimo cientista. A despeito de estar entre iguais teria de se haver com o característico turbilhão passional que marca as vidas desses seres. Cientistas ou não, deveriam se chamar “homo emotivus” em vez de homo sapiens. Mesmo assim, aos trancos e barrancos emocionais, o dispositivo por meio do qual daria adeus ao exaustivo fardo da carne estava em vias de fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;……………………… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os dirigentes do centro de controle terrestre da ECO, que acabavam de ouvir um sonoro e definitivo “Não!” de Robert Conroy após uma longa tele-conferência, a esperança de que se entregasse pacificamente às autoridades norte-americanas escorria pelo ralo, junto com a impressão transmitida a eles pelos entusiasmados astronautas sobre o “nobre estrangeiro”. Sem o aval do cientista as chances de manter de pé o acordo com a Comunidade Internacional, que prometeu refrear o avanço dos Estados Unidos até que a negociação fosse feita, diminuíam drasticamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A missão humanitária nem bem começara e já sofrera um duro golpe no seu moral, tendo sido acusada de vincular suas atividades às de um criminoso foragido. O programa espacial asiático visava congregar a humanidade unindo cidadãos de todas as nações, independente de raça, credo e classe social, numa grande celebração da diversidade, garantindo a preservação da espécie humana num ambiente especialmente preparado para recebê-la… mas aquele “hóspede indesejável” estava prestando uma bela contribuição ao desfavorecimento da proposta, simplesmente denegrindo a imagem pública do conglomerado perante os investidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova versão da utópica terra prometida revelava sua verdadeira face à medida que os milionários colaboradores iam desistindo da aposta aparentemente lucrativa; com o futuro corporativo ameaçado pela súbita perda de credibilidade o perigo real e imediato mudou de foco: aquecimento global e superpopulação saíam de cena para dar lugar à perturbadora figura daquele empecilho refugiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em face desse cenário desolador, o que restava aos Estados Confederados do Oriente senão cooperar com os ocidentais? Era a única maneira de recuperar o prestígio empresarial e fazer as pazes com a elite das nações industrializadas do planeta, já que o aspecto filantrópico do negócio nem um hara kiri recuperaria – ou alguém ainda seria ingênuo de acreditar que o êxodo incluiria países subdesenvolvidos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;……………………… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante quase trinta anos Conroy abasteceu a indústria de produtos tecnológicos americana com engenhosos e cobiçados bens de consumo (direta e indiretamente), fazendo do Tio Sam o principal exportador de equipamentos eletrônicos do mercado (também de armamentos, graças ao time de engenheiros com quem trabalhava), uma fonte de renda preciosa demais para ficar dando sopa para os concorrentes; com a criação da ECO, o maior consumidor desses produtos, a procura cresceu enormemente, impulsionando a economia como poucas vezes se viu na história financeira ianque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conquanto desconhecessem a real extensão do poderio bélico asiático e jogassem com as vidas de bilhões, expondo a humanidade à tragédia anunciada da hecatombe nuclear, a solução radical que apresentaram ao menos serviu para avaliar o grau de importância do cientista rebelde em relação ao programa espacial alheio. Como puderam perceber, os “amarelos” não tinham idéia do trunfo que possuíam. Para a sorte de todos e alívio geral das nações Robert Conroy nunca havia sido modelo de popularidade, do contrário os orientais dificilmente teriam optado pelas relações diplomáticas, disputando a posse do foragido com armas de destruição em massa, se preciso fosse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandice tal como aquela não passaria incólume perante a opinião pública que, após exigir a retratação dos governantes pela insensatez da postura adotada, se deparou com a justificativa estapafúrdia da conservação do padrão econômico norte-americano. Os “representantes da vontade do povo” haviam aberto a caixa de Pandora da Terceira Guerra Mundial para assegurar a manutenção do jeito americano de se viver, como se os possíveis sobreviventes da catástrofe pudessem desfrutar do conforto material proporcionado pelos destroços radioativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ignorando os protestos locais gerados pelo controverso pronunciamento e as manifestações anti-imperialistas que se alastraram pelo mundo afora a Casa Branca manteve a posição inicial no que dizia respeito à captura de Conroy. A reputação seriamente comprometida requeria a demonização imediata de alguém; convenientemente havia um bode expiatório em quem pôr a culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais justo do que fazê-lo responder pelo crime… que levaram-no a cometer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua…&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-6952746298312529223?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/6952746298312529223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=6952746298312529223' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6952746298312529223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6952746298312529223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2011/08/o-que-aconteceria-se-parte-10.html' title='O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 10)'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-7515382085699738671</id><published>2011-07-08T17:49:00.000-07:00</published><updated>2011-07-08T17:58:30.050-07:00</updated><title type='text'>O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 9)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;O que faria alguém em sã consciência, gozando do pleno domínio das faculdades mentais, querer abdicar da própria humanidade em favor de algo tão estranho quanto uma identidade robótica?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;“Robôs são apenas amontoados de peças mecânicas revestidas de cascas de metal e plástico, enquanto nós, seres humanos, representamos a Natureza em seu grau de complexidade mais elevado”, diriam alguns.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;“O que essas máquinas pensam que são para ousar se comparar a nós, seres perfeitos, criados à imagem e semelhança do nosso deus”, diriam outros.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;No caso de Robert, a resposta era uma só: a possibilidade de nascer de novo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Não que tivesse tanto amor à vida que quisesse continuar com ela por tempo indefinido. Vida como sinônimo de relações humanas, para ele, nunca teve grande significado. Em geometria a linha reta é a distância mais curta entre dois pontos mas o caminho traçado pelas relações humanas costuma percorrer uma extensão muito maior. Mesmo quando duas ou mais pessoas se reúnem em torno de um mesmo objetivo vários acordos têm de ser selados, vários pactos devem ser firmados, até que, sob condições específicas, se chegue onde se quer.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Quando se viola quaisquer das regras formuladas para que se estabeleça tais condições, todo o tortuoso e cansativo trabalho vai por água abaixo, e isto acontece em todos os níveis de relação, das menos formais às mais sérias. Um claro desperdício de tempo, de esforço e ás vezes de dinheiro; uma aposta alta demais para um salto no escuro, onde nem sempre o custo vale o benefício.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Com os robôs, aqueles “amontoados de peças mecânicas revestidas de cascas de metal e plástico”, era bem mais fácil de se lidar; o cérebro eletrônico neles instalado e todas as operações que se processam dentro dele, complexas como podiam ser, ainda assim poupavam-no de tantas circunvoluções. Não eram “seres perfeitos criados à imagem e semelhança de algum deus” mas estavam mais próximos de atingir a perfeição do que qualquer ser humano que já viveu ou viverá – se com perfeição se quer dizer clareza de propósito e objetividade de atitude; além de serem virtualmente capazes de cumprir as promessas de imortalidade garantidas (e, ao que se sabe, jamais satisfeitas) pelas religiões e seus deuses. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Essa era a parte que o interessava, a oportunidade de vencer a barreira da carne e derrotar a morte, renascendo na pele metálica de Frankie sem ter morrido, como numa versão high tech da fênix mitológica.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;No entanto, antes de alçar vôos tão altos precisava assumir mais uma vez seu lado hipócrita e adotar a diplomacia, perfazendo todo o sinuoso caminho dos acordos humanos, apelando de início à curiosidade científica dos orientais.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Contava com a disponibilidade, motivação e inteligência dos anfitriões para a construção do chip dentro do qual seria armazenada toda sua vida. Era melhor jogar limpo com os asiáticos em vez de se lançar ao desafio às escondidas pois se duas cabeças pensam mais do que uma, que dirá várias. Sem mencionar o fato de que a solicitação de ajuda afastaria qualquer eventual suspeita sobre suas reais intenções. Novamente faria o papel do homem da ciência altruísta (que um dia realmente foi) e revelaria a eles o ambicioso “projeto biográfico” sobre o qual vinha se debruçando.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Nas palavras de Robert “as gerações futuras disporiam de uma nova e revolucionária maneira de realizar consultas a bancos de dados, bastando apenas inserir o dispositivo de memória num computador que reproduzisse, por meio de programas de áudio e vídeo, pensamentos e imagens contidos na mente da pessoa recém-falecida. Como numa autobiografia que só estará completa nos últimos momentos de vida do escritor ou narrador, o dispositivo de registro só poderá ser utilizado quando o usuário estiver para abandonar a existência, já que esvaziará todo o conteúdo mental de quem o acionar, num processo irreversível de absorção”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Palavras impactantes, tanto admiradas pelo caráter progressista quanto temidas pelo teor anti-ético, que deram vazão a uma avalanche de perguntas, dividindo as opiniões dos manifestantes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;E elas nem expressavam toda a verdade.&lt;br /&gt;………………………&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;A idéia de causar perdas indesejáveis àquele santuário construído para comportar a vida era a pedra no sapato dos habitantes da biosfera lunar. Os favoráveis ao desenvolvimento do chip só aceitariam participar do projeto caso o conselho de ética terrestre de cada um dos três países membros dos Estados Confederados do Oriente, de comum acordo, pusesse à sua disposição prisioneiros condenados à morte para serem submetidos ao experimento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Robert então, a pretexto de sanar as discussões e encerrar o polêmico debate, surpreendeu a todos com uma proposta nada convencional: a de se expor ao teste, arcando com os riscos pré-calculados – na realidade queria apenas impedir que a notícia sobre a construção do invento se espalhasse para além da base, um segredo que gostaria de levar para o túmulo se algo desse errado durante a etapa final da empreitada. Tamanha dedicação à ciência garantiu àquele ronin estrangeiro o aval dos representantes locais da ECO*; mas, mesmo convencidos pelo heroísmo dissimulado do samurai, outra ameaça de morte, vinda de onde menos se esperava, trazia perigo ao oásis tecnológico da vida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;O germe da desconfiança implantado no inventor após o desentendimento com o departamento de defesa o levou a tomar certas precauções em relação aos traiçoeiros seres humanos, e todas diziam respeito a Frankie. A instalação do cérebro bio-eletrônico projetado geneticamente para reconhecer sua assinatura mental, reagindo somente ao seu comando, se mostrou de extrema utilidade. Mas isso foi antes de se indispor com os militares. Depois do atrito veio a instalação do armamento pesado, que até então era apenas opcional. Contudo, nenhuma dessas medidas era tão radical quanto a última. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;O cientista havia programado o autômato para se auto-destruir ainda na base californiana de Angeles Natural Forest.&lt;br /&gt;Se no prazo de no máximo 24 horas não fosse tocado pela mente de Robert, todo aquele habitat se juntaria à enorme coleção de cicatrizes que enfeitavam a face irregular da Lua, tornando-se indistinguível das inúmeras crateras lá existentes.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Ele, é claro, não estava disposto a alertá-los. Nada pessoal… procedimento de segurança, apenas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Em compensação exigiria deles que o acoplassem ao órgão sensível do autômato tão logo se desse o teste, afinal de contas todo condenado tem direito a um último pedido. Como caíram nas boas graças dos asiáticos era óbvio que o atenderiam. Para boa parte do grupo, Robert e seu robô impressionante, exceto pela nacionalidade, lembravam personagens de antigos seriados japoneses que cresceram assistindo, portanto não negariam a ele o desejo de ser “reverenciado dentro do processador de dados de Frankie” - da mesma forma que as cinzas dos entes queridos depositadas no interior de recipientes de cerâmica o são, na milenar tradicão oriental.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Além disso receberiam em troca dois dos maiores inventos do suicida: o dispositivo de memória, que aperfeiçoariam, e o próprio Frankie, no que se poderia chamar de “negócio da China”.&lt;br /&gt;………………………&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Mais do que um “robô gigante” de seriados infantis, Frankie abrira vários precedentes dentro do campo em meio ao qual surgiu. William Conroy, seu idealizador, o havia desenhado para atender as exigências da exploração interplanetária, auxiliando os astronautas nas missões espaciais; expectativas ambiciosas que extrapolavam em muito o orçamento estimado pela NASA na época. Redesenhado com menos recursos, quando o conceito de autômato pertencia somente ao vocabulário da ficção científica, ganhou “vida” fora da prancheta, trocando a ficção pela realidade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Mais tarde, pelas mãos de Robert Conroy, passou por diversas mudanças estruturais, tornando-se radicalmente diferente de como o professor o deixara. Uma das modificações o lançou na vanguarda da Inteligência Artificial, e se seguisse por esse caminho logo seria o primeiro engenho mecânico a ter consciência de si e de seu propósito robótico. A mais importante das modificações, no entanto, foi a aquisição de um cérebro metade eletrônico metade orgânico, cuja propriedade de interagir com os impulsos nervosos do inventor o colocou em algum lugar entre uma existência biológica e artificial ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Com tantas alterações surpreendentes parecia impossível que algo de extraordinário ainda pudesse ser acrescentado a Frankie, mas os próximos acontecimentos viriam trazendo novidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;*ECO (Estados Confederados do Oriente)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Continua…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-7515382085699738671?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/7515382085699738671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=7515382085699738671' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/7515382085699738671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/7515382085699738671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2011/07/o-que-aconteceria-se-parte-9.html' title='O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 9)'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-7538488536406680008</id><published>2011-06-17T12:43:00.000-07:00</published><updated>2011-06-17T13:22:00.422-07:00</updated><title type='text'>O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 8)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Robert precisava transferir sua consciência para o autômato o mais breve possível… de uma vez por todas. Tanto adiamento só servia para reviver a condição que pensara ter renegado. Precisava se ver livre daquela natureza humana sem serventia. Dar adeus ao homo sapiens residente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Arrastar aquele “corpo velho e cansado”, aquele “peso morto”, era por demais custoso; demandava uma quantidade de energia que poderia muito bem estar sendo empregada para fins mais úteis, como por exemplo abastecer um único órgão em lugar de tantos. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;O que tinha em mente dispensava a utilização dos arcaicos métodos Frankenstein, que tampouco dominava. Biomedicina e engenharia mecatrônica constituíam áreas bastante distintas, sem qualquer relação direta entre si. Remover cirurgicamente o cérebro e acoplá-lo a uma bateria elétrica que provesse suporte às suas funções neurofisiológicas era ridículo por si só. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Naquele ano de 2027 onde até as guerras travadas nos países subdesenvolvidos ganharam status de civilidade, com a tecnologia bélica conferindo aos oponentes um mínimo de derramamento de sangue, se valer de experimentos tão antiquados equivalia retornar à barbárie. E tamanho primitivismo o deixava enojado. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Ali mesmo, naquela base, havia recursos mais limpos e sutis. Não obstante tivesse de sujar as mãos para obtê-los, o sacrifício valeria a pena. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;……………………… &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;A missão dos Estados Confederados do Oriente consistia em expandir o alcance da espécie, transportando-a num futuro próximo às colônias lunares que pretendiam fundar. Um objetivo nobre, movido pela necessidade animal de sobrevivência… &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Necessidade que fez da Terra um “criadouro de porcos humanos”, cuja presença superpopulosa transformara o planeta num “chiqueiro”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Em outra época os esforçados orientais poderiam contar com o apoio incondicional do inventor, seu altruísmo exacerbado jamais lhes negaria qualquer ajuda… &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;O caráter filantrópico, humanista, pelo qual se tornara conhecido colocaria o sentimentalismo acima da lógica, cegando-o para o fato de que promovendo o deslocamento da raça humana estaria evidentemente colaborando com o transporte da “praga” para outro local… Quando o certo a fazer seria desenvolver meios de controlar a “infestação”… Impedindo-a de se espalhar feito erva daninha… &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Dedetizando-a, talvez… &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Os bem-intencionados cientistas asiáticos estavam com a cabeça no mundo da Lua, não apenas literalmente – guiados por aquele sentimento de solidariedade pareciam fotos antigas do velho Bobby; ainda eram inocentes e iludidos demais para perceber a inutilidade de todo aquele caríssimo investimento. Eles nem ao menos haviam parado para pensar nos autores do ataque… sobre quais eram suas verdadeiras motivações ao efetuarem disparos contra a valiosa biosfera artificial que lhes servia de abrigo… &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Os legítimos responsáveis pelo atentado, ocupando os mais altos postos nas instituições governamentais, gente da mais elevada hierarquia, estariam entre os primeiros a serem acolhidos pela colônia… A cobra peçonhenta que morderia a mão dos que a amparam seria levada sem qualquer suspeita para aquele ninho… Cederiam gentilmente suas acomodações àquela corja, que em nada diferia do restante da humanidade… &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Quanto a ele, bastava o usufruto da avançada tecnologia posta à sua inteira disposição.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;………………………&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;O grande obstáculo à interação homem/máquina era a construção de um cérebro eletrônico capaz de reagir a estímulos nervosos. Para a causa do progresso científico a superação de tal obstáculo seria sem dúvida um avanço extraordinário, um verdadeiro divisor de águas na área da robótica. Mas não se tratava do objetivo perseguido por Robert, na época em que preferia ser chamado de Bobby. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Todos os envolvidos no projeto de Inteligência Artificial haviam apostado suas fichas em sistemas de aprendizagem por meio de reconhecimento de padrões, sustentados por unidades de processamento conectadas entre si (segundo o modelo estrutural dos neurônios no cérebro humano). Uma vez que outras formas de se chegar à IA* por caminhos diferentes das redes neurais artificiais que operavam através de memória associativa (como eram melhor conhecidas essas técnicas) obtiveram resultados insatisfatórios, Bobby não fazia objeção quanto ao assunto. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Como os demais, só tinha a comemorar pois Frankie, o hardware onde desenvolveu o programa, já havia aprendido o suficiente de xadrez para desafiar a ele e toda a equipe quando ligado a uma fonte externa. Por ora, aquele era todo o conceito de interação homem/máquina que o interessava – independente do que os colegas de pesquisa pudessem estar “aprontando”. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Um convite inusitado, porém, conseguiu a façanha de fazê-lo trocar seus múltiplos afazeres por um ao qual realmente não foi capaz de resistir. Era a oportunidade de firmar uma rara parceria entre a engenharia mecatrônica aeroespacial e a física nuclear. Unindo o melhor de dois mundos, o mais experiente projetista de robôs do planeta e algumas das maiores autoridades em engenharia molecular, a insinuante proposta da nanotecnologia parecia irrecusável. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Quatro décadas de teorização acumulada aguardavam pacientemente a chegada do dia em que artefatos de dimensões microscópicas seriam capazes de manipular estruturas moleculares de modo efetivo, e essa idealização finalmente via a hora de se tornar fato concreto graças ao aperfeiçoamento alcançado pela tecnologia. Desnecessário dizer que Bobby estava tomado de contentamento por poder participar daquela nova revolução, ainda mais naqueles momentos tão decisivos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Não demorou muito e os nano-robôs, engajados na tarefa para a qual foram programados, já demonstravam enorme eficiência na área médica, reparando células disfuncionais a partir de seus blocos de formação básicos; e em menos tempo do que se imaginava, passavam a inserir novos elementos à genética de seres unicelulares. No mesmo ritmo acelerado de trabalho, engendraram a primeira bactéria eletricamente carregada; até que, da fusão da genética com a eletrônica, forjassem microprocessadores eletrônicos biológicos! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Naquele mundo assolado por catástrofes ambientais de todo tipo, onde a superpopulação pagava pelo exagero consumista que a devorava pouco a pouco, nada mais natural do que dar prioridade ao que supostamente representaria a maior preocupação da espécie humana; mas, improvável como pudesse parecer, ainda havia quem discordasse de que a inédita e revolucionária tecnologia deveria ser voltada para a conservação do que restou do meio ambiente. Ser ecologicamente correto, pelo menos para a indústria petrolífera, não era algo economicamente viável.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Quando mencionaram a criação de bens de consumo biodegradáveis, o que incluiria automóveis movidos a energia limpa, todas as grandes companhias de petróleo levantaram a voz em protesto, sugerindo outros possíveis usos para as vastas aplicações da nanotecnologia orgânica. Bobby, com a discrição de monge budista que lhe era peculiar, simplesmente deu as costas para o debate travado entre as partes interessadas – apesar da forte inclinação ambientalista, a defesa da sustentabilidade estaria comprometida se contasse somente com seu empenho político. Antes que as negociações fossem encerradas, incentivando o pleno desenvolvimento das pesquisas ou coibindo esse avanço, uma idéia incrível lhe ocorreu. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;E se substituisse a rede neural artificial de Frankie, formada por microprocessadores eletrônicos de silício (inorgânicos, portanto), por outra nova em folha, feita à base de elementos orgânicos? &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Os nano-robôs já haviam otimizado microprocessadores biodegradáveis em número suficiente para que rede semelhante fosse construída, tudo o que tinha a fazer era pôr a mão na massa. Além disso, circuitos bio-eletrônicos, sendo vivos, guardavam material genético em invólucros celulares, detalhe que o colocava diante de uma perspectiva ainda mais abrangente – e que talvez pudesse alargar o horizonte de seu convívio com Frankie. Em tese, não haveria problema em misturar células nervosas àqueles sistemas neurocomputacionais, já que as células que desenvolveriam não iriam muito além do estágio embrionário; em outras palavras, neurônios seriam perfeitamente capazes de se adaptar a ambientes como aquele, dada a natureza de ambos… Tratamentos com células-tronco, de modo bastante similar, comprovavam a hipótese. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;De repente lá estava o cientista, quase agradecendo a alguma entidade sobrenatural por estar cercado de invenções tão polivalentes; iguais à broca laser de espessura reajustável, controlada roboticamente, que servia tanto para dividir cofres fortes ao meio quanto para realizar incisões cirúrgicas milimetricamente precisas em crânios frágeis feito cascas de ovos – como o dele. E claro, a broca vazada permitia recolher a quantidade necessária do material alcançado, cauterizando automaticamente a região ao sair, deixando seqüela equivalente à picada de mosquito. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Mas a experiência não parava por aí. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Sensores foram acoplados à rede geneticamente alterada, ligando-a ao ansioso cérebro do pesquisador; em resposta Bobby sentiu os pensamentos projetados ao longe, como se seu conteúdo mental houvesse se expandido. Adicionar neurônios àquela teia de circuitos, além de implementá-la com as funções cognitivas intrínsecas a tais células (elevando a fase primária de reconhecimento de padrões à enésima potência), também serviu para maximizar os processos cerebrais do inventor, que receberam o acréscimo de um disco rígido todo especial.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Realização fantástica que, no entanto, ainda permanecia incompleta.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Restava instalá-la em Frankie e em seguida estendê-la a todos os seus quatro membros, a fim de que simulasse os sistemas nervosos central e periférico. Se conseguisse fazer com que os impulsos cerebrais enviados ao autômato fossem convertidos em movimento, tornando controláveis as partes móveis do gigante da mesma forma natural que estava habituado a fazer com as próprias articulações, isso recompensaria o trabalho de duas vidas – iniciado com o falecido William Conroy na distante década de 60, quando jamais imaginou que a experiência dividida com o invento poderia chegar a tal ponto. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Utilizar a energia cerebral como força motriz da enorme máquina também tornaria dispensável (e obsoleta) a série de comandos eletrônicos que a acionavam, bem como os estudos em Inteligência Artificial; no entanto, partida de xadrez alguma se compararia à emoção de dar vida a uma prótese de 6 metros de altura e 4 toneladas de peso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;O legado do professor Conroy enfim galgou os primeiros degraus na escada da evolução biotecnológica, e com o tempo&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt; &lt;/span&gt;quase podia ser confundido com uma criatura viva, graças à agilidade dos movimentos que executava. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Quase. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Para tanto faltava algo que o sensível Bobby não ousaria fazer, mas que o maquiavélico Robert não mediria esforços para conseguir: transferir sua mente consciente para um software que, inserido no cérebro bio-eletrônico emprestado a Frankie, ativasse as conexões neuronais adormecidas, sem mais necessidade de interferência externa. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;*IA (Inteligência Artificial)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Continua… &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-7538488536406680008?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/7538488536406680008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=7538488536406680008' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/7538488536406680008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/7538488536406680008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2011/06/o-que-aconteceria-se-parte-8.html' title='O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 8)'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-6850044577495689861</id><published>2011-05-05T14:26:00.000-07:00</published><updated>2011-05-05T14:29:44.534-07:00</updated><title type='text'>O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 7)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Primeiro foram os militares, depois os integrantes da própria equipe, e então Robert percebeu que não havia mais espaço no mundo para gente como ele. A atitude desonesta dos superiores somada à injustiça perpetrada pelos ex-colegas lhe puseram diante de uma dura verdade: o sensível elefante branco em seu utópico palácio de cristal precisava se adaptar à realidade dos novos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A transição vinha sendo feita gradualmente desde a perda da mãe – o último e frágil elo com a humanidade –, mas como na natureza nada se perde, tudo se transforma, a ausência de Lucy veio reafirmar a lei de Lavoisier, dessa vez no nível psicológico, acelerando o processo pelo qual ocorre. Frankie, do seu jeito inconsciente, também contribuiu com a mudança, sendo o modelo de frieza que sempre foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se tornou protótipo de Inteligência Artificial, a precisão analítica e a objetividade de raciocínio despertaram vivamente a admiração de Robert. Após diversas tentativas frustradas, o êxito finalmente alcançado com a “aquisição de um cérebro extra” - na verdade o outro extremo do programa de Inteligência Artificial, uma espécie de receptáculo eletrônico de seu pensamento instalado em Frankie -, transformou o que antes era a unidade de processamento de informações do autômato no que se poderia chamar de “mente” no sentido biológico do termo, consolidando em definitivo a união de ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casamento revolucionário entre homem e máquina celebrado pela alta tecnologia conduziu a experiência com Frankie ao próximo estágio e elevaria a espécie humana a patamar superior, fazendo do velho Bobby o precursor de uma nova era… mas o velho Bobby fora deixado para trás, assim como o nome verdadeiro recém-adotado… e mesmo a espécie humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora parecesse impossível, estava realmente disposto a abdicar da condição natural para ser apenas e tão-somente (o que para ele significava muito) a consciência naquele corpo robótico, o autêntico “fantasma na máquina”. Contudo, enquanto permanecesse preso àquele “obsoleto trambolho biológico” estaria aquém das possibilidades futuras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele instante a revoada metálica de pássaros formada em sua totalidade pelos meio-irmãos de Frankie já os localizara na superfície rugosa da Lua, iniciando o silencioso confronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O contingente significativo de soldados-robôs enviados contra ambos pertencia à versão anterior, à fase de inteligência artificialmente programada; não fosse a vantagem numérica dos atacantes a vitória teria sido decidida a favor do alvo com relativa facilidade - contrariando todas as estatísticas previstas em confrontos diretos -, o que o fez adiar a vitória realizando manobras evasivas até ter tempo de reconfigurar os comandos de programação dos adversários. Quando se deu o caso muitos deles simplesmente “apagaram”, outro tanto foi subjugado pela destreza do autômato humano e sua artilharia pesada; porém, os que restaram, no rastro da batalha, causaram sérios danos estruturais à base lunar erigida pelos Estados Confederados do Oriente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preciosa edificação asiática de cuja existência acabara de ter conhecimento indicava vizinhos indesejáveis naquele ermo quarteirão onde resolveu se exilar. A bandeira estampada numa das faces intactas da estrutura, vista de relance, ao menos fornecia claras evidências de pertencer a uma ou mais nações estrangeiras em vez de aos “traidores” americanos. Estava livre da ameaça de perseguição em seu novo território, portanto. O único trabalho que teria era o de lidar com os robôs vingativos dos militares que, num aparente momento de trégua, voltavam para casa, abatidos, a despeito de operarem no modo não-tripulado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comitiva organizada pelos orientais como prova de gratidão por Frankie tê-los salvo do inimigo desconhecido o fez ceder à gentileza; para eles representava uma grande oportunidade de entrar em contato com uma tecnologia que apesar de inovadora lhes parecia de certa forma familiar… mas para Robert, o tal “robô” salvador, era forte indício de que continuava demasiadamente humano. Além disso, se quisesse permanecer no controle de Frankie estava mais do que na hora de repor as energias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos momentos que se seguiram, cientistas e técnicos, numa bela amostra da notória educação oriental, lhe proporcionaram generosa acolhida. Robert, que reagira negativamente à descoberta da base, diante de tamanho avanço tecnológico começava a rever sua posição inicial. Mesmo com os danos provocados anteriormente era impossível deixar de reconhecer a grandiosidade daquele habitat - até porque os robôs operários já estavam cuidando da reforma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele oásis de progresso perdido em meio à vastidão desoladora, que se confundia com sua própria vida, não seria difícil tentar um recomeço. Lá, a importância de se ter amigos com quem conversar, partilhar afinidades ou ainda constituir família – condições básicas para uma vida menos vazia, na concepção da senhora Lucy –, enfim parecia fazer sentido. Muito atenciosa e prestativa, a ala feminina, composta por metade dos astronautas presentes, quase conseguia convencê-lo do “real propósito da existência humana”… A personalidade de algumas delas emanava tal grau de fascínio que era quase impossível resistir… As mais interessantes exerciam sobre ele verdadeira atração magnética…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos cinqüenta e poucos anos de idade parecia que o tempo lhe daria uma segunda chance – a falecida senhora Lucy adoraria que fosse assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, e se nada ocorresse conforme o esperado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última experiência dividida com humanos deveria ter lhe ensinado alguma lição sobre como são imprevisíveis essas criaturas, para dizer o mínimo – já que dentre tantas características comprovadamente nocivas essa era só a menos prejudicial. O convívio com o grupo estava fazendo com que voltasse a criar expectativas desnecessárias, aspirações ilusórias que cumpririam o papel de desviá-lo da rota e nada mais. Expectativas que confrontadas com a realidade não resistiriam à mera análise superficial; aspirações que não eram outra coisa senão emoção frívola com nome trocado; fé, numa abordagem diferente da religiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem ele estava tentando enganar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os conselhos de Lucy, inegavelmente carregados de boas intenções, tiveram sua hora e sua vez… mas o cenário ideal que pintavam se reservava a outro tipo de pessoa. Na qualidade de profundo conhecedor de si mesmo, sabia perfeitamente bem que tais pretensões, ainda que cultivasse o desejo secreto de realizá-las, se encontravam além da sua capacidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria melhor esquecer as moças antes de experimentar outra amarga frustração… Dos males, o menor…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que era uma companhia feminina – e as conseqüências previsíveis advindas de se obter essa companhia, todas tão banais – para quem conheceu de perto uma nova dimensão do ser, desfrutando na prática de um novo conceito de existir? Se sequer imaginassem a numerosa gama de possibilidades colocadas ao seu dispor… Mas não, elas não estavam preparadas para a novidade… Sob hipótese alguma abandonariam a carne e o sangue em favor de algo maior…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que continuassem no desfrute de sua animalidade; ele estava farto daquilo… não seria dissuadido do compromisso selado com Frankie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua…&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-6850044577495689861?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/6850044577495689861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=6850044577495689861' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6850044577495689861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6850044577495689861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2011/05/o-que-aconteceria-se-parte-7.html' title='O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 7)'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-1085680095727552435</id><published>2011-04-07T13:26:00.000-07:00</published><updated>2011-04-07T15:22:10.087-07:00</updated><title type='text'>O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 6)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A sofisticada base de operações secretas do governo americano jazia sob toneladas de escombros; bilhões de dólares em equipamentos e invenções transformados em metal retorcido configuravam a montanha de sucata mais cara do mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Robert Conroy desferiu o golpe fatal na debilitada confiança dos compatriotas tirando deles aquele algo que os colocava em igualdade de condições com os "amarelos". Antes de pensarem em voltar o feitiço contra o feiticeiro o revoltado cientista antecipara suas ações. O próximo movimento, porém, escapava da previsão. Como podia saber das versões militares de Frankie estando comprometido com pesquisas e testes de materiais cerca de 24 horas por dia? Sendo o abnegado que era veio a ter conhecimento da existência daqueles genéricos por meio dos companheiros de equipe, os únicos em quem ainda confiava - e que por essa razão haviam sido poupados da sua ira (os soldados não haviam tido a mesma sorte).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Aquela informação, no entanto, traria conseqüências dramáticas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ele até poderia perdoá-los por estarem colaborando  com o inimigo durante todo o tempo - era compreensível, dependiam da cooperação para manter o emprego já que ele se recusaria terminantemente a produzir artefatos bélicos -, mas, independente de serem pressionados pelo departamento de defesa, não cabia a eles deliberarem sobre a produção de uma frota de Frankies sem tê-lo consultado; eles não tinham participação nenhuma no desenvolvimento do projeto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Robert estava profundamente decepcionado com todos, jamais imaginou ser apunhalado pelas costas por aqueles poucos com quem contava... Logo aquele grupo, o selecionado de homens e mulheres que o acompanhava desde a faculdade...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Nada mais seria como antes, disso tinha certeza... Com tanto em jogo não poderia voltar a confiar neles...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O par de visores insensíveis de Frankie permaneceu indiferente à intensidade daquela troca de olhares, a última da qual partilhavam. O adeus veio como que numa violenta transmutação; uma experiência de laboratório a céu aberto onde se observava in loco a transitoriedade dos estados da matéria, com pessoas de carne e osso tornando-se um amontoado de cinzas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Lembranças póstumas... de uma amizade reduzida a carbono.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;De possível herói nacional a traidor declarado da pátria, de amante da paz a inimigo jurado do Estado, de pacifista inofensivo a assassino inescrupuloso, de orgulho dos pais à mancha no nome irrepreensível da família, a carreira do doutor, alicerçada sobre valorosos princípios morais, como num castelo de cartas do qual a fileira da base é retirada, desmoronava em dois atos sucessivos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Desde que se conhecia por gente não lembrava de nada vagamente semelhante àquele acontecimento avassalador; um instante sequer onde a razão cedera um mínimo de espaço que fosse à emoção. Nem na adolescência, com as revoltas típicas motivadas quase sempre por arroubos de emotividade, vivenciara algo remotamente parecido...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Se bem que nunca fora um adolescente dos mais comuns.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sendo o único filho de um casal de intelectuais, tendo herdado de ambos o gene da curiosidade científica, teve seu futuro traçado já de início. Incentivo não lhe faltava quando, a exemplo do pai, por fim se tornou engenheiro aeroespacial - talento ele tinha de sobra. Estava satisfeito com a profissão, tendo seu valor plenamente reconhecido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Era muito bem pago, ocuoava uma cômoda e requintada suíte nas dependências da instalação, visitava a mãe (Lucy) toda vez que a saudade o impelia (e isto se deu até a data de seu falecimento), circulava entre os homens fortes do governo, os colegas de trabalho o viam como fonte máxima de inspiração, emprestava seu nome a inúmeras invenções, recebia com freqüência menção honrosa da academia pela enorme contribuição em seu campo de pesquisas... era verdadeiramente um gênio, só comparável a William Conroy.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O que mais podia adicionar a essa vultosa lista que já não fizesse parte das suas invejáveis realizações?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Como normalmente acontece com as pessoas à frente do seu tempo, Robert estava fadado à quase total incompreensão. Os poucos privilegiados, aptos a assimilar e aplicar algo do seu raciocínio, justamente por essa capacidade haviam tido o mérito de ser erradicados da existência de forma rápida e até certo ponto indolor. Mas a ele restava menos que  as cinzas fumegantes nas quais se tansformaram. Um item importante a ser acrescentado no seu ambicioso rol de vitórias consecutivas seria a aquisição de uma vida pessoal, por exemplo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Lucy eventualmente o advertia quanto a isso. Na realidade, cobrava dele uma posição. Dizia não ser saudável se dedicar a um único aspecto da vida enquanto os outros careciam dessa mesma entrega. A sabedoria estava ao lado dela, sem dúvida. Se tal lição valiosa tivesse sido transmitida na infância pelo pai, em quem muito se espelhava, a história teria sido outra; o conselho certamente seria tomado como verdade incontestável. O pai, porém, vivia ocupado demais para perder tempo com "banalidades" do tipo. Ao negligenciar todos os outros aspectos da vida, voltando-se somente para a questão profissional, foi pouco a pouco moldando seu comportamento ao das máquinas, com as quais se relacionava tão bem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E como não é do feitio das máquinas manter relação umas com as outras, toda a necessidade de interação fora sublimada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A morte da mãe veio a agravar enormemente esse quadro; com a falta dela o vínculo que guardava com a normalidade perdeu-se por completo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os companheiros e companheiras de equipe se permitiam momentos de lazer, dando-se a uma vida social regrada mas decente; a responsabilidade exigida pelo trabalho e a seriedade que sua execução requeria não os atrapalhava em nada. À maneira de Lucy cobravam dele uma participação maior em seu meio mas a resposta era sempre "obrigado pelo convite, pessoal; mais tarde me reuno a vocês...", que era o mesmo que dizer "sinto muito, não posso sair agora".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Toda aquela dimensão pessoal por explorar ignorada, todos aqueles sentimentos por viver represados, prenunciavam a tragédia iminente. A aparente calmaria, ora abalada por frustrações ocasionais ora afetada por altos níveis de estresse (pois o inventor nem sempre tinha a situação sob rédea curta) estava prestes a sair do controle, liberando a tempestade desde há muito mantida em cativeiro. Os ex-colegas, de uma maneira que não podiam ter imaginado, forneceram a justificativa apropriada para a descarga emocional, servindo de válvula de escape.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Robert, como quando terminamos de cumprir alguma necessidade fisiológica, enfim se aliviara da derradeira reserva de emoção que o estava impedindo de estabelecer contato pleno com a natureza peculiar que desenvolveu. Estava livre, afinal, para exercer a lógica fria e o raciocínio desapegado sem precisar ser interrompido por "rompantes inconvenientes de sentimentalismo".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Agora que ele e Frankie estavam mais próximos do que nunca, restava aguardar a chegada dos filhos bastardos; o combate, no entanto, se daria numa campo de batalha condizente com seu atual estado de distanciamento emocional.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Continua... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-1085680095727552435?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/1085680095727552435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=1085680095727552435' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/1085680095727552435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/1085680095727552435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2011/04/o-que-aconteceria-se-parte-6_07.html' title='O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 6)'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-6126549776174234649</id><published>2011-03-01T11:08:00.000-08:00</published><updated>2011-03-01T11:14:44.829-08:00</updated><title type='text'>O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 5)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Frankie estava à espera de quem o pilotasse; um automóvel top de linha recém-saído de fábrica, equipado com as maiores inovações tecnológicas disponíveis no mercado daquele ano de 2027, comparado a ele, pareceria um modelo obsoleto da extinta Volkswagen… &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A “criatura” do professor Conroy acumulava sobre os ombros duas gerações de aperfeiçoamento e sofisticação constantes, as inovações que carregava dentro e fora da estrutura o tornavam uma obra-prima da engenharia mecatrônica, um primor da técnica aeroespacial…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Inovações que certamente não estavam disponíveis para consumo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Não até terem sido parcialmente decodificadas, testadas em diferentes plataformas, reproduzidas e então ofertadas aos militares… pelos homens e mulheres de confiança de Conroy.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;De posse dos senhores da guerra, uma nova série de leais soldados surgia, soldados que detinham em si o poder de fogo de todo um exército. Com tanto poder sob controle a primeira medida tomada pelos militares foi a de organizar outra “Parada do Dia de Ação de Graças”. Dessa vez os orientais iriam notá-los.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Conforme esperado, orientais, acompanhados de insulares, de europeus e de americanos dos dois hemisférios do continente pararam tudo que estavam fazendo para observar aquela demonstração poucas vezes vista… de puro ufanismo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A provocação teve uma resposta à altura, mas não do modo como imaginavam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Onde os orgulhosos estadunidenses assumiam publicamente o caráter de intimidação do espetáculo, deixando claras suas verdadeiras intenções a qualquer idiota do planeta, os honoráveis técnicos e cientistas da banda do oriente preferiam enxergar tudo aquilo como uma grande celebração da engenhosidade humana, como mais um triunfo da moderna civilização.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Possivelmente haviam idiotas entre eles, como há em qualquer área de atuação profissional, mas a idéia de compartilhar daquele “momento histórico” partiu da necessidade de prestar tributo à capacidade de realização humana que, motivada pelo sucesso do pouso na Lua, supunham ter impregnado o espírito norte-americano; assim, para desespero dos “emocionados” ianques, resolveram contribuir com o processo de expansão civilizatório da humanidade lançando seu terceiro foguete tripulado ao espaço.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O satélite natural da Terra, ponto nevrálgico da corrida espacial, novamente receberia visitantes; a bandeira dos Estados Confederados do Oriente, hasteada solenemente na última alunissagem, bem como os robôs operários e os membros da tripulação anterior, teriam nova companhia na base lunar recentemente fundada – que somente aguardava a chegada dos voluntariosos membros da alta patente para inaugurar oficialmente as operações. Dali para a construção da ambiciosa estação espacial, proeza antecedida pela própria base lunar, faltavam poucos passos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Os norte-americanos se ressentiam do fato de terem o programa de exploração do espaço exterior cancelado por falta de verbas, o que de modo algum refletia uma crise ecônomica; a economia andava bem das pernas, devendo muito da saúde à exportação de tecnologia a países estrangeiros, dentre os quais o Japão, a China e a Coréia do Sul.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ironia do destino ou simples contingência do mundo dos negócios à parte, a realidade é que nenhuma dessas questões teve influência em tais decisões financeiras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A razão do cancelamento se deu pela inviabilidade do projeto; de repente não fazia mais sentido aceitar o desafio proposto por um adversário que já não representava ameaça alguma. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas exauriu seus então fartos recursos no esforço de guerra, e sobre os espólios dos derrotados lançou um último lamento às estrelas na pessoa de Yuri Gagarin - o primeiro homem a ver que a paleta de cores naturais da superfície terrestre estava lindamente bem selecionada, dispensando qualquer toque de vermelho, ainda mais pela mão arbitrária da ideologia que fora lá representar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Daquele momento em diante os soviéticos passaram a viver de aparências, não havia por quê continuar pondo lenha na fogueira da Guerra Fria ou disputar o que fosse com um morto-vivo…&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Até que apareceram os asiáticos… E a torcida era para que também estivessem blefando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Dois enormes foguetes desembarcando elevado número de equipamentos e tripulação altamente capacitada provou que não estavam para brincadeira. Esse era o medo dos americanos: de serem passados para trás.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A vantagem estratégica alcançada pelos concorrentes, além da temida superioridade tecnológica e possivelmente bélica, dava a eles uma boa dose da intimidação que pretendiam causar, tornando-os mais dependentes do que nunca de um salvador da pátria. Bobby (como continuava sendo chamado pelos superiores) nem de longe se parecia com o Super-Homem mas era o mais próximo de um defensor das cores da bandeira que podiam conseguir – infelizmente para eles, e por causa deles, “Bobby” já não era assim tão patriótico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;A verba destinada ao aperfeiçoamento do programa espacial, que em seu ápice conduziu Neil Armstrong até à Lua, fora repassada com alguma relutância, tardiamente, a outro projeto. O financiamento requerido por William Conroy nos anos 60 para tirar Frankie do papel, na época vetado pelo conselho administrativo da NASA, acabou sendo liberado após um intervalo de décadas senão para a materialização do sonho do inventor ao menos para a manutenção desse sonho por parte do filho; ideal que fez questão de manter, reverenciando a memória do doutor naquele colosso feito de metal.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Frankie estava à espera de quem o pilotasse, e ninguém melhor do que Robert Conroy poderia fazê-lo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;O engenheiro aeroespacial conhecia os mecanismos segundo os quais operava o autômato como a palma da própria mão, nada o impediria de pôr todo aquele hangar abaixo, se lançando em direção aos céus feito uma águia indômita. Nada, a não ser sua índole pacífica, sua natureza humanitária.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Sabia que ao romper em definitivo com os militares a vida que levava até aquele momento jamais seria a mesma; estava consciente de que se transformaria num pária, isolando-se não só da sociedade mas também auto-exilando-se do território americano; seria caçado, procurado nos quatro cantos da Terra, até ser levado aos tribunais e então sentenciado pelo crime de lesa-pátria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Ao tomar a decisão veria cortados os laços com uma tradição familiar iniciada pelo pai, William Conroy, na qual ficara estabelecida a não-interferência de Frankie nos assuntos do Estado. Mas o que importava? O professor havia morrido há quase cinco décadas, a tradição que “impôs” fora aceita por mero consentimento moral, numa honrosa atitude de respeito, como prova de consideração. Valores sem o mínimo respaldo na ética conveniente dos militares, que fariam o que estivesse ao alcance para assegurar a defesa da soberania nacional, mesmo sob protesto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Frankie pertencia aos Conroy e não às forças armadas mas eles não veriam problema em manipular as leis a fim de arrancá-lo da posse de Robert, um simples subordinado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Se havia uma hora certa para agir, teria de ser aquela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Continua…&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-6126549776174234649?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/6126549776174234649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=6126549776174234649' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6126549776174234649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6126549776174234649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2011/03/o-que-aconteceria-se-parte-5.html' title='O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 5)'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-1458432102051937228</id><published>2011-02-22T13:13:00.000-08:00</published><updated>2011-02-22T13:31:10.069-08:00</updated><title type='text'>O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 4)</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;No “centro nervoso” do encouraçado chamado Frankie o desgostoso Robert Conroy quase se arrependia das suas aptidões científicas. Ciente das responsabilidades trazidas pela profissão, mesmo as análises cuidadosas acerca das implicações dos muitos inventos que assinou, mesmo as tantas medidas preventivas tomadas, ao fim e ao cabo se revelaram insuficientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua mais poderosa arma caíra em poder de pessoas mal-intencionadas – ou ao menos armas bastante semelhantes a ela –, acrescentando novo ingrediente à já saturada taça das inúmeras preocupações humanas: o relógio do juízo final posto em funcionamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conta das obrigações que tinha para com os superiores o armagedom estava novamente às portas, ameaçando acordos de paz arduamente firmados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, por conseguinte, toda a espécie humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os militares vinham acompanhando o progresso dos orientais na área de tecnologia espacial desde as primeiras investidas; o bem-sucedido lançamento do segundo foguete asiático tripulado levou-os a investigar mais de perto as atividades nipônicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparações inevitáveis entre as duas tecnologias, estabelecidas tanto pela imprensa oficial como pelos formadores de opinião independentes, trouxeram desconfiança e temor aos americanos, que pensavam: “O que mais esses amarelos estarão escondendo?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfiança e temor público que, aliados à curiosidade crescente em relação ao poderio rival, os fez abrir a guarda, expondo na vitrine algo dos seus avanços recentes no intuito de que reagissem da mesma forma à demonstração. Esperavam atacá-los no campo psicológico, contando com o presumível complexo de superioridade dos orgulhosos concorrentes para que o plano desse certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo em vão. Nenhuma das tecnologias apresentadas se mostrou capaz de impressioná-los, relegando a estratégia ao fracasso total; do mesmo modo, a armadilha psicológica sequer conseguiu atiçá-los, exteriorizando apenas a atitude mental dos idealizadores do experimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ou os orientais têm cartas melhores na manga ou simplesmente não topam desafios sem ter um bom motivo…” – era o que passava pelos pensamentos dos militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A idéia de infiltrar agentes disfarçados em seu meio, a possibilidade de localizar um cientista mais ambicioso e passível de chantagem (algum traidor que relatasse o andamento do programa em troca de uns dólares a mais na conta bancária - sem mencionar um green card), eram hipóteses tentadoras… Táticas de espionagem industrial datadas do período da Guerra Fria, das quais jamais imaginavam lançar mão outra vez, sugeridas como opção a ser levada a sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os recursos disponíveis (satélites espiões dotados de visão termoscópica; aviões que supostamente nenhum radar localizaria, entre outros) não surtiriam o efeito desejado - o cerne da questão jazia exatamente no cerne daquelas instalações; além do que, invadir o espaço aéreo daqueles países significava declarar guerra a todos eles - afinal bastariam somar dois mais dois para se chegar aos responsáveis (Estados Unidos e Japão eram as duas maiores potências mundiais, cooperando efetivamente em muitos assuntos… mas nenhum que ultrapassasse a esfera terrestre).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as possíveis abordagens acabariam por forçar os laços de amizade até o ponto de ruptura… não havia muito a se fazer, portanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Japoneses, chineses e coreanos do sul trabalhando em conjunto, sob a coordenação dos profissionais da terra do sol nascente, tomaram a dianteira na conquista da Lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À margem dos acontecimentos, Bobby continuava produzindo; completamente absorto em suas descobertas e invenções, como de praxe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebera o comunicado da NASA referente a uma certa Parada do Dia de Ação de Graças solicitando a liberação de parte das inovações técnicas do seu grande acervo para a exposição pública, com o que concordou inteiramente, somente advertindo-os sobre a importância de manter os curiosos afastados. Semanas depois notou a presença de oficiais do alto escalão das forças armadas desfilando pelos corredores da instalação, em visitas que se tornariam constantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranhou o inusitado de o evitarem, requerendo a atenção apenas dos auxiliares (seria proposital? Estaria participando de algum teste?); fora isso, nada de mais – aquela era uma base de operações secretas, nela se realizavam pesquisas buscando novos materiais para o desenvolvimento de aparatos técnicos de vanguarda que mais tarde seriam utilizados pela agência espacial americana. Militares, sobretudo tropas do exército, zelavam diuturnamente por todo o perímetro ao longo do qual se estendia aquele tesouro inestimável, guardado a sete chaves pelo departamento de defesa nacional, que o subsidiava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobby trabalhava com afinco, se dedicando à causa do progresso científico, como gostava de pensar; embora soubesse da faca de dois gumes que tinha nas mãos, era o aspecto positivo dos inventos o principal estímulo da sua produção quase incessante, visão bastante distinta da conservada pelos superiores. No ímpeto de produzir, produzir, deixou de perceber o que para os companheiros de equipe estava claro: serviam desde sempre aos interesses da nação, priorizando a segurança do Estado, sendo assim, todo artefato com potencial para ser utilizado como arma deveria ser revertido a esse propósito, mesmo que à princípio tivesse sido projetado com outra finalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tempos o grosso da produção saída da base, em vez de ser transportado aos campos de prova da NASA, seguia direto para a divisão de testes do departamento, contrariando os ideais pacifistas do filho do dr. Conroy. O sujeito nunca havia se casado mas interpretava como ninguém o papel de marido traído, alienado na condição de “último a saber”. E ao tomar conhecimento dos fatos o horror emergiu das profundezas obscuras feito o Leviatã, fazendo-o perder o referencial que o orientava, o ponto de apoio que o fixava aos valores humanitários herdados da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginar que a mesma curiosidade acerca das coisas que o elevara àquele estado de felicidade infantil pudesse algum dia lhe privar do sentido de uma vida era doloroso demais. No amargar daquela decepção, a inocência do homem chamado Bobby encontrou seu fim, condenando ao mesmo destino a alegria pueril no nome de criança que ostentava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robert Conroy estreava na vida adulta (a despeito da idade cronológica tê-lo situado nesse período muitos verões atrás) com a certeza de ter sido enganado por raposas espertalhonas há pelo menos três décadas, agora a galinha dos ovos de ouro do Tio Sam precisava deixar aquele covil de aproveitadores. Pegaria o que lhe era de direito e abandonaria a farsa, guardando para si a decisão inadiável, irrevogável – revelá-la significaria se entregar de livre e espontânea vontade à corte marcial… E depois, seus dias de ingenuidade haviam acabado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-1458432102051937228?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/1458432102051937228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=1458432102051937228' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/1458432102051937228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/1458432102051937228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2011/02/o-que-aconteceria-se-parte-4.html' title='O QUE ACONTECERIA SE... (PARTE 4)'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-6026117264817040681</id><published>2011-01-26T12:13:00.000-08:00</published><updated>2011-01-26T12:17:51.559-08:00</updated><title type='text'>ÓSCULO ETíLICO COLETIVO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Esperteza nunca foi o forte de Osvaldo. Um belo dia, quando via Carla, a garota que tanto cobiçava, passar na sua frente enquanto dobrava a esquina, prometeu a si mesmo: “Se ela me desse bola, juro que ficaria com ela e com mais ninguém… A Carlinha é tudo que eu quero nessa vida, ô, se é… Se essa menina quiser qualquer coisa comigo – que Deus me ouça - eu faço tudo que ela pedir…”&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Carla nem suspeitava da existência de Osvaldo e o motivo de tamanha indiferença não estava nem no desprezo nem na arrogância, bonita como era podia muito bem se dar ao luxo de ignorar quem quer que fosse já que, de qualquer maneira, interessados não lhe faltavam. Moça de boa índole, os atributos físicos que recebera da genética privilegiada dos pais só não chamavam mais atenção do que sua beleza interna – Osvaldo, se soubesse disso, com certeza se sentiria seguro para tentar uma aproximação, como faziam os mais descarados. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Mulheres bonitas impõem respeito, de um jeito ou de outro; mesmo vestidas em trajes sumários os engraçadinhos pensam duas vezes antes de submetê-las às típicas cantadas ridículas e aos tradicionais (e inúteis) assovios. Com a pretendida de Osvaldo a regra funcionava da mesma forma, o que a levava a infringí-la de vez em quando. Ela se mostrava incomodada com o fato de ver escapar das mãozinhas delicadas a felicidade que tantos relacionamentos em potencial poderiam ter lhe trazido. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;No caso das mulheres como Carla a beleza produz um efeito contrário e indesejável – foram muitos os futuros promissores que ela pôs para correr graças aos seus dotes “ameaçadores”. Era até irônico mas a moça, para desfrutar de momentos afetivos com o par escolhido, se obrigava a dar o primeiro passo e investir na conquista sempre que pensava ter encontrado a “alma gêmea”. Nem é preciso dizer que os alvos caíam vítimas do seu charme como moscas felizes na teia de uma aranha encantadora, mas como o que é bom dura pouco eram descartados logo em seguida. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Não eram bonitos o bastante? Sim, eram. E apenas isso.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Quem a via nas festas, sempre tão deslumbrante e cercada de comentários masculinos, logo a associava com uma autêntica “devoradora de homens”. Natural, a maioria delas (porque as críticas ao comportamento de Carla partiam principalmente delas, as outras garotas) desconhecia a doce pessoa por trás daquela aparência espetacular. Os quase 1,80 m de altura, os longos cabelos negros e os olhos de safira impediam qualquer tentativa de descrevê-la para além do aspecto físico; esse belo arranjo, indiscutivelmente atraente, inspirava inveja nas demais, incluindo as mais bonitas. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Carla, em todo seu esplendor, linda por dentro e por fora, conseguia o impensável para alguém na sua posição: afastar homens e mulheres de diante de si. A beleza representava para ela tanto uma bênção quanto uma maldição. Apesar das poucas amigas, duas ou três para ser mais exato, contava também com o carinho e a compreensão dos pais e dos avós (esses em particular não viam razão nenhuma na constante queixa da neta, diziam a quem quisesse ouvir, inclusive à garota, que ela “chorava de barriga cheia”). &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;O pai e a mãe da moça a tratavam por “princesinha”. Sem se importar com a estatura da filha, a imagem mental que tinham dela era ainda a daquela menininha de três, cinco anos de idade, que não cansavam de mimar. A bela, por algum acaso feliz, à medida que crescia, deixava para trás todo conceito estereotipado formado em torno de quem vive dentro de tais ambientes excessivamente acolhedores. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Ela tinha tudo para ser uma boneca de porcelana cheia de “não me toques” que mediante o primeiro tropeço se estilhaçaria, tinha tudo para ter se tornado aquele tipo de pessoa que ao se deparar com alguma frustração imediatamente entra em crise… Mas não, ela percebeu a armadilha antes de ser tarde demais e numa sábia, porém incomum, decisão resolveu mudar de rota, alterando de forma drástica um destino que já se pronunciava. O glamour das passarelas estava logo ali à sua frente, quem sabe até as câmeras de TV e os estúdios de cinema - sem contar as capas de revista – mas novamente ela soube dizer não. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Ela não servia para aquele tipo de coisa, não se encaixava naquele papel. Popularidade, para aquela moça, só se fosse entre os familiares e amigos, com esses ela podia se sentir “em casa”, de verdade. Embora privilegiados como Carla tenham grandes chances na vida, alcançando status na pirâmide social, e muitos dentre eles logicamente tirem proveito dessa condição para chegar onde querem, existem sempre aqueles que relutam, nadando contra a maré das estatísticas previsíveis. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Enquanto uns procuram a fama, sob pena de deitar em certas camas, por espontaneidade ou não, outros (poucos) preferem meios, assim, digamos, menos “ortodoxos”, como o uso da inteligência. Da simpatia também, mas para outros fins que não o de celebridade. Se Carla era uma garota romântica e se esse romantismo ultrapassava a vida amorosa, indo se espraiar em outros campos, só quem convivia com ela podia atestar; ela, contudo, mantinha firmes os pés no chão e claros os seus propósitos quando o assunto enveredava para o lado profissional: ser mais uma concubina no harém dos sultões televisivos estava fora das suas considerações. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Por ter os pés no chão detestava a atitude daqueles que a endeusavam, pondo-a num pedestal. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;As pessoas pareciam programadas para reagir daquela maneira toda vez que a viam, e ela quase passou a acreditar em teorias conspiratórias por causa disso. Algum admirador secreto, algum fã misterioso talvez estivesse por trás dessa campanha. Não via a hora de acertar as contas com esse cretino. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Em meio a essas circunstâncias veio a conhecer Osvaldo; a amiga de uma amiga fez a ponte, intermediando os dois. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Osvaldo vivia nas rodas de violão, era apaixonado pelo som produzido por aquelas seis cordas, mas não tocava tão bem quanto imaginava. Culpa dos amigos que só o viam empunhar o instrumento quando estavam bêbados, nesse estado davam todo o apoio moral de que precisava para mantê-lo confiante, já que até alcoolizados mostravam habilidades visivelmente maiores que a dele. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Quando sóbrios e na companhia de Osvaldo incentivavam quaisquer outras atividades que não envolvessem sessões de tortura auditiva – a (má) fama o precedia. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Estavam todos reunidos na escadaria da faculdade no dia em que Carla foi apresentada a eles. A eles e à multidão de garrafas que se amontoavam por ali; circulando de mão em mão, de boca em boca, numa grande confraternização enóloga e cervejeira, com direito à troca indireta de fluídos salivares: um etílico ósculo coletivo. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Carla se sentiu bem à vontade, perdeu todas as aulas e repetiu a ausência no próximo encontro. Estava pasma, algo incrível vinha acontecendo. Nenhum deles havia lhe passado cantada alguma! Será porque estava embriagada e elas deixaram de ser percebidas? Assediavam-na desde a mais tenra adolescência, não lhe davam trégua nem na igreja, onde com freqüência perguntavam a ela: “Você caiu do Céu?” – emendando sem pausa o arremate – “Porque parece um anjo!” &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Claro, ela não aguentava mais tanta falta de originalidade, e depois de ter ouvido a mesma lorota por vezes sem conta, antecipava a resposta de bate-pronto: “Caí, bem em cima da sua cabeça, e seu cérebro foi afetado pela queda.” &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Essa era até bem-humorada, aplicada nos idiotas recém chegados; com os “guerreiros”, os insistentes, os impertinentes, usava frases mais singelas: “Vai pra p… que te pariu!, “Vai tomar no seu c…!” &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;E eles então descobriam que aquele ser angelical não era tão angelical assim. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;O novo grupo de amigos parecia diferente; estava se reunindo a eles pela terceira, quarta vez e até o momento nada de gracinhas, sequer uma pequena manifestação de interesse… Nenhum dos rapazes a via como uma deusa, isso a deixava maravilhada, finalmente sabia como se sentiam as pessoas “normais”… &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;O comprometimento com os parceiros lembrava um casamento sem sexo - se porventura houvesse seria livre, com todos participando da relação, homens e mulheres –, tinha preferência pelo bando inteiro, sem exceção…&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Numa das rodas Osvaldo chegou atrasado. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Apresentando um comportamento estranho, tendo bebido somente água (segundo ele), tentava entrar no clima a qualquer custo. Queria agradar Carlinha e não mediu esforços para tanto. Exibindo um bom gosto musical de dar inveja, expôs a todos o maior repertório de canções bregas que já haviam visto, ofendendo sensivelmente os tímpanos dos que lá se encontravam. O álcool amortecera-lhes os sentidos até certo ponto, depois disso a serenata ultrapassou o limite da tolerância e tiveram de convidá-lo gentilmente a se retirar, o que não saiu como esperavam. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Aquele não era o Osvaldo com quem estavam acostumados. Agressivo, vociferava: “A Carlinha é minha, só minha! Não vou dividir ela com mais ninguém!” Agia feito a criança mimada cujo doce fora proibido pelos pais; logo ele, o mais velho da turma. E prosseguia demonstrando essa faceta inédita, dirigindo-se à Carla como se ela não estivesse ali presente… A garota quase podia se perguntar: “De que Carlinha esse cara tá falando? &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;A abrupta, violenta e totalmente inapropriada declaração de amor pegou-os de surpresa, toda aquela situação era absurdamente nova, jamais na história daquele grupo de amigos ocorrera algo semelhante. Se sentindo responsável pelo inconveniente, voltando a experimentar a sensação desagradável de estar acima da realidade partilhada por todo mundo, da qual pensava ter se livrado, a moça achou melhor se afastar, pelo menos até que a poeira baixasse. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:130%;"&gt;Osvaldo, que não era conhecido pela esperteza, perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Talvez a melhor de sua vida. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-6026117264817040681?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/6026117264817040681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=6026117264817040681' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6026117264817040681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6026117264817040681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2011/01/osculo-etilico-coletivo.html' title='ÓSCULO ETíLICO COLETIVO'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-6494820222829361934</id><published>2010-12-01T20:54:00.000-08:00</published><updated>2010-12-01T21:03:04.968-08:00</updated><title type='text'>REFÉM</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Não teria perdido nada se tivesse deixado de aparecer… mas  apareceu. A contragosto, mas apareceu. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;A contragosto? Hmm… talvez essa não seja a palavra. Para tanto  precisaria ter vontade… vontade para ser contrariada. E não tinha. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Como poderia ter? Para que se tenha algo não é necessário ser  alguém? Ser alguém no que se entende por existir?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Não teria perdido nada se tivesse continuado assim… não  existindo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Mas alguns tomaram a decisão fatídica. Duas pessoas… que jamais  se conheceriam não fosse o acaso. Duas malditas pessoas… E entre os tantos que  poderiam estar no seu lugar justamente ele teve que aparecer para ocupar esse  espaço… justamente ele. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Aquilo não foi nada justo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Não tinham o direito de tirá-lo de lá. Daquela nulidade, daquela  neutralidade, daquele… vazio. Aquela lacuna era melhor que qualquer paraíso,  terreno ou utópico. Era melhor que qualquer fortuna, melhor que qualquer  felicidade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Arrancá-lo de lá só para mostrar a ele o que  jamais quis conhecer foi flagrante desrespeito, franco atentado à liberdade.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Teria sido diferente se soubessem que não estava interessado em  saber como eram as coisas fora daquele lugar? Teriam sido tomados de crise de  consciência se pudessem adivinhar como reagiria ao choque? Refrearia o impulso  animal? Retardaria o ato egoísta? Os faria parar para pensar? Ou ainda assim  dariam vazão ao desejo?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;De qualquer forma, o estrago já havia sido feito. Por culpa  deles tinha olhos para ver o que se recusava a enxergar, mãos para alcançar o  que nunca quis tocar, pés para ir quando tudo que queria era ficar. Ele podia  fazer todas essas coisas perfeitamente bem… Mas não estava nem um pouco  satisfeito. Nunca quis nada daquilo. Nenhum daqueles presentes caros. Nenhum  daqueles brinquedos engenhosos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Invejava as estátuas por terem olhos que não enxergavam, mãos  que não tocavam e pés que jamais seriam flagrados em movimentos involuntários. A  Vênus de braços amputados, as esculturas desmembradas da Grécia clássica… queria  ter sido uma delas… queria ter vindo ao mundo como qualquer uma delas… e não  como veio… embalado nesse simulacro de perfeição.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Tinha mais em comum com as estátuas na sua austera existência  petrificada do que com o frenesi daquelas peças de carne humanas, indo e vindo  naquela inconstância tola e sem sentido. Ao ver pela primeira vez a face  hipócrita do mundo o único sentimento que pode demonstrar foi o de antipatia…  antipatia à primeira vista. E como a primeira impressão é a que fica, essa ficou  como marca indelével, gravada na alma… se realmente houvesse uma. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Os interesses dos homens não eram os seus interesses… ele não  era um deles, não se sentia como um. Apesar de estar na pele de um homem a  afinidade com a espécie se limitava à aparência. Se estes acumulavam projetos  para o futuro, só um o mantinha ocupado… havia decidido sabotar o plano dos  genes… e eles que não o distraissem tentando-o com alguma conspiração de  beldades. Isso até era factível visto os olhares das moçoilas, mas as reações  químicas e hormonais envolvidas no processo se revelavam ineficazes contra ele.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Irredutível sobre a montanha de convicção na qual se  estabelecera, os encantos do sexo oposto nem lhe relavam a superfície.  Observando do alto o abismo das vidas humanas preferia se afastar daquele  emaranhado de contradições que não levava a parte alguma. Talvez por essa razão  os deuses tenham optado por se resguardar… eram grandes demais para descer tão  baixo. Deixaram o sentimento maternal para os mamíferos… Que lidassem uns com os  outros do modo como lhes convém… quando lhes convém. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Se convinha a eles, para ele tanto fazia, era tão indiferente a  eles quanto os deuses… e tão indiferente aos deuses quanto era consigo mesmo.  Considerar os deuses e considerar os homens era avaliar o sexo dos anjos… para  quê dar nome aos bois se o cheiro do curral lhe empestava as narinas? Eram todos  farinha do mesmo saco furado, não valiam o que despejavam no vaso sanitário.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Antes de perpetuar a agonia daria o tiro de misericórdia e  pouparia a vida de outro infeliz, libertando-o dela. Estancaria o fluxo  genético, atravancaria a marcha da hereditariedade… por ele, a árvore  genealógica da família perderia o viço e ressecaria… lavava as mão quanto a  isso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Eles o haviam traído antes mesmo de nascer, inserindo-o no seio  de uma humanidade doentia que se orgulhava de espalhar a semente nociva da  posteridade sobre um mundo decadente… Se existia forma de atacar a raiz do  problema, negar aos pais a alegria de terem um neto era a solução. Por estúpida  e infantil que pudesse parecer tal atitude (ou falta dela) numa primeira  análise, no fundo tinha lá seus méritos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Quando não se dispõe de acesso ao arsenal atômico de nenhuma  superpotência, sem o qual se torna impossível apertar o botão do juízo final, o  que se pode fazer é o que está ao alcance. Evitar que outro ser humano visse a  luz do sol era contribuir com o planeta, na medida que pudesse livrá-lo dessa  praga. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;No mais, contava as horas para a próxima era glacial que,  segundo os especialistas, esperava apenas o degelo das calotas para se  manifestar… Aguardava cheio de ansiedade que a natureza retomasse o controle  absoluto da situação, apagando de vez o fogo de palha da permanência humana.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Poderia haver algo mais idiota do que o aparecimento do homem  sobre a face da Terra? Milhões de anos de evolução, até atingir determinado  estágio de consciência, só para descobrir quão transitória e inútil é a sua  passagem. A mesma natureza que permite às espécies um breve vislumbre da  existência, sem qualquer aviso, lhes nega a continuidade, puxando subitamente o  tapete sob seus pés. Súbita e sabiamente, diria mais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;“Oncinha pintada, zebrinha listrada, coelhinho peludo”,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;  homenzinho ‘dono da razão’… que direito têm de reclamar? O jargão policial é  claro nesse sentido: “Vocês têm o direito de permanecer em silêncio pois tudo o  que disserem poderá ser usado contra vocês no tribunal.” Se havia algum direito  de que precindissem era exatamente esse: o de permanecer em silêncio. Jamais se  calavam, nem diante do ridículo de reinvindicar o absurdo da eternidade humana.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;De fato, reclamavam para si esse direito. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Séculos de advogados sobrenaturais intercedendo em favor deles  junto ao tribunal da ilusão e a sentença recebida foi sempre a mesma, como não  poderia ter sido mais óbvia. O espírito provinciano que sempre os manteve  confortavelmente seguros na ignorância deveria assombrá-los mais até que o medo  do desconhecido… mas isso era querer demais. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Enquanto fosse assim, a expectativa em torno do que os aguardava  do outro lado continuaria fomentando subsídios para a imaginação… e somente  isso. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;A dor de ver ruir o bem estabelecido império do imaginário que  ergueram talvez se provasse insuportável… talvez essa fosse a maior frustração  que temessem encarar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Depois de um histórico de expectativas não-correspondidas, a  derradeira frustração, repousando placidamente no lado escuro, estampando a  ironia da falta de propósito de todo o trabalho a que se deram, seja o golpe  fatal no orgulho, pondo-os com todas as suas aspirações no seu devido lugar: na  companhia dos vermes da terra. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Para ele, que não se via como membro da espécie e nem se sentia  como pertencendo a esse mundo, cada minuto a menos aqui era um minuto a mais  dentro da urna funerária, de modo que apressava a volta às origens mantendo a  greve de fome que já se arrastava por quinze tortuosos dias. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Uma eternidade…  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-6494820222829361934?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/6494820222829361934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=6494820222829361934' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6494820222829361934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6494820222829361934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2010/12/refem.html' title='REFÉM'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-6226439127750602970</id><published>2010-11-07T14:52:00.000-08:00</published><updated>2010-11-07T14:58:08.561-08:00</updated><title type='text'>TESTE VOCACIONAL</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Porra! Caralho! Filha da puta! Era tudo que conseguia dizer  quando acordou dentro da poça d´água. Não sabia quanto tempo esteve estirado  naquele beco sujo. Isso realmente não importava. Fato é que estava ensopado. E  nessa sopa, além da água, havia também urina e vômito. Se isso já seria  suficiente para irritar qualquer um, uma dor de cabeça dos infernos fechava a  conta. Conectando todos os breves insights que relampejavam na memória formou o  panorama fragmentado da noite passada. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Os amigos que conheceu e que nunca tinha visto antes deram a ele  uma carona até a cidade vizinha onde Putana Es Tu Madre, a banda de rock mais  falada do momento, iria se apresentar. Estacionaram nos arredores do clube, indo  se juntar a alguns admiradores do grupo reunidos num posto de gasolina bastante  movimentado. Beberam o equivalente à quantidade de combustìvel que abastece os  tanques dos foguetes espaciais e, é claro, entraram em órbita. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Resultado: o show começou, as músicas do set list foram tocadas,  a platéia enlouquecida pediu bis, os músicos voltaram ao palco, executaram as  canções exigidas pelo público, agradeceram a recepção, encerraram o espetáculo e  pegaram a estrada. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Quem acompanhava a carreira do grupo continuou tendo ótimos  motivos para seguí-la, os ouvintes casuais se tornaram novos fãs e todos  acabaram felizes como num conto de fadas. Todos menos aqueles que exageraram na  dosagem de uísque, vinho e cerveja – sem contar os “cigarrinhos ilegais”  acrescentados à mistura. Putana Es Tu Madre para esses, ou melhor, para esse,  somente no cartaz pregado na parede do beco. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Bom, agora não adiantava chorar pelo leite derramado. Mas tudo  bem, aquela nem era sua banda preferida mesmo. Havia coisas mais importantes com  que se preocupar. Roupas limpas e dinheiro, naquela hora, eram prioridade; e uma  estava diretamente ligada à outra - dedução que seu cérebro ainda entorpecido  não teve dificuldade alguma em observar. Para conseguir roupas novas era  necessário dinheiro e para conseguir dinheiro precisava de roupas novas, tudo  muito simples. O problema é que não estava na sua cidade natal, esse pequeno  detalhe fazia toda a diferença. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Os “amigos” da noite anterior haviam evaporado, e com eles seus  nomes, números de telefone, fisionomias… Na verdade não sabia o que havia sido  feito deles. Bêbados como estavam era bem capaz de terem se espatifado contra um  poste ou outra barreira física qualquer; talvez tivesse dado sorte em não ter  embarcado naquele carro… Certo é que conjecturas não o livrariam da situação.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Mijado, vomitado, sem celular, cartão telefônico, nem ninguém  conhecido num raio de 50 quilômetros… ressaca perto disso era brincadeira de  criança. Das duas, uma: ou engolia o orgulho e partia para a mendicância  deliberada ou deixava os princípios de lado e procuraria descaradamente um  varal. Na dúvida escolheu as duas opções, isso depois de lembrar da famosa lei  de Murphy: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;“Nada é tão ruim que não possa piorar.” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Sim, piorar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Um mendigo só é considerado tecnicamente representante dessa  classe quando aceita sem pestanejar sua condição. Ele não estava disposto a  isso, se equilibrava na borda mas não tinha a intenção de chegar ao fundo do  poço. Uns bons goles de uísque, de qualquer rótulo, desde que com graduação  alcoólica ideal, isto é, acima da média, o ajudariam a tomar coragem. O problema  é que não tinha cacife para adquirir a garrafa. Se fosse assim pularia  tranqüilamente essa etapa e sentaria sua bunda num banco de ônibus, voltando  alegre para casa. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Teria de encarar a vida de pedinte, fazer o quê… ? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Perdido naquele lugar estranho pelo menos não seria reconhecido,  se bem que nunca fora do tipo que zela pela reputação. Na sua cidade os balcões  dos bares sempre foram seu habitat natural; os proprietários e atendentes lhe  dando as costas, as longas conversas com as cadeiras vazias, as inúmeras vezes  em que dormiu de rosto colado com as calçadas… Bêbado chato que era estava  preparado psicológicamente para a rejeição. Fisicamente, então, nem se falava;  aquele estado deplorável dizia tudo. Dependendo da sensibilidade do espectador  era um convite à pena ou ao nojo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Sem pensar no que poderia acontecer, deu início ao trabalho.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;2, 3, 5, 10 reais num dia surpreendemente produtivo de  mendicância e algumas roupas furtadas dos varais, enroladas numa bolsa feita de  toalha a tiracolo… Bom demais para ser verdade… Acabou flagrado por uma dona de  casa enxerida que em vez de usar a boca para as fofocas preferiu denunciá-lo à  vizinhança. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Mulher sem coração! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Os policiais o trataram melhor. Tomaram todo o seu rico  dinheirinho emprestado e ainda fizeram a gentileza de lhe aplicar uma ducha  refrescante… com jato d´água. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Além do pernoite numa cela “confortabilíssima” cercado de ótimas  companhias e sem direito à refeição, pois o “hotel”, apesar de acolhedor, não  oferecia serviço de quarto. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;Os compromissos do dia seguinte estavam todos marcados desde  ontem. Cumpriria a agenda e se tivesse sorte arrecadaria dez reais ou mais.  Qualquer quantia pouco acima disso já seria perfeita. Ainda faltaria para cobrir  a passagem mas para uns drinques nem era preciso tanto. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;E como ele estava com sede!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-6226439127750602970?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/6226439127750602970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=6226439127750602970' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6226439127750602970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6226439127750602970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2010/11/teste-vocacional.html' title='TESTE VOCACIONAL'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-7988471888388569056</id><published>2010-10-13T15:39:00.000-07:00</published><updated>2010-10-13T15:42:48.528-07:00</updated><title type='text'>A BALADA DO CADELÃO ROUCO</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;A garota acabava de encerrar uma dança enquanto outra apenas  começava. Tumultuada e sangrenta, a dança das cadeiras e das garrafas voando  encontrava alvos aleatórios entre os clientes desavisados. “Nada pessoal”,  diriam, se além de voar também falassem. Era sempre assim com os freqüentadores  daquele bar: amigos, amigos; desentendimentos à parte. Desentendimentos marcados  por costelas fraturadas e traumatismo craniano, por sinal. E em meio ao mar  vermelho-violência estava ele, aquele Moisés inabalável; o profeta do caos que,  cantando o refrão de “Não diga que não avisei”, despachava o corpo do violão  impiedosamente contra a horda de arruaceiros. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Lamentava muito ter de agir daquela forma, afinal, era o quarto  instrumento posto a perder somente naquela semana. Cada vez que lembrava do  prejuízo que nem a confusão o fazia esquecer se enfurecia ainda mais, queria ter  em mãos algo apropriado - como a espada ou a maça dos cavaleiros medievais, por  exemplo – mas teria que se contentar com o pedestal do microfone e seu kit de  apresentação em vez disso. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Os efeitos eram igualmente devastadores. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Potencializados pela fúria selvagem, revelavam fins  terapêuticos, no fim das contas, servindo de consolo para a frustração que  sentia ao ver a canção inacabada sem esperança de se completar. É bem verdade  que parte da culpa cabia a ele mesmo e por incrível que pudesse parecer estava  conformado com isso. As outras partes ficavam a cargo dos bêbados encrenqueiros  e da falta de seguranças no local. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Aquele ambiente era terra de ninguém, o último resquício dos  saloons de faroeste; lá os desajustados faziam leis para os ajuizados obedecerem  - o problema é que não haviam ajuizados (e se houvessem permaneceriam do lado de  fora, a vários metros de distância). O excedente da penitenciária municipal  batia ponto na casa noturna, os aspirantes a marginais os seguiam e dirigiam-se  todos para aquele terreno baldio onde a sociedade despeja seus restos.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Como músico, o amor à arte tinha seu lugar de honra, obviamente;  no entanto, sua simpatia pelo ofício não se definia por esse termo – amor, para  ele, em qualquer formato que pudesse se manifestar, era coisa de gente  afrescalhada (evitava a todo custo pensar em ser confundido com esse tipo de  pessoa). O desapego dos bens materiais tão comum aos genuínos artistas, porém,  ainda era virtude que não fazia questão de cultivar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;As paredes manchadas de sangue, as portas e divisórias  quebradas, os vidros e espelhos partidos e todos os demais estragos, em  circunstâncias diferentes, seriam motivo de preocupação, mas quem disse que ele  era um empresário típico? Enganava-se quem o via como simples proprietário do  estabelecimento – e por ele tudo bem que estivessem convencidos dessa imagem. Os  negócios escusos e o acordo com a prefeitura (cuja política de segurança pública  se resumia em investir na manutenção constante daquele “centro de lazer”)  garantiam suas reservas de tal maneira que não tinha por quê se desesperar.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Com a rapidez de um passe de mágica o bar estaria de pé  novamente, funcionando a todo vapor, como das tantas outras vezes. E novamente  as moscas se reuniriam em torno do estrume do cavalo do bandido. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Desde os tempos em que liderava rebeliões no presídio as moscas  se juntavam ao seu redor, não foi à toa que em detrimento aos apenados mais  exemplares justamente ele tivesse a pena “revista”.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Para quem se espremia numa cela imunda abarrotada de vermes  mal-cheirosos a liberdade condicional gerenciando a boite era como prestar  serviço comunitário, um verdadeiro “upgrade” na carreira.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Mesmo com todas as regalias o Cadelão Rouco não estava feliz.  Faltava uma última “realização”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span" &gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Finalizaria “Não diga que não avisei” nem que para isso tivesse  que passar por cima de vários cadáveres… de desavisados.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-7988471888388569056?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/7988471888388569056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=7988471888388569056' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/7988471888388569056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/7988471888388569056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2010/10/balada-do-cadelao-rouco.html' title='A BALADA DO CADELÃO ROUCO'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-3427872434261509008</id><published>2010-09-09T00:05:00.000-07:00</published><updated>2010-09-09T00:13:19.870-07:00</updated><title type='text'>O QUE ACONTECERIA SE...? (PARTE 3)</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Da remota aldeia em Panthal, região da Caxemira, conhecida pelas  “pegadas de gigante” que a tornaram célebre, não restava mais nada. Os devotos  da religião que ali ameaçava dar os primeiros passos haviam sido forçados a  abandonar a nova crença. “Alá é o nosso deus!”, alardeavam os invasores  paquistaneses. Aos que ousaram contrariá-los foram apresentadas as balas dos  fuzis e outras formas “brandas” de negociação. Os poucos remanescentes  espalharam-se pelas adjacências, com os mais precavidos misturando-se à densa  população dos vilarejos hindus, onde podiam cultivar a fé em segredo. O líder da  tribo, acompanhado de um grupo de ufólogos zelosos de sua segurança, fora o  único cotado para deixar o local antes da tragédia. Fixara residência em Delhi e  lá se juntara à segunda leva de seguidores do culto que ajudara a disseminar.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Tinham de mantê-lo à salvo, e não era para menos; o pequeno  ancião indiano realmente valia o quanto pesava (e mais, até) – como testemunha  ocular recebera o privilégio de estar frente à frente com autênticos visitantes  de outro mundo, coisa que todo estudioso do fenômeno OVNI daria tudo para  experienciar. Desde Moisés e o Astronauta no monte Sinai, desde a aparição da  espaçonave a Ezequiel, desde Elias arrebatado pela “carruagem de fogo” que não  ouviam falar em contato imediato de tamanho grau. A presença daquele homenzinho  - Ravi Parbat era seu nome – significava muito para a Ufologia. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Através dele as imagens forjadas de discos voadores, os casos mentirosos  de abduções, as notícias fantasiosas de avistamentos… , afinal, obtinham a  redenção. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A participação de Ravi Parbat no episódio do gigante teve força  suficiente para purgar as fraudes, absolver a disciplina e fazê-la voltar a  gozar da credibilidade que não via desde os bons tempos de Roswell. Entre os  mais impressionáveis, é claro. No meio desses, além de promotor da Nova Era  (embora desconhecesse a natureza do evento) também fazia as vezes de guru  espiritual. Diferentemente dos usos e costumes dos companheiros de vocação as  reuniões de Parbat dispensavam o componente milagroso; não ocorriam  materializações ou manifestações sobrenaturais de qualquer tipo, o indiano  contava apenas com o carisma nato e a sinceridade de quem não havia sido  corrompido e nem ao menos tentado pela posição que ocupava. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Os modos de aldeão ingênuo ainda sobressaiam em seu discurso,  que tinha como única preocupação a fidelidade do relato - para tanto, nem o  parco vocabulário servia de empecilho. A riqueza de detalhes com que reproduzia  o acontecimento conseguia resgatar de décadas passadas aquele dia fatídico,  envolvendo os espectadores numa atmosfera de fascìnio exacerbado. Graças à  infinidade de deuses hindus que velavam por sua memória quase fotográfica todos  os que tinham a felicidade de ouví-lo voltavam para casa com a nítida sensação  de terem vivenciado a cena. A escultura de generosas proporções exposta no hall  de entrada do centro de estudos ufológicos - agora transformado em templo -  comprovava essa capacidade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A estátua, de acabamento impecável, construída sob a orientação  do próprio, jamais substituiria a maior de todas as provas da existência do  “deus desconhecido”, o registro dos pés do gigante destruído pelos muçulmanos  paquistaneses, mas satisfazia de forma grandiosa a condição de “monumento  histórico”, rendendo homenagem digna àquele momento singular. Para o inglês John  Anderton II, mantenedor da organização, estar diante da obra remetia-o às  priscas eras, os áureos tempos em que as poderosas vimanas descritas no  Mahabharata infestavam os céus, conduzindo os visitantes das estrelas aonde quer  que a vontade os levasse, como pretendem nossas ainda primitivas aeronaves  comerciais e militares. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Quem dera tivesse nascido naquela época…&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Trocaria o learjet particular da família pelo orgulho de pilotar  a espaçonave lendária, nem que fosse somente até o Aeroporto de Heathrow, em  Londres, numa viagem sem retorno… E John Anderton Senior certamente partilharia  da mesma idéia. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Fora ele o responsável por apresentar ao deslumbrado observador  da estátua o universo misterioso dos OVNIs. O futuro herdeiro da fortuna dos  Anderton lembrava com clareza do dia em que o pai, voltando de uma conferência  em Harvard sobre tecnologia espacial, após abraçar a esposa e beijá-lo com  carinho, se pôs a falar, entusiasmado, a respeito do tema. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Johnny recém havia entrado na adolescência mas a mente  imaginativa da criança que deixara de ser prontamente ressurgia, despertada por  vívidas contemplações de satélites artificiais, astronaves gigantescas,  cosmonautas no vácuo sideral, formas de vida alienígenas, robôs inteligentes…  Com esses últimos, em especial, ocupando boa parte do diálogo (ou seria  monólogo? Pois Johnny e a senhora Anderton faziam apenas ouvi-lo, curiosos). Um  certo engenheiro da NASA dava todas as garantias de que dentro em breve robôs  seriam realidade palpável. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;O professor, chamado Conrad… Não…  Conroy… Isso… William Conroy, palestrante na conferência, afirmava com toda  convicção que essas máquinas já haviam saído da prancheta e estavam sendo  desenvolvidas… E que ele, inclusive, chefiava o projeto. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Por falar nisso, em que pé estaria esse projeto? Por que há  quarenta e tantos anos desde a realização da conferência não se falava mais do  assunto? Por onde andava William Conroy? O que a NASA escondia? Conforme seu pai  lhe dissera, os robôs seriam indispensáveis aos astronautas nas missões de  exploração pelo espaço, fosse comandando a espaçonave enquanto a tripulação  estivesse sob os efeitos da animação suspensa, fosse coletando material para  estudo após a aterrissagem em solo marciano (que, se sabe, é a única paisagem em  todo o sistema solar que se assemelha à da superfície terrestre). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Em Marte ocorrem violentas tempestades de areia… De fato, as  condições de temperatura por lá não são nada agradáveis… Máquinas de grande  porte, revestidas de blindagem especial, que pudessem transportar os  exploradores, protegendo-os dos rigores do planeta vermelho, teriam grande  utilidade. Sem contar máquinas controladas à distância, que evitassem expor os  cosmonautas a riscos desnecessários… Adaptadas a todas as funções exigidas,  acionadas comodamente de dentro das sondas, ou de alguma estação orbital, ou  mesmo daqui, da Terra… Colhendo amostras, analisando microorganismos, efetuando  o mapeamento do solo, fazendo a leitura do clima… &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;E por que não robôs operários? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Lançando as  fundações da primeira base científica interplanetária (a primeira de muitas),  preparando o terreno para a chegada dos colonos terráqueos… As aplicações seriam  as mais diversas… Robôs seriam de enorme importância para o programa espacial…  Por que haveriam de abortar o projeto, se é que abortaram? O mais intrigante é  que olhando para a escultura conseguia enxergá-los perfeitamente. Se lhe fosse  atribuida a tarefa de desenhar algo do tipo, a forma idealizada seria aquela à  sua frente… Colossal, titânica! Não conseguiria pensar em nenhuma outra. E  depois, não foi Ravi Parbat quem mencionou uma espécie de compartimento  localizado à altura do peito do extraterrestre? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Realmente estava ali o encaixe, onde disse que estava… Seria o  gigante, na verdade, algum tipo de máquina alienígena? Um robô, mais  especificamente? Isso explicaria o porquê de o “deus” fazer aparecer um ser  semelhante, porém menor, toda vez que punha a mão no peito… Ele poderia estar  simplesmente retirando o piloto da cabine de comando… Afora o “turbante”, os  “olhos” e a vestimenta reluzente do segundo “deus” que, sem sombra de dúvida,  coincidem com o capacete, o visor e o traje completo, enfim, dos pilotos dos  caças supersônicos… &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Mas por que a tecnologia alienígena se pareceria tanto assim com  a que a NASA estaria desenvolvendo? Haveria troca de informações entre a agência  e os ETs? Correram boatos sobre um suposto encontro dos astronautas americanos  com uma raça de seres inteligentes, os quais utilizam a Lua como posto de  observação, se “todo boato tem um fundo de verdade”, como dizem por aí, então a  NASA estaria encobrindo os fatos. Uma organização governamental como aquela, que  sobrevive graças ao dinheiro dos contribuintes, não deveria sequer cogitar a  possibilidade de enganar a população… Seria uma atitude desonesta, condenável…  Criminosa… &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Verdade seja dita: a administração da agência, por mais  pragmática que fosse, jamais investiria tempo e dinheiro na produção de máquinas  tão sofisticadas se não soubesse de antemão dos resultados positivos desse  empreendimento, sobretudo levando-se em consideração o período econômico por que  passava o país… Ainda afetado pelos gastos imensos com a Segunda Guerra Mundial.  Esse tipo de logística, presume-se, não combina com a mentalidade de uma  organização que preza pelo equilíbrio e pela seriedade… E eles estavam seguros a  ponto de promoverem palestras! Ora, isso só faz sentido se se pensar na hipótese  de uma intervenção alienígena sobre o programa espacial norte-americano…  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Na certa, procuravam trabalhar a percepção pública, preparando-a  para aceitar passivamente os avanços científicos e tecnológicos, que nada mais  eram (e são) do que conceitos e produtos de origem extraterrena… A conquista da  Lua, toda aquela conversa de “um pequeno passo para o homem, um grande passo  para a humanidade” não passou de pretexto para acobertar a atividade dos aliens…  Eles estão mancomunados, só pode ser isso… E a única maneira de desmascará-los é  descobrindo o paradeiro de William Conroy… &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Imbuído desses pensamentos, John Anderton II soube, através de  uma breve consulta à Rede, que o doutor sucumbira vítima de câncer pulmonar na  data de 12 de outubro de 1978 em Pasadena, na Califórnia, estado onde morava…  Mas nem isso o convenceu do contrário. Conroy – acreditava ele - deveria ser  parte importante da conspiração entre a NASA e os alienígenas, portanto, a  conclusão óbvia era de que haviam forjado sua morte antes que alguém mais sagaz  o interpelasse a respeito do assunto, aliviando-o do desconforto de ter de  recorrer a eventuais evasivas. Precisava encontrá-lo, e para isso teria de  atravessar o Atlântico. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Uma das sucursais americanas da Sirius Research Center, o centro  de estudos ufológicos de Anderton, situada em Los Angeles, meca dos esotéricos  de todo o estado da Califórnia, passava a funcionar em caráter excepcional após  a chegada do inglês. Numa reunião marcada com o conselho representativo do grupo  foram transmitidas as devidas informações e nomeados os agentes que se  encarregariam da busca por Conroy. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Cruzando dados na Internet, todas as pistas levavam a Pasadena,  logo, teriam de se deslocar para aquela cidade. Dois endereços eram peça-chave  na investigação: a residência de Lucy Conroy, viúva do cientista, e o  Laboratório de Propulsão a Jato, instituto no qual o doutor trabalhara. Havia  também um terceiro elemento, de quem não poderiam descuidar: Bobby, o filho do  casal. Como tivessem falhadas as inúmeras tentativas de invadir os computadores  da NASA, o meio mais rápido de se chegar ao objeto de seu interesse, e isso  durante semanas a fio, acharam por bem concentrar esforços no restante da  família. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A vigilância em torno da senhora Lucy, à princípio, não revelava  nada de extraordinário; bióloga até antes da aposentadoria, os afazeres  domésticos aos quais se dedicava desde então, salvo visitas ocasionais de  ex-colegas de disciplina, tornavam seus dias desinteressantes como os da parcela  majoritária dos da sua idade (a terceira) - de qualquer maneira ficariam à  espreita. A rotina do filho talvez fosse menos maçante. Tudo o que sabiam era  que trabalhava para o governo federal, sobre a função que desempenhava não  faziam a mínima idéia. Os arquivos da universidade davam conta de que Bobby se  destacava nas ciências exatas, tendo sido graduado com louvor em engenharia  mecatrônica.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Do período compreendido entre a formatura e o cargo atual,  entretanto, não encontraram vestígio algum, era como se tal sujeito tivesse  deixado de existir durante esse tempo… Sequer podiam suspeitar, por exemplo, de  que estivesse por trás da construção das INAVEs, sigla de INdividual Air  VEhicle, literalmente veículos aéreos individuais, baseados na “mochila voadora”  que utilizara na Índia (quando de sua breve passagem por aquele país), tampouco  imaginavam o contrato especial com as forças armadas que essa invenção lhe  valera, nem supunham que por meio desse contrato recebera o aval dos militares  para reativar a antiga instalação do doutor Conroy onde, juntamente com sua  equipe, se embrenhara em projetos ultra-sigilosos. Aos ufólogos restava esperar  que aparecesse naquele local para uma visita – e de preferência com alguma bela  surpresa. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Num dia ensolarado, típico do verão californiano, Bobby surgiu;  os inconfundíveis óculos de grau o identificavam facilmente, era o mesmo rapaz  das fotos universitárias com uns anos de acréscimo emprestados à aparência.  Espiões profissionais implantariam escutas telefônicas, instalariam  microcâmeras, empregariam métodos sutis de investigação, enfim, na residência da  idosa Lucy, mas aqueles não eram agentes secretos da CIA ou do FBI; os  operativos da Sirius Research Center tinham a seu favor apenas a paciência e a  vontade de chegar ao fundo da questão. No que dependia de Bobby teriam muito que  esperar e, já que não tinham alternativa, o fizeram até o dia seguinte.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;O caminho rumo a área montanhosa e desolada de Angeles Natural  Forest finalmente os reanimaria. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Para a sorte daqueles agentes o reforço dos companheiros  incumbidos do Laboratório de Propulsão a Jato não se fazia necessário pois se  tivessem de contar com eles sofreriam certa decepção, por algum motivo  desconhecido haviam abandonado o posto. Teriam desertado? Bem, isso era o de  menos; adiante deles estava o homem que os ajudaria a resolver a charada  proposta por William Conroy, a NASA e os ETs – perdê-lo de vista, sim, seria  voltar à estaca zero. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A dupla de ufólogos acompanhava-o a uma distância prudente  quando o viu entrar em território restrito. O aviso de “Não ultrapasse!  Propriedade do Exército Americano” junto ao extenso alambrado só servia para  aumentar a curiosidade de ambos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; Apesar de ter sido o mais  longe que puderam chegar até aquele momento, o acesso proibido, somado à  escuridão noturna, à mata fechada e à luminosidade precária do local (fornecida  pela escassez dos postes de eletricidade)sugeriam que mudassem de planos e  retornassem em dia claro. John Anderton II, ao ler o próximo relatório, teria de  se contentar com o pouco que haviam descoberto, ou seja, praticamente nada.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Mas nem tudo estava perdido… &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Avistados pelos tripulantes das INAVEs que faziam a inspeção de  rotina, os ocupantes do automóvel suspeito ainda tiveram a chance de observar,  por um segundo, os estranhos vultos  que os atingiram.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;------------------------&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="left"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;O cenário era de delirante ficção científica: objetos  voadores não identificados circulavam livres em meio ao que pareciam ser  monitores flutuantes, superfícies metálicas polidas projetavam painéis  eletrônicos repletos de hieróglifos indecifráveis, luzes intermitentes  alternavam cores suaves e intensas numa freqüência perturbadora, vozes como que  saídas de alto-falantes reverberavam (em inglês?) através da paisagem futurista  e, como se não bastasse, formas de vida robótica desfilavam artificiais pelo  amplo espaço do saguão tecnológico, acompanhadas de perto por… Inacreditáveis  figuras humanóides… !  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Não, não podiam estar sonhando… Não era possível que  um mesmo sonho ocupasse dois cérebros ao mesmo tempo… Nem se fossem gêmeos  siameses, idênticos… &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Nenhum estado alterado da mente produziria ilusão tão  rica… Aquilo não era, não podia ser, mera alucinação… &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="left"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Tudo aquilo era alienígena, por mais familiar que  pudesse ser… I&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;ncontestavelmente alienígena!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;----------------------&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;John Anderton dera pela falta de dois de seus homens, e como não  os encontrasse de jeito nenhum receou que pudessem ter sido descobertos. Se era  realmente o caso toda a operação teria sido comprometida, logo, a NASA e os ETs  bateriam à sua porta! Foi então que, temendo pela própria segurança, decidiu  voltar para a Índia. Fugira às pressas não pela reação dos ETs, seus amigos  incondicionais, mas pela “provável retaliação da NASA”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A agência espacial, por sua vez, tinha seus próprios métodos de  lidar com gente como Anderton, os investigadores “abduzidos” os haviam  experimentado. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Tanto é que lá estavam, no deserto de Mojave, na Califórnia,  perambulando sobre a vasta aridez daquele “planeta distante”.           &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-3427872434261509008?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/3427872434261509008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=3427872434261509008' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/3427872434261509008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/3427872434261509008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2010/09/o-que-aconteceria-se-parte-3_09.html' title='O QUE ACONTECERIA SE...? (PARTE 3)'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-2498374866370617482</id><published>2010-08-03T13:36:00.001-07:00</published><updated>2010-08-03T13:47:14.585-07:00</updated><title type='text'>PADECENDO NO PARAÍSO</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Não faz isso, rapaz! Deus não gosta, seu mal-criado!” – quem  passava na rua tinha a ligeira impressão de estar tomando uma  advertência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Apelar para conceitos de certo e de errado, recorrer a noções de  culpa e arrependimento eram estratégias ineficazes que pouco significavam para  João. Cobrar regras abstratas de uma criança de quatro anos de idade só poderia  resultar em indiferença… E mais travessuras. Dona Nelma não se agradava das  traquinagens. A avó do menino, uma senhora de 68 anos, debilitada pelo problema  de coluna que a inferniva há décadas estava coberta de razão. Tomar conta de  crianças quando se tem disposição para tal é uma coisa, quando o estado físico e  psicológico simplesmente se recusa a colaborar com o bom desempenho da tarefa é  que são elas. João, sem a menor consciência disso, como se dominasse a técnica  do teletransporte, transportava a bagunça de minuto a minuto para um canto e  outro da casa. E tome inúteis “pára com isso, guri! Deus vai te castigar se não  parar com a baderna!” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Religiosa como ela só, rogava aos Céus para que as férias  acabassem logo. Dona Nelma pedindo a Jesus, Maria e José a volta urgente das  aulas na escolinha no seu corner do ringue e as professoras empenhadas numa  corrente oposta, remando contra a maré. O tempo daria o seu veredícto na hora  que achasse necessário. Os pais do garoto aproveitavam o ensejo para renovar os  votos de casamento – e o faziam bem distante dali, longe da “distração” que a  mera presença do menininho pudesse provocar (e sem dúvida provocaria). Tendo na  bagagem quatro filhos, todos nascidos da união com o sr. Gervásio, mineiro  aposentado, dona Nelma havia muito se cansara da tríade esposa, mãe e dona de  casa; queria somente conviver com o famigerado bico de papagaio em paz. Acumular  a função de avó - inevitável quando se é a matriarca da família - e rever com  isso os dias de maternidade – o bônus extra - era tudo de que não precisava  nessa fase da vida. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Sossego? Sempre que a atividade incessante do neto atingia o  momento de pico pensava no valor dessa palavra, agora quase uma vaga lembrança.  Havia aceitado a “missão” por conta do comportamento-modelo da filha – ótima  aluna, profissional exemplar, mãe dedicada – , o orgulho da prole, algo raro de  se ver hoje em dia. Os outros três filhos, todos homens, apesar do esforço, lhe  fugiram ao controle, se perdendo em alguma parte do processo educacional –  nenhum deles abraçou a profissão de cabeleireiro mas cada um à sua maneira deu o  seu melhor para transformar a paisagem capilar da distinta senhora num vasto  campo de fios brancos. Da última vez que tivera notícias da segunda geração dos  Apolinário elas não eram muito promissoras; estavam seguindo o caminho dos pais,  naturalmente. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A filha, essa sim, valia a pena; por ela se dispunha a abdicar  da tranqüilidade. Não é que não gostasse da criança, até gostava; a filha,  porém, tinha lugar especial no seu coração. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A nova lua-de-mel era uma idéia que vinha amadurecendo ao longo  dos anos; Cláudia, o xodó de dona Nelma, e o genro Maurício (que segundo ela  nunca reuniu as qualidades necessárias para se casar com a garota, mas vá lá)  estavam merecendo um tempo só para os dois. O trabalho e as responsabilidades  para com o bebê, sobrecarregando a rotina do casal, ameaçavam os laços sagrados  do matrimônio - sabendo dos sentimentos de Cláudia por Maurício e visando a  felicidade da moça era lógico que não podia permitir que isso acontecesse. O  período de férias no jardim de infância ajudou a consolidar a viagem de núpcias.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Eram nobres as intenções daquela mulher, sem dúvida… e talvez  por não ter medido as conseqüências; se pudesse voltar atrás certamente trataria  de conter a maldita impetuosidade juvenil que a levara àquele beco-sem-saída. A  ânsia de querer ajudar, o amor de mãe fora de propósito, a saúde frágil  submetida ao risco… todos esses fatores, impossíveis de se ignorar, conspirando  entre si, denunciavam em flashback a imaturidade nos atos da sexagenária. João,  absorto em sua atividade costumeira, apenas praticava o “sadismo” trivial e  inocente. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Dona Nelma dera sua palavra de que honraria o compromisso até a  chegada do casal e do alto de seu rígido código de ética nem a falta de  paciência nem a debilidade física iriam demovê-la desse pensamento. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Pela filha, as obrigações para com o pequeno seriam respeitadas - não  obstante o aviso sobre acioná-la imediatamente no telefone caso a situação  apertasse.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Cláudia absorvera tais princípios e fazia questão de ostentá-los  publicamente. Nesse aspecto ambas se entendiam como ninguém, Maurício bem sabia.  E sabia também que a esposa era perfeitamente capaz de trocar a lua-de-mel por  uma simples solicitação da mãe. Se sentia na pele do sogro, o sr. Gervásio, com  quem havia aprendido o bastante sobre a personalidade das mulheres da família,  portanto já nem se queixava das decisões de última hora que porventura a  companheira viesse a tomar. O casamento de fachada só se mantinha de pé por pura  formalidade religiosa, contribuição de dona Nelma e seus conselhos  insistentes. A aparência de solidez em nada tinha a ver com a idéia de  felicidade transmitida a cada final de novela. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Para a idosa os problemas entre eles estariam resolvidos assim  que voltassem, Deus atenderia suas preces - a menos que Ele, que tudo  vê, tivesse acompanhado de perto o tratamento que a devota senhora dispensara ao  pequeno João. A matriarca dos Apolinário devia sua confiança ao bom trabalho que  fizera com Cláudia; considerava-o, de longe, sua obra-prima, e mesmo sua  passagem por essa Terra só fazia sentido por tê-lo realizado. Se pecara em algum  detalhe era em ter deixado a filha se casar com Maurício, aquele verme. E como o  castigo vem a galope, João não tardou em aparecer para confirmar seus piores  temores. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;É a vida…&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-2498374866370617482?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/2498374866370617482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=2498374866370617482' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/2498374866370617482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/2498374866370617482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2010/08/nao-faz-isso-rapaz-deus-nao-gosta-seu.html' title='PADECENDO NO PARAÍSO'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-1938887042136128926</id><published>2010-07-08T08:00:00.000-07:00</published><updated>2010-07-08T08:02:59.982-07:00</updated><title type='text'>MONDRONGO</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Há alguns anos atrás um cara conheceu uma garota. Quando menos  esperava. Na verdade isso acontece todo dia, em todos os lugares, desde que  existem caras e garotas. Dispostos a se conhecer. O que não chega a ser notícia  que mereça a primeira página – exceto quando o tema em questão envolve  celebridades. Quando se é uma celebridade alguns fatos corriqueiros da vida  diária ganham importância acima do normal, quando se é uma celebridade, veja  bem. Tipos ‘normais’, ordinários, medíocres (como eu e você), recebem tratamento  diferenciado. Muito aquém do tratamento concedido às celebridades, todos  sabemos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Celebridades à parte, voltemos ao fio da meada: há alguns anos  atrás um cara conheceu uma garota quando menos esperava, fato marcante na vida  de quem nunca dedicou um segundo do seu tempo a essa arte. Não cultivar o hábito  de conhecer alguém do sexo oposto e mesmo assim receber esse presente do  destino, da sorte, do acaso ou da providência divina sem mais nem porquê era  algo para se pensar, sobretudo quando o espelho insistia em lhe negar essa  esperança. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A ausência de beleza física, evidente desde a primeira fase da  vida, o havia sentenciado à solidão pelas fases seguintes, e naquele dia  em particular não havia nada de especial em sua aparência que o fizesse crer que  saindo de casa para rever os amigos as coisas seriam diferentes. Seria mais  plausível acreditar em gnomos e fadas do que numa garota caridosa que lhe  demonstrasse simpatia - deixou de depositar a fé em milagres quando soube numa  decepcionante aula de química que água e óleo eram misturas heterogêneas e  portanto jamais, em momento algum, se fundiriam. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Mas, naquele dia em particular, o destino, a sorte, o acaso e a  providência divina resolveram lhe sorrir, e numa decisão conjunta concordaram em  lhe dar um presente. Soprando no ouvido do rapaz a idéia de saudade dos amigos  fizeram-no esquecer por um instante da dupla inseparável mãos e  joystick, mostrando-lhe que há casos em que duas pernas são tão ou mais  importantes que dez dedos, principalmente no trajeto que levava até a praça. O  espelho estava com ele onde quer que os passos o levassem, lembrando-o  constantemente da sua superfície refletora e de quão cruel era sua imagem nela  refletida; nas vezes em que parecia estar ficando para trás, uma vitrine ou  outra, honesta e bem intencionada, fazia questão de mantê-lo ciente disso.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Ok, sejamos justos, nem tudo era espinho no jardim de flores  murchas desse garoto; no colegial, alguns ótimos exemplares do gênero feminino  chegaram ao ponto de abordá-lo, perguntaram-no se gostaria de saber quem havia  sido numa vida passada e ele, surpreso com a abordagem mais até do que com a  pergunta, respondeu gaguejando que sim, que gostaria muito de saber a resposta.  “Está bem!” – disseram elas. “A resposta é: Quasímodo, o corcunda de Notre  Dame!” Ao que ele respondeu, tentando manter o diálogo (apesar da humilhação):  “É o meu personagem favorito da literatura…” As meninas se esbaldaram de tanto  rir e o pobre, tão sem graça como se pode ser, só conseguiu pensar em ir para  bem longe daquele lugar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;De qualquer maneira lá ia ele, muito depois do ocorrido,  desafiando a si mesmo, certo de que na eventualidade de um assalto à mão armada  efetuado por ‘bad girls’ estaria seguro, não teria com que se preocupar: sua  presença, funcionando como repelente natural, o protegeria do infortúnio. Com  tudo isso pesando na balança ainda havia aqueles com quem podia contar, e eram  poucos, obviamente. Pessoas simpáticas, rapazes de meia-idade que costumavam  chamá-lo carinhosamente de “Mondrongo”. Apenas dois dos quatro caras sabiam do  que estavam falando quando o apelidaram assim, os outros simplesmente achavam o  nome “legal”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“E aí, Mondrongo! Beleza?” – o rapaz, depois de tanto tempo, já  nem se importava com a alcunha (poderia ser pior se todos soubessem do que se  tratava). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Beleza? Aqui? Fala sério!” – apontava para si enquanto  respondia ao cumprimento. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Então, Mondrongo, comeu alguém nesse tempo que ficou sem  aparecer por aqui?” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Se eu comi alguém? Comi várias… na minha imaginação. Mas por  que tu quer saber? Tá se sentindo ‘traída’?” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Qual é, maluco!? Tá me tirando? Aqui não tem boi, não… muito  menos boiola, tá ligado?” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Podicrê, Eustáquio, fica frio.” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Porra! Eustáquio não, né, mané! Me respeita.” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Mas esse não é seu nome de batismo?” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Bah, até é mas não espalha. Geral me conhece como Taco, então é  Taco, pô!” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;O restante do grupo tomou partido da conversa logo que ouviu  aquela palavra ‘estranha’. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Como é que é? Eustáquio, malandro? Putz! Nome feio da porra!”  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Hahahahahaha!” – todos riram, inclusive Mondrongo num raro  momento de satisfação. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Hahahahahahaha!” – e riram novamente, dessa vez de Mondrongo.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Aí, galera! Vamo na Matilde´s hoje à noite? – convidou Lubeta,  um dos mais empolgados da turma. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Hoje tem Matilde´s?” – Galego, curioso, se manifestou.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Se tem! Tem toda noite, véio! Num tá sabendo? – Neguinho  respondeu entusiasmado. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Caralho! Vamo todo mundo, porra!” – Zé fez a convocação. “É  isso aí, rapaziada! Vamo mesmo, lá tá cheio de vagabunda gostosa!” – incentivou  Betão, assíduo freqüentador do bordel. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Vamo nessa, né, Mondrongo?” – Eustáquio refez o convite, e  acrescentou: “É a tua chance de perder esse cabaço aí, mermão! Se tu tá sem  grana, não dá nada, na seqüência a gente acerta aí. É nóis, meu cumpádi!”  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Mondrongo não sabia o que dizer mas Taco realmente estava com a  razão; nenhuma garota decente bateria na sua porta prestando favores sexuais, a  não ser por um decreto federal que garantisse o direito à perda da virgindade de  toda a massa de necessitados da nação – isso se ainda houvesse uma ‘massa de  necessitados’ na nação. Ele provavelmente pertencia a um seleto grupo de  desprivilegiados, uma minoria que além de desprezada era também desprezível.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;O número de pessoas que destoava do padrão de beleza vigente  continuava significativo, disso não restava dúvida, porém havia cosméticos,  cirurgiões plásticos e feios com dinheiro o bastante, aptos a usufruir  plenamente desses atenuantes da feiúra. Aliás, qualquer boa quantidade de  dinheiro que se preze constitui a si mesma de atenuante da feiúra, com o poder  de dar a quem a possui a capacidade de se regenerar perante a sociedade, e  tornar o indivíduo objeto de desejo, alvo de disputa, pivô da discórdia, até.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Mondrongo, por sua vez, não detinha posses, não contava com  nenhuma gorda conta bancária, não era querido, não era desejado, não era nada…  bem, na verdade era alguma coisa, sim… que gostaria muito de não ser: era uma  figura abjeta. O que alguém como ele tinha a perder se havia nascido com o  estígma irreparável da perda, sob o sígno implacável da derrota? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“E aí, Mondrongo, tamo junto?” – Taco o situou na realidade  imediata. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Tá, beleza, tamo junto.” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Então a gente se esbarra aqui às 11 hrs, valeu?” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Falô, até às 11, Eustáquio, ops, Taco. Té mais, galera!”  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Falô, irmão!” – responderam em côro. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Na ida para casa, a sorte, o destino, o acaso e a providência  divina acabavam de preparar o terreno, pondo no caminho do rapaz uma personagem  inusitada. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Tem fogo?” – perguntou ela. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Hã? Não, eu não fumo, moça.” – surpreendido pelo contato.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Tem certeza que não fuma? Tens todo o jeito de quem fuma, de  quem cheira, de quem bebe etc, tudo ao mesmo tempo… Isso não é da minha conta  mas…” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“É, isso não é da tua conta, cuida da tua vida!” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Eu, hein… cara doido…” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Aquela potencial incursão no universo feminino terminara ali.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;8:30, 9:15, 10:48… 11:00 hrs. Praça da Matriz. Encontro com os  amigos. Destino: Matilde´s Boite (ao menos era esse o combinado). Onde estavam  Eustáquio, Lubeta, Galego, Neguinho, Zé e Betão quando se precisava deles? Nem  sinal dos caras… haviam desaparecido sem deixar vestígios… ou sequer dado o ar  da graça. E agora, Mondrongo… o que fazer? Voltar para casa e jogar vídeo game?  Assistir o velho blockbuster de sempre? As opções eram escassas, tediosas,  modorrentas ao extremo. Bom, ainda havia a Matilde´s… e o receio de ir até lá  sozinho. Em que buraco de rato estariam enfurnados aqueles imprestáveis?  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Nisso a garota intrometida de horas atrás aparece, do nada.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“E aí, cara, tem cigarro?” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Bah, cigarro!? Já te disse que eu não fumo, guria. Esqueceu?”  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Não, não esqueci… foi mal, é a força do hábito.” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“E que péssimo hábito, hein?” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“É, concordo… mas fazer o quê, né… não é de hoje…” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Humpf! Tsc, tsc…” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Qual é, maluco, parece minha mãe… Aposto que tu num tá fazendo  ‘coisa boa’ numa hora dessas aqui na Praça…” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Por que tu tá dizendo isso? Quê que tem de errado em tá aqui  nessa hora?” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Pô, véio, tu num mora na cidade? Num tá ligado que quem fica na  Praça nessa hora é só vagabundo, traficante, maconheiro e puta?” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Mais ou menos… Tô esperando uns cara amigo meu que são  vagabundo, traficante e maconheiro… Mas e tu, tá aqui fazendo o quê?”  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Bom, eu trampo na Matilde´s, conhece? Tô aqui fazendo hora.”  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“A gente tava pra ir lá na Matilde´s…” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Cês iam lá, é?” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“É, mas ninguém apareceu…” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“É que eles me pagaram pra te encontrar aqui.” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;E, num certo bordel, Eustáquio, Lubeta, Galego, Neguinho, Zé e  Betão comemoravam; sem saber que por trás de tudo o destino, a sorte, o acaso e  a providência divina faziam o mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-1938887042136128926?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/1938887042136128926/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=1938887042136128926' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/1938887042136128926'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/1938887042136128926'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2010/07/mondrongo.html' title='MONDRONGO'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-1248999926655432520</id><published>2010-06-04T05:37:00.000-07:00</published><updated>2010-06-04T05:52:47.565-07:00</updated><title type='text'>O QUE ACONTECERIA SE...? (PARTE 2)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Um novo culto religioso toma as ruas de Delhi, capital da Índia.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Um pequeno povoado hindu situado na região norte do país chamou a atenção da equipe de arqueólogos indo-européia chefiada pela doutora Karen Miller. O que seria apenas mais um relato indigno de crédito ganhou reforço pela evidência de marcas profundas no solo que parecem lembrar, e muito, o alto-relevo no solado das botas militares. O interessante é que essas pegadas têm cerca de 2,20 metros de comprimento, 1,50 metro de largura e 15 centímetros de profundidade! Como se não bastasse, todas elas têm registro recente, estimado em não mais que algumas décadas. A doutora afirma que ‘a ausência de solo vulcânico na região descarta a possibilidade de estarem lá desde tempos remotos, o que levantaria a hipótese de pegadas de dinossauro adulteradas.’ Karen declara ainda que ‘a probabilidade de terem sido forjadas entrará em questão na sondagem do sítio.’ Enquanto isso o número de seguidores do culto formado em torno da suposta aparição física da divindade responsável pelas pegadas só aumenta, ganhando adeptos inclusive entre os apologistas da ufologia. Segundo eles essa é a resposta dos aliens a todos aqueles que ridicularizaram os sinais nos campos de trigo e outros fenômenos relacionados.&lt;br /&gt;Veja a seguir: NASA nega alegações de que estaria mantendo contato com extraterrestres habitando a lua.”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Bobby deu outro gole na cerveja, passou a mão no controle remoto e desligou a TV pensando seriamente nas desastrosas implicações daquele distante pouso na Índia. O falecido doutor Conroy, notório por suas contribuições na área científica, ficaria chocado em saber do desserviço provocado por aquela estadia não-programada. Anos de trabalho em prol da ciência, promovendo palestras em universidades importantes e publicando estudos conclusivos em revistas sérias, varridos para debaixo do tapete por conta de um passo mal dado. Papai Conroy estaria se revirando no túmulo e Bobby involuntariamente adotaria a mesma atitude mental caso não tomasse o próximo vôo para aquele país e visse com os próprios olhos a comoção gerada pela única aparição pública do polêmico invento do professor.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Era período de férias e o campus estava vazio, exceto pela permanência de alguns poucos estudantes residentes; não havia compromissos a serem cancelados, nada mais providencial; restava somente entrar em contato com a mãe e pô-la a par da primeira viagem transcontinental que faria.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Bobby: Mãe, estou indo para a Índia!&lt;br /&gt;Lucy Conroy: Índia? Como assim, Índia? O que você vai fazer lá?&lt;br /&gt;Bobby: Resolver assuntos pendentes.&lt;br /&gt;Lucy C.: Desde quando você tem assuntos para resolver na Índia?&lt;br /&gt;Bobby: Desde que papai esteve lá.&lt;br /&gt;Lucy C.: Não estou entendendo nada. Quer explicar melhor, por favor?&lt;br /&gt;Bobby: Agora não, mãe. Estou no aeroporto e estão anunciando o embarque. Deseje-me boa sorte!&lt;br /&gt;Lucy C.: Hmm, essa história está muito mal contada… mas se é assim, então, boa sorte, Bobby. Tome cuidado, meu filho.&lt;br /&gt;Bobby: Está bem, mãe. Fique tranqüila. Até a volta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No avião o terceiro membro da família Conroy repassava os acontecimentos que tiveram início no aniversário de vinte anos da morte do doutor: ele havia visitado o antigo complexo de pesquisas abandonado onde o pai revezava a construção de Frankie com o trabalho de engenheiro aeroespacial que exercia na NASA. Havia reencontrado o velho amigo isolado na câmara empoeirada escondida naquelas instalações e pensou em apresentá-lo a outros companheiros que não fossem traças e aranhas. Estava certo de que era o melhor a fazer a fim de manter acesa a memória do professor mas mudou de idéia ao recapitular os eventos de maior impacto em sua vida.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O doutor bancara com os próprios recursos o projeto rejeitado pela NASA só para ter de vê-lo encaixotado pouco tempo depois. O espírito pseudocientífico e esotérico da época não lhe favorecia, decididamente. Apesar das benesses tecnológicas desfrutadas pela sociedade, possibilitadas pela capacidade mental dos cientistas, a crença em seres imaginários e em teorias sem fundamento algum, alimentadas sobretudo pelos meios de comunicação, o levaram a abandonar os planos de fazer de Frankie o novo herói do país. Estaria perpetuando a ignorância caso fizesse isso, dando-lhes mais um mito a quem se apoiar. Era irônico e perturbador na mesma medida constatar que as invenções eletro-eletrônicas adquiridas pela população estivessem embotando seu pensamento em vez de expandí-lo, faltava pouco para retornarem ao estágio de aldeões crédulos e supersticiosos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;As lembranças se juntavam aos sonhos e a lenda de Garuda era revisitada enquanto a suave aterrissagem simulava a graça da ave mítica. O Aeroporto Internacional Indira Gandhi, em Delhi, dava as boas-vindas ao rapaz.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Próxima parada: cidade de Jammu.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;617 km separavam o local onde o universitário americano pousara do ponto aonde deveria chegar e de lá até o destino final, na região de Caxemira. Depois de horas acoplado a um assento de avião a visita a Jammu teria de ficar para mais tarde; Bobby queria e precisava (muito) desabar sobre uma cama decente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Cansaço, porém, não era problema para Karen Miller. A jovem acadêmica inglesa coordenava até um mês atrás pesquisas de campo realizadas em território palestino quando a notícia acerca das misteriosas pegadas lhe chegou aos ouvidos. A arqueóloga, que mal conseguia disfarçar a sensação de desconforto e insegurança provocada pelo eterno clima de tensão envolvendo árabes e judeus naquela região pouco amistosa do Oriente Médio, duvidou da autorização concedida a ela pelas instâncias superiores da Universidade de Oxford para, com sua equipe, se deslocar até o novo sítio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Karen agradecia em silêncio a mudança de rumo que, assim pensava, não poderia ter vindo em ocasião melhor. Pena a localidade para a qual acabara de ser enviada ter de decepcioná-la. A expressão “da frigideira para o fogo” cabia perfeitamente à situação. A aldeia perdida naquela extremidade de Jammu era tão ou mais “pacífica” que a Faixa de Gaza. No meio do fogo cruzado entre hindus e paquistaneses a doutora tentava se concentrar na sua atividade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sorte a dela ter olhos tão bem treinados que, antes mesmo da aplicação do método de datação de achados fósseis, já a permitissem tirar conclusões precisas quanto aos vestígios arqueológicos logo na primeira análise: fósseis costumam ter milhares, por vezes milhões de anos de idade, as camadas geológicas nas quais freqüentemente são encontrados registram o momento no tempo ao qual pertencem, os vestígios dos pés do gigante impressos na camada mais superficial do solo pareciam pegadas na areia fofa, quando muito, servindo apenas para legitimar a inautenticidade da descoberta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mas se tecnicamente deixavam de se enquadrar na categoria dos achados fósseis, também seria injusto classificá-los como meras falsificações grosseiras, afinal, estariam falsificando o quê? Além disso quem seria capaz de se sujeitar ao rídiculo de forjar provas - tão facilmente refutáveis – que confirmassem a existência de um “deus de botas”? Ficava a dúvida sobre até onde iria o limite permitido pela disputa religiosa e territorial protagonizada por seguidores da fé hindu e muçulmana. Uma coisa era certa, qualquer que fosse o motivo ou a técnica utilizada na elaboração daquele trabalho, o resultado alcançado era admirável, reconhecia a doutora; e não só isso, arriscava comparar a obra com as intrigantes linhas no deserto de Nasca, no Peru.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Após uma reconfortante passagem pelo reino da inconsciência, Bobby acordava revigorado; tinha uma longa viagem pela frente. O percurso de Delhi a Jammu levaria em torno de 10 horas para ser coberto, tempo que ele não estava disposto a perder. As estranhas peças metálicas na mochila, que por muito pouco não ficaram retidas no setor de segurança do Indira Gandhi, haveriam de mostrar serviço. Encaixadas cada uma em seu devido lugar montavam um tipo de transporte aéreo leve e de fácil manejo, ajustado às costas e controlado manualmente. A engenhoca provara ser capaz de vencer enormes distâncias com um suprimento mínimo de energia, baterias elétricas garantiam sua funcionalidade. Então… para o alto e avante!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Grande demais para ser um pássaro, pequeno demais para um avião, assim se dividiam as opiniões abaixo; Bobby, por sua vez, impulsionado por pequenos retro-foguetes, cortando o vento à média altura, tinha a atenção toda voltada para o que viria a seguir. 600 e tantos quilômetros e 3 horas e meia depois a aterrissagem nos arredores da nova sensação de Caxemira, a aldeia em Panthal, era cautelosa; teria de ser se quisesse evitar outro incidente. Com o capacete, os óculos, o macacão e a incrível máquina voadora cuidadosamente guardados numa caverna próxima, trajando indistintas roupas civis, o visitante se passaria por turista imprudente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O lado bom de se morar num povoado beirando a casa dos 700 habitantes (e tendendo a aumentar graças aos novos adeptos do culto) é que todos se conhecem bem, sem contar o fato de que a figura de maior influência na comunidade geralmente é o líder e que todos os caminhos, incluindo informações colhidas a respeito dos “passos de um certo deus”, invariavelmente levem a ele, a autoridade máxima na matéria. No recinto incensado onde habitava o devotado hindu o curioso Conroy pôde acompanhar cada detalhe da história (no idioma original do aldeão, no qual não era versado, e na tradução simultânea para o inglês feita por um ufólogo britânico ali presente):&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“numa noite escura e fria quando todos descansavam sob as bênçãos de Ganesha, um estrondo poderoso ecoou lá fora. A voz do deus sem nome chamava a tribo a se juntar a ele. Temendo desagradá-lo, silenciamos e seguimos em procissão ao encontro do grande rei, ouvindo detrás das rochas as palavras de sua língua divina. Os passos da majestade retumbavam como tambores, deixando marcas no solo sagrado, e a música celestial cessou apenas no instante em que o deus se assentou. Pensamos que era chegado o momento de reverenciá-lo mas enquanto nos ajoelhávamos ele colocou a mão no peito e fez aparecer diante de nós um outro deus.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Corremos para trás das rochas implorando seu perdão, achando que não quisesse ser perturbado. O outro deus era menor, tinha o nosso tamanho; suas vestes, seus olhos e seu turbante brilhavam toda vez que ia de um lado para outro. O deus todo-poderoso, antes de iniciar seu repouso, voltou a segurar o pequeno deus e fê-lo desaparecer em seu peito novamente. Olhei para o povo, o povo olhou para mim e, maravilhados, começamos a adorar a majestade divina.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O dia amanheceu e o senhor, então, despertou; nos refugiamos nas pedras por temermos a grandiosidade do deus que acabava de se pôr de pé. Ele invocou o pequeno deus mais uma vez e vimos que suas vestes ainda brilhavam mas sua cabeça se parecia com a nossa, tinha olhos, nariz e boca como nós. O pequeno deus ainda operou outros milagres com seus instrumentos mágicos e num gesto que não compreendíamos levantava e empurrava os que dentre nós queriam adorá-lo. O grande rei fez o menor desaparecer em seu peito pela última vez e com um estrondo terrível anunciou sua partida, duas grandes tochas se acenderam em suas costas e ele subiu aos céus de Indra”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Era essa a impressão que o cientista e seu invento haviam causado aos nativos; o respeito e a admiração na narrativa do líder religioso a evidenciavam, eram genuínos; o jovem não se atreveria a contar-lhe a verdade, nessas alturas de nada adiantaria. O falecido professor, sem o saber, havia criado um monstro. E mais: o monstro ameaçava matar os infiéis que estavam profanando o local da “epifania”. Bobby lembrou da equipe de arqueólogos que vira na TV e percebeu que precisava avisá-los… com urgência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Prever ações inofensivas que misteriosamente geravam reações emocionais intensas (e o pior, extremamente violentas) se tornara disciplina obrigatória no currículo da doutora Karen, como o rapaz pôde confirmar verificando o acampamento abandonado, as ferramentas pelo chão e os equipamentos fora de lugar, dando a entender uma saída às pressas. Os rastros de pneu ao longo do caminho rumo à caverna atestavam o fato -- um problema a menos com que se preocupar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O filho do doutor Conroy detestava ter de admitir mas no fundo sabia que não estava em seu poder determinar o futuro daquela região da Caxemira. Semelhante ao doutor, os sofridos habitantes daquela zona de conflito teriam de aprender a lidar com as conseqüências de suas escolhas. Eles, que representavam o último foco de religião hindu em uma área dominada por muçulmanos paquistaneses, tinham os dias contados. Vendo nisso uma espécie de justiça poética, Bobby largou os religiosos à própria sorte, desfrutando da liberdade proporcionada por aquele desencargo de consciência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A dívida para com seu pai havia sido paga.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-1248999926655432520?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/1248999926655432520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=1248999926655432520' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/1248999926655432520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/1248999926655432520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2010/06/o-que-aconteceria-se-parte-2.html' title='O QUE ACONTECERIA SE...? (PARTE 2)'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-7891746565714529296</id><published>2010-05-23T13:37:00.000-07:00</published><updated>2010-05-23T13:40:18.721-07:00</updated><title type='text'>O QUE ACONTECERIA SE...?</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Bobby Conroy ergueu horizontalmente o punho fechado em direção à  parede revestida de chapas de metal que tinha à sua frente, apertou sem  hesitação a tecla “abrir” no relógio que havia acabado de consertar e uma enorme  porta se elevou em meio a rangidos de desaprovação até desaparecer próxima ao  teto de cinco metros de altura. O misterioso retângulo negro em seu lugar aos  poucos revelava o que há muito aguardava ser redescoberto. Se as memórias de  infância&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; não estivessem lhe pregando uma peça o sistema de  iluminação seria acionado naquele momento. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Faça-se a luz!” – pensou Bobby, torcendo para que a rede  elétrica estivesse em ordem. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;E a luz se fez. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Sob a espessa camada de poeira que lhe servia de cobertor, lá  estava ele. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Quanto tempo, hein, Frankie?” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Mesmo depois de crescido a figura inerte que tinha diante de si  ainda o impressionava. Costumava pensar nele como seu brinquedo especial,  brinquedo que comparado a todos os outros misturados à bagunça do quarto era de  longe o que mais lhe agradava mas que sob hipótese alguma poderia ser  compartilhado com os coleguinhas. O fato de parecer ter vida própria explicava  muito; o mesmo com relação ao tamanho, pouco convencional para um brinquedo  típico de criança.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A quase indistinguível montanha de metal sobre aquela imensa  plataforma inclinada dificilmente resistiria ao peso de mais duas décadas de  esquecimento. Estava na hora de retirar o pó dos ombros de Frankie, a outrora  fantástica criação do genial professor Conroy. Embora a aparência enganasse,  dado o estado de conservação em que se encontrava, o legado do doutor teria  maior serventia fora daquele mausoléu. Bobby estava absolutamente certo de que  essa seria a vontade de seu falecido pai.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;O cenário entregue ao abandono, que anteriormente abrigava o  sofisticado laboratório do cientista, reavivava lembranças.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Não estava nos planos do doutor suspender a pesquisa, não depois  de ter apostado todas as fichas naquele projeto de carreira. A frieza reptiliana  transmitida pelo conselho dirigente do programa espacial norte americano,  expressa em decisão irrevogável, redefiniria a história. Anos de devotado  compromisso davam suporte à firme convicção de que não seriam aquelas palavras (  “… um empreendimento demasiado ambicioso e de elevadíssimo custo para a atual  conjuntura…”) as responsáveis por fazê-lo desistir do intento. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Apesar de estar ciente da quantia verdadeiramente exorbitante  envolvida na construção da “máquina”, um novo conceito, adaptado a funções menos  exigentes, e o melhor, menos dispendiosas que as originais (que à princípio  cumpririam explorar planetas alienígenas, coletar amostras de solo e estudar in  loco os padrões e efeitos do clima em futuras missões tripuladas), haveria de  servir como solução de continuidade. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Trabalhando durante a semana na agência aeroespacial e aos  sábados, domingos e feriados em seu laboratório particular o cientista era  praticamente escravo do dever. Cinco anos de exaustivo esforço compensaram-no  com a criação literal de algo que até então só existia na efervescente  imaginação dos autores de ficção científica. De um desses autores, lido e relido  com o maior prazer no colegial, surgiu a inspiração para batizar Frankie –  talvez o nome carinhoso pelo qual a escritora Mary Shelley se referisse à  criatura do doutor Frankenstein. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Questão de meses separaram a fase de testes dos avistamentos  públicos, que não foram poucos. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Naquele tempo a curiosidade do mundo tinha olhos e ouvidos  atentos ao misterioso fenômeno OVNI; a grade televisiva cedia lugar a debates  acalorados sobre o tema bem como a tudo que pudesse estar relacionado direta ou  indiretamente a ele. Vieram à baila assuntos como a provável localização do  continente perdido de Atlântida, a existência do Pé-Grande, a ameaça do  Triângulo das Bermudas, as várias aparições de Maria, a revelação dos três  segredos de Fátima, a legitimidade do Santo Sudário, a descoberta da Arca de  Noé, as fotografias do Monstro do Lago Ness e, como não poderia deixar de ser, a  captura dos ETs acidentados no Caso Roswell seguida do suposto acobertamento dos  “fatos” por parte das autoridades. As manchetes dos jornais atravessavam dias  férteis, pululavam exageros sensacionalistas e dia após dia novas teorias da  conspiracão eram formuladas por redatores sem a mínima responsabilidade  profissional. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Frankie estava prestes a entrar para essa galeria da fama.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Certa feita, fugindo de caças americanos que monitoravam o  espaço aéreo, o professor e seu poderoso autômato voador aterrissaram numa  região montanhosa do continente asiático. Naquele país estrangeiro a qual  pertencia aquela área a dupla obviamente não esperava ser recebida com honras de  chefe de estado, antes de tudo procuravam evitar qualquer tipo de exposição;  porém, cansado da viagem como estava (ainda que a tivesse realizado em tempo  recorde), com o sono falando mais alto, o senso de auto-preservação naturalmente  caía sob o peso das pálpebras do inventor. A conseqüência disso? Ao abrir os  olhos na manhã seguinte uma legião de adoradores se prostrava aos seus pés como  se em reverência aos deuses -- os moradores da pequena aldeia situada a algumas  centenas de metros do local da aterrissagem, acordados pela ruidosa manobra.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Quando Conroy percebeu, ele e Frankie passavam de turistas  acidentais a objetos de culto… e de culto fervoroso. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Por mais que se mostrasse contrário a essas práticas e tentasse  impedí-las de serem levadas a sério a presença impactante do homem-robô por si  só fazia despertar os sentimentos religiosos mais profundos daquela gente  crédula. O doutor, desde sempre divulgador do conhecimento científico em todas  as oportunidades que surgiam, não pôde deixar de reparar na ironia da situação:  de um lado Frankie, a última palavra em tecnologia de ponta, prova cabal do que  de mais extraordinário a inteligência humana pode realizar e do outro lado  aquele grupo de aldeões supersticiosos venerando o “ente sobrenatural” que em  melhores circunstâncias seriam perfeitamente capazes de reproduzir (ou no mínimo  entender). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Sem demora levantaram vôo em busca dos ares menos desalentadores  da terra natal. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Menos desalentadores em termos pois os noticiários não estavam  de acordo com o que ele imaginava. Por ser casado com uma bióloga e não ter  amigos fora do meio científico, além de morar afastado do perímetro urbano, o  professor vivia em estado de reclusão, alheio ao comportamento da sociedade  observado àqueles dias. As últimas novidades estabeleciam paralelos alarmantes  entre a ignorância vivida na aldeia hindu visitada recentemente e a cultura  local. Para sua surpresa uma parcela considerável da população não acreditava na  ida do homem à lua. Conroy lamentava a falta de lucidez daquela geração que  mesmo tendo presenciado a conquista magna da espécie dava as costas para aquele  grande passo da humanidade, abraçando em vez disso hipóteses infundadas.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Ele, que estava entusiasmado, ansioso para presentear os  contemporâneos com mais uma fabulosa realização tecnológica, pensaria duas vezes  antes de fazê-lo. As chances de confundirem Frankie com uma ameaça  extraterrestre ou com um artefato bélico enviado por alguma nação inimiga eram  realmente grandes, maiores do que o bom senso permitia. Tudo bem que o tomassem  por alguma máquina de destruição estrangeira, a época era propícia para isso,  mas daí a vê-lo como invasor alienígena… absurdo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Pessoas como ele haviam proporcionado avanços significativos à  civilização somente para receber indiferença em troca… longe do professor querer  o reconhecimento público e efêmero dos artistas de cinema, jamais trabalhara em  função disso… se sentia decepcionado, no entanto, em saber que os produtos da  mente inventiva dele e de seus colegas sequer despertassem a curiosidade natural  dos cidadãos que deles usufruíam. Nesse sentido tinham muito a ver com os  atrasados aldeões, isolados do mundo moderno; para os tais não havia alternativa  senão nutrir o espírito de fantasias esdrúxulas… pensando melhor, a posição  desfavorável em que estavam localizados no mapa geográfico até lhes trazia  vantagem em relação aos mais civilizados… a ignorância deles ao menos tinha  razão de ser, se justificava pela dificuldade de acesso aos programas de  educação. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Mudava o país, o povo, o modo de vida mas a predisposição para a  fábula permanecia intocada. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Frankie procedia da mesma fonte que qualquer aparelho de  televisão ou foguete espacial: o exercício contínuo da massa encefálica; à  televisão e ao foguete, entretanto, faltavam o carisma dos personagens das Mil e  Uma Noites e suas peripécias atraentes. Já a “máquina” do professor Conroy  mantinha esse apelo, cairía facilmente no gosto popular; ainda que estivessem  plenos de consciência do cérebro por trás da criação isso não os impediria de  tratá-la como a um deus entre os homens. Eles ansiavam por ídolos… quer se  dissessem atlantes, celestiais, marcianos, quer se mostrassem terríveis,  monstruosos, beligerantes… tanto fazia… contanto que estes guardassem para si  seus segredos, conservando a tão cativante aura de mistério que os envolvesse.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;O conhecimento era até bem-vindo… enquanto pudesse lhes trazer  conforto e bem-estar; contudo a compreensão da realidade que tivesse para lhes  oferecer além daquilo era inteiramente dispensável. Truques com fumaça e  espelhos obtinham prioridade. Quem quereria saber como o rádio funcionava quando  a reconfortante mensagem religiosa do padre fulano estivesse sendo passada  graças ao “ligar/desligar” de um dispositivo mágico chamado botão? Na linha  desse raciocínio, quem se importaria se Frankie fosse apresentado como sendo de  propriedade intelectual do doutor Conroy se conforme suas concepções errôneas  parecesse ter saído de um dos discos voadores apreendidos em  Roswell? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Negar a eles o prazeroso direito à ilusão, privando-os da  sensação tranqüilizadora do auto-engano só os faria maldizê-lo, execrá-lo…  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Eles haviam feito suas escolhas, o professor faria a dele… sob  pena de amargar em frustração pelo resto dos seus dias. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Bobby compreendeu a atitude do pai, abandonou a câmara secreta  onde o amigo repousava em silêncio, pressionou a tecla “fechar” presente no  relógio de múltiplas funções e repetindo as palavras uma vez proferidas pela  alta cúpula da agência espacial entregou-as ao vazio das instalações feito  flores deixadas sobre um túmulo.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“… um empreendimento demasiado ambicioso e de elevadíssimo custo  para a atual conjuntura…”            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-7891746565714529296?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/7891746565714529296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=7891746565714529296' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/7891746565714529296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/7891746565714529296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2010/05/o-que-aconteceria-se.html' title='O QUE ACONTECERIA SE...?'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-2118448266952772524</id><published>2010-04-22T23:14:00.000-07:00</published><updated>2010-04-22T23:27:02.181-07:00</updated><title type='text'>DANTE´S RESORT</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O&lt;span style="font-size:130%;"&gt; quarto tinha paredes brancas, um interruptor e uma lâmpada fluorescente também branca presa ao teto. O contato com o mundo exterior era mantido por debaixo da porta, a única passagem para fora daquele exíguo espaço de quatro faces. Páginas de jornais recentes se espalhavam pelo chão misturadas a latas de refrigerante quase vazias e farelos de biscoito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pedro havia aceitado o desafio e estava só, como estipulado pelo contrato. Um milhão e meio de reais era quantia mais do que suficiente para fazê-lo tomar a iniciativa. Seguro de si, não se intimidaria em frente às câmeras, além disso já estivera em situações piores sem ganhar sequer centavo em troca – o próprio local onde morava representava perigo constante – , portanto não via motivo para não encarar a experiência.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quando soube que estavam abertas as inscrições para aquele reality show de curta duração tratou logo de se informar melhor a respeito; já o primeiro contato com o documento lhe trouxe grata surpresa. Para quem esperava gastar um longo tempo destrinchando linha por linha de cada item e parágrafo por parágrafo de cada regra, a ausência quase total de termos no contrato constituía flagrante desperdício de celulose.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;No papel praticamente em branco uma sentença isolada declarava de forma sucinta e objetiva:&lt;br /&gt;Este é um teste de paciência, se você a tem e consegue exercitá-la até o horário previsto para o término do programa (48 horas a partir da entrada no aposento), R$ 1. 500. 000 (um milhão e quinhentos mil reais) serão depositados em sua conta bancária como prêmio. Boa sorte.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Uma semana depois, na data marcada para o início da prova, realizada a bateria de exames físicos e psicológicos, adentra finalmente a câmara. Antes mesmo da consulta com o psicólogo, Pedro estava ciente de que pavor a lugares fechados não era problema que o incomodasse. Aos dezoito anos havia ingressado na carreira militar e como é de praxe na função de soldado raso foi submetido a toda sorte de provações. Aliás, ter superado com louvor tantos reveses é assunto que expõe com orgulho nas conversas de bar. Apesar de estar fora do exército há bem mais de uma década.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Enquanto era lembrado que o interruptor serviria para abrir o compartimento dentro do qual estava inserido o vaso sanitário, na parede oposta à da porta, balançava a cabeça em sentido horizontal. “O interruptor não deve ser usado para acender a luz, entendeu?” – repetiam a instrução interpretando errado o sinal de desdém no gesto do voluntário. Pedro cedia à força desse hábito sempre que estava prestes a ganhar uma aposta.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pouco menos de cinco minutos bastaram para familiarizar-se com o cubículo de 2,5 x 2,5 metros quadrados. Porta, interruptor, lâmpada, vaso sanitário embutido… não poderia ser tão difícil assim a adaptação ao novo ambiente. Uma boa razão para ter se candidatado ao programa foi, antes de qualquer sonho fabuloso de ambição material, a idéia de que vencendo o desafio poderia se ver livre da péssima vizinhança.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Estava farto de fazer inimigos contra a vontade, do clima de desconfiança gerado por tais desentendimentos, do tráfico a céu aberto, do consumo de drogas ao ar livre, do aumento da violência, da truculência policial, da troca de tiros diária, da imprevisível bala perdida… farto daquele barril de pólvora suburbano escondido sob a alcunha eufemística de comunidade Santa Efigênia… não via a hora de dar adeus a tudo aquilo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;De pensar nisso sentia-se como Buda alcançando o Nirvana, nem um abrigo antiatômico ofereceria tanta segurança; arriscou a leitura do jornal do dia mas acabou dormindo durante a manchete de capa, a ansiedade da noite passada o impedira de pregar os olhos. Horas mais tarde, já desperto, se dispos a avaliar a situação:&lt;br /&gt;“Quem diria… eu, Pedro de Oliveira, aqui nesse lugar… tá certo, ainda tenho muito tempo pela frente até me tornar milionário… mas ficar rico nunca foi tão fácil… mamão com açúcar, pra falar a verdade…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Estranho não ter aparecido ninguém pra inscrição além de mim… bem, talvez tenha aparecido mas não no mesmo dia que eu… vai saber…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Povo besta, desperdiçar uma chance dessas… não é todo dia que isso acontece…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Será que o Brasil tá me vendo agora? Se tá, é melhor eu me mexer, né… hmmm, quê que eu vou fazer?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ah, vou ler o jornal!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Caderno de esportes, página policial, classificados, sessão de entretenimentos, … tranqüilamente passados em revista. Horóscopo? Por quê não? Os prognósticos astrológicos vaticinavam, à sua maneira imparcial, novidades para os nascidos sob o sígno de capricórnio; se boas ou más ficava a cargo da interpretação particular do leitor. Pedro enxergava com simpatia a mensagem, procurando ver o lado positivo do encarceramento. Inclusive as últimas da política e a coluna social receberam especial atenção, não por causa da preferência por tais assuntos – o clássico “save the best for last” – mas para matar o tempo, pura e simplesmente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Conquanto a carreira política estivesse descartada dos seus planos em caráter definitivo, compor o quadro de celebridades do colunismo social era algo a se pensar; o futuro certamente lhe mostraria toda sua generosidade. O ex-militar ainda se encontrava absorto nesses projetos quando, de um compartimento a meio metro de distância, a modesta refeição surgiu: uma lata de refrigerante de cola, um pacote de biscoitos do tipo cracker, uma maçã e uma laranja. Recolheu os itens daquela bandeja de ejeção automática antes que se fechasse, apanhou dos talheres a faca e passou a descascar a laranja com toda a calma do mundo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Da prática dessa atividade ociosa uma canção lhe ocorreu, Time Is On My Side, dos veteranos Rolling Stones:&lt;br /&gt;“Ti-i-ime is on my side/ yes, it is…”, cantava – procurando caprichar no acento britânico (como se dele tivesse algum domínio). Tentava lembrar de mais do que o refrão, no entanto a memória não o ajudava; improvisou um assovio sobre o que supunha ser o restante da letra e disso se ocupou até cansar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Já se sentia em casa naquela altura do campeonato, daí para a naturalidade das ações era um passo apenas. Quanto a isso basta dizer que arrotos e flatulências tornaram-se freqüentes. Vez ou outra lembrava de que poderia estar sendo filmado por câmeras estratégicamente posicionadas e pedia desculpas à improvável audiência: “Ops! Perdão, galera, escapou!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sorte dele o público de hoje em dia fazer pouco (ou nenhum) caso das boas maneiras e de, na vida pessoal, atentar visivelmente contra o bom gosto. Alta porcentagem de aprovação tanto maior o baixo nível de educação é o que se depreende das estatísticas – os institutos de pesquisa somente reafirmariam o palpite dos mais sensatos. Enquanto for assim, a multidão de candidatos a ídolo popular agradece.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E nesse quesito Pedro esbanja “qualidades”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Correção:&lt;br /&gt;talvez tenha cometido uma gafe decepcionando a massa ao pedir desculpas, detalhe que se não for corrigido logo poderá fazê-lo perder toda a credibilidade. Erro crasso como essa demonstração de polidez afeminada dificilmente será perdoado se vier a ser repetido – supondo que realmente haja um público espectador para defendê-lo ou criticá-lo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;De qualquer maneira nosso herói permanecia alheio às cojitações dos possíveis torcedores/apostadores; era uma águia planando despreocupada sobre nuvens tempestuosas, imperturbável no desfrute da tranqüilidade. Águia que se tivesse asas e penas não voaria dada a forma física que apresentava. Soube disso depois do fracasso com as flexões, era a idade cobrando o seu preço. A exemplo do ocorrido na ocasião do horóscopo procurou o aspecto positivo da tentativa infrutífera: “Bom, assim pelo menos eu não suo… e evito tomar… banho?” Estava certo, realmente.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não havia sido instalado chuveiro no local; cumpria saber se por esquecimento dos projetistas ou para impor um grau a mais de dificuldade na obtenção do prêmio. Após tão sagaz observação foi até o interruptor e o acionou a fim de tirar uma dúvida. A-há! Como suspeitava… Havia vaso sanitário, papel higiênico, depósito para papel usado, mas faltava um item importantíssimo. Onde estaria a pia, a torneira e o melhor, a água dentro dela para lavar as mãos? O principal dos artigos de higiene e limpeza estava indisponível! Como faria para escovar os dentes e fazer a barba? Que providência tomaria após utilizar o papel higiênico? A falta d´ água o impediria de limpar os alimentos e as mãos; não havia luvas descartáveis nem plástico (ou algo parecido) para envolvê-los.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Só lhe restava esperar a próxima refeição e torcer para que com ela viesse uma garrafa ou um copo cheios do precioso líquido. Nesse ínterim poria a cabeça para funcionar e elaboraria uma estratégia de jogo caso tivesse de lidar com a adversidade. Até então as coisas conspiravam a seu favor: comida, bebida, W.C., jornal como passatempo…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“São só 48 horas, poxa! Posso muito bem ficar sem tomar banho, não vou morrer por falta disso… e depois, qual é o problema em comer sem lavar as mãos? Já engoli larvas vivas na minha época de soldado…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Fazer a barba? Pra quê? Não tenho nenhum encontro marcado… se não aparecer água, eu bebo refrigerante mesmo…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Que frescura! Não tô me reconhecendo…”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Enfim projeta-se da parede o repasto: um prato com arroz, feijão, salada de tomate e alface, um ovo frito e uma xícara de café. Dessa vez nada de refrigerante. Água muito menos. Retirou o almoço da bandeja, colocou sobre ela as cascas de laranja, a embalagem de biscoitos e a lata de refrigerante vazia entregues anteriormente e as devolveu ao lugar de onde vieram. Por um momento esqueceu as preocupações e se rendeu àquele manjar dos deuses. Há muito não se sentia tão bem, era viva a impressão de estar numa colônia de férias, aproveitando o que dela se oferecia de melhor. Refém daquele fluxo de sensações agradáveis, só fazia bocejar, deitado sobre as trágicas notícias do dia com o olhar perdido na alvura tranqüilizadora do ambiente. Dormiu feito um bebê, satisfeito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;… Pedro passeava com o filho Mateus, de sete anos de idade, pelo calçadão em frente à areia da praia de Itaboraí. Ambos tomavam sorvete, felizes, naquela tarde ensolarada de janeiro. Não se encontravam desde o último mês, graças à decisão judicial que concedera à ex-esposa a responsabilidade sobre o garoto, a mesma decisão que determinava quando Pedro poderia visitá-lo. O sol estava a pino, irradiando os banhistas radiantes; súbito, nuvens cobrindo o céu azulado traziam à paisagem algo mais do que sombras, um iceberg se elevando no horizonte reclamava espaço como se por direito todo aquele território lhe pertencesse. A nevasca inesperada transpassava a carne de Pedro e de Mateus, congelando-lhes impiedosamente os ossos enquanto a centelha de vida que os animava ia aos poucos perdendo o brilho… em meio ao frio…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Em meio ao frio, era nessa condição que Pedro se encontrava ao acordar. A temperatura, de fato, oscilara em ordem decrescente muitos graus abaixo na escala dos centígrados, obrigando-o a se cobrir de jornais. Como resultasse inútil tal medida, apelou para a atividade física, correndo em círculos pelo quarto. Cerca de dez minutos se passaram e o peito do ex-militar, fumante e sedentário, parecia arder em chamas. As funções respiratórias operando em níveis críticos davam testemunho de que a resistência do soldado havia ficado para trás. Tamanho sufoco ao menos colaborou para o resultado esperado: a anulação do frio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Impossível não associar a presente situação à dos hamsters, em suas gaiolas. De hóspede de hotel cinco estrelas a cobaia de laboratório, a participação no programa, semelhante à recente queda da temperatura, caía do conceito do candidato a novo rico. Começava a se perguntar se fizera bom negócio ao assinar o contrato. Qual seria o próximo teste? Pôr o hamster dentro do forno de microondas?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O suor brotando da testa era forte indício de que sim. Mal recuperara o fôlego e já se defrontava com outro desafio. Deveria ter notado a mudança brusca na sensação térmica: só o exercício não teria sido suficiente para elevá-la assim tão rápido. À medida que o líquido salgado escapava através dos póros, a boca seca implorava por uma mísera gota de água fresca, problema alarmante mas que estava longe de ser o pior. A variação extrema de temperatura ocorrida nesse curto espaço de tempo (coisa de 5 a 40 graus em aproximados 30 minutos!) não havia dado chance ao organismo de passar por todo o processo de adaptação necessário e Pedro, arfando, com as costas arqueadas e as mãos apoidas nos joelhos, sentia os efeitos da pressão arterial repentinamente alterada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A taquicardia voltava com força total, ameaçando levá-lo à perda de consciência; num esforço desesperado para reaver o controle, lançou-se em direção ao interruptor. Nem no seu pesadelo mais horrível fora submetido a tanto agravo, porém, era isso ou… isso! A água no fundo do sanitário ainda era água, no fim das contas. Agradeceu aos céus pela felicidade de ter cinco dedos em cada mão haja vista que a falta de um único deles comprometeria o ajuste em forma de concha daqueles membros, o que o impediria de levar água até sua boca e rosto com a mesma eficiência. Ainda na fase de transição do estresse físico e psicológico para o estado de normalidade Pedro olhou para a bandeja familiar ejetada da parede e custou a acreditar no que via: duas latas de refrigerante estupidamente geladas!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Filhos da puta! Só agora me mandam essas malditas latas! Me deixaram tomar água do vaso e querem o quê? Uma reconciliação? Olhem o que eu faço com o seu pedido de desculpas…!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Os dois refrigerantes foram arremessados violentamente contra uma das paredes, danificando a estrutura com a potência do impacto e emprestando tons liquefeitos ao branco inexpressivo. Em reação ao acesso de fúria uma profusão de gargalhadas dessas de programas de auditório se espalhou pelo recinto, intensificando a ira daquele homem humilhado. Lágrimas de indignação e arrependimento misturadas à água retirada do vaso escorrendo pela face…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pedro voltou a si só para perceber que as gargalhadas ecoavam mais e mais estridentes, insensíveis ao seu abalo emocional. Inconvenientes, insuportáveis, extremamente irritantes, levando-o à loucura!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Aaaahhhhhhhh!!!!!!!!! Parem com isso, desgraçados!!!!” – as palmas das mãos pressionando os ouvidos, inúteis, incentivavam-no a desisitir, estava a ponto de bater na porta… Então… o silêncio! O doce e maravilhoso silêncio!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Talvez o vácuo do espaço sideral exemplificasse o que se seguiu. Quase como se os lados daquele hexágono prisional tivessem sido separados uns dos outros naquele vazio exterior e lá o deixado solto, era assim com a descompressão auditiva que experimentava. Tamanho alívio mereceria uma comemoração; esperaria a próxima entrega da bandeja ejetável com enorme satisfação e ergueria um brinde à sua firme persistência quando aquela desse o ar da graça.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Esperou, esperou e esperou mais um pouco… Teria o mecanismo de ejeção da bandeja sofrido algum tipo de avaria e por isso emperrado? A julgar pelos últimos acontecimentos jamais saberia da verdade, fosse quem fosse que estivesse por trás do dito reality show certamente jamais perderia seu tempo transmitindo informações àquele objeto de escárnio a quem chamavam de participante. Em compensação as notícias do Brasil e do mundo continuavam atravessando o batente da porta, notícias sem a mínima importância para ele que passava pelas vicissitudes do isolamento.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ou estaria enganado?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pensando bem havia algo no jornal que não era de todo desprezível: a data da impressão! Seria deveras reanimador, uma verdadeira injeção de ânimo, saber se já estivesse vivendo as horas finais da tortura, a contagem regressiva para o término do programa. Sem mais, catou afoito as páginas do jornal torcendo como nunca para que fosse dia 23. E se era ou não, a informação lhe escapava ao conhecimento pois, por minuciosa que se empenhasse a busca, a data parecia haver sido omitida do periódico. Os nervos à flor da pele o fizeram rasgar as páginas em dezenas de pedaços e investir de encontro à porta. Mas era tarde demais para desistir do jogo. A sirene de ambulância em altos decibéis e o acender e apagar da lâmpada do teto anunciavam uma nova sessão de sadismo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Lá fora o calendário marcava 25 de maio de 2010.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-2118448266952772524?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/2118448266952772524/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=2118448266952772524' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/2118448266952772524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/2118448266952772524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2010/04/dantes-resort.html' title='DANTE´S RESORT'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-550561908176839166</id><published>2010-03-21T02:28:00.000-07:00</published><updated>2010-03-21T02:30:39.186-07:00</updated><title type='text'>WISHFUL THINKING</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Dentro de casa; inquieto; ansioso; esperando a mensagem. Quase  meia-noite; esperando a mensagem por oito horas seguidas, a segunda do dia, na  verdade. A primeira foi recebida com surpresa, tinha acabado de almoçar, comeu  além da conta naquele calor implacável de um meio-dia de fevereiro, dormiu…  menos mal. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Assim que adormeceu, um mergulho no abismo como se tivesse  atravessado algum tipo de portal entre as dimensões fez com que entrasse em  desespero. Quem o visse dormindo talvez o flagrasse se debatendo e gritando mas  ele estava só, embora parecesse estar sendo observado por olhares velozes que o  acompanhavam na descida. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;AAAAAAAAAAAHHHHHHHHH………….HHMMHMMMMM…..AHN!? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Estava novamente no gabinete do escritório onde trabalhava,  separado dos demais por paredes-meias; acabara de acordar de forma abrupta…  preocupado… Teria gritado? Muito alto? Levantou-se temeroso, esperando o vexame…  que não veio. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;“Melhor assim!” &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Aproveitou que todos estavam cuidando dos afazeres e dirigiu-se  ao banheiro. Lavando o rosto, apressado, lembrava de ter ouvido algo pouco antes  de voltar do sono. Um pensamento sutil se insinuava no retorno ao gabinete; ao  chegar lá, já não sabia mais o que fazer – e ainda havia uma longa jornada pela  frente até às 6:30 da tarde. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A papelada, por maior que fosse o acúmulo, não era páreo para o  volume de informações súbitas que lhe tomara de assalto. Durante cerca de 30  minutos elas o mantiveram ocupado. O que era tudo aquilo, afinal? Não fazia  idéia. Não conseguia decodificar a mensagem. Eram sons e imagens distorcidos,  indo e vindo, causando sensação de vertigem. Havia muito papel à disposição para  conter a torrente de suor mas não o bastante para um jato de vômito iminente.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;As têmporas pegando fogo, a queimação no estômago, aquele  maldito gosto amargo subindo  garganta acima até a cratera de vulcão expelindo  lava biliar que pouco antes era sua boca. Lembra de ter se livrado de um peso e  de ter recebido outro (maior?) nas costas: computador, scanner, impressora, todo  o material de trabalho, enfim, coberto por aquele líquido fétido e viscoso.  Definitivamente adiantara a pausa para o café resgatando do transe ocupacional  mesmo o mais absorto funcionário; o chefe não estava presente, o que não o  eximia de arcar com as conseqüências do estrago. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Os companheiros lhe deram toda a assistência necessária  conduzindo-o ao banheiro, derramando água sobre sua cabeça e rosto,  oferecendo-se inclusive para limpar a sujeira provocada pelo vômito… só não  foram tão voluntariosos quando notaram a faixa amarronzada no fundilho das suas  calças. No táxi a caminho de casa, trajando o uniforme dos faxineiros, a  vergonha certamente lhe servia de companheira (os comentários maldosos dos  desafetos, a expressão de nojo no rosto da garota mais bonita do escritório – se  já não tinha a mínima chance com ela antes, imagine agora) … mas não apenas  isso…Uma série de questionamentos dividia espaço com a vergonha naquela breve  viagem. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Edifício Honório Silva Pinto, apartamento 214, lar… doce lar. A  água do banho parecia possuir propriedades curativas, a preocupação em torno da  permanência no emprego quase que se materializava descendo pelo ralo; vinte  minutos depois a severa retaliação do chefe deixara de ser motivo de  preocupação. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Mas aquele jôrro de sons e imagens repentinos continuava lhe  perturbando. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Tomou os medicamentos que o farmacêutico prescrevera apesar de  se sentir plenamente renovado pela ducha fria, ligou a TV e deitou-se,  recostando a cabeça sobre dois travesseiros. Passou por um breve cochilo e deve  ter sonhado; com certeza gostaria de ter podido experimentar a sensação de estar  caindo naquele abismo pavoroso pela segunda vez no dia, ao menos para tentar  desvendar uma pequena fração daquela quantidade avassaladora de informações que,  acreditava, teria sobrevindo a ele por conseqüência da “queda”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Seria ótimo se o “abismo” respondesse à sua vontade como a um  encantamento místico, uma invocação sobrenatural… &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Sem sucesso… se é que existiam magos, ele não era um deles, como  ficou comprovado. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;As imagens, os sons, onde estavam? Um amigo lhe disse numa sexta  à noite enquanto bebiam a oitava, nona cerveja, que os profetas, antes de se  assumirem como tais, eram tomados de estranhas sensações: náuseas, vômitos,  sudorese, talvez crises agudas de disenteria e só após o “rito de passagem” era  lhes dado o poder de prever o futuro. Com os shamans acontecia algo semelhante,  se bem que suas visões decorriam de fontes naturais, plantas alucinógenas. De  qualquer maneira estava claro. A situação estava se delineando à sua frente.  Nostradamos, o último dentre esses luminares, também deveria ter tido essa  experiência indesejável mas recompensadora. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A resposta era óbvia! A condição de bem-estar físico trazida  pela chuveirada e pelos medicamentos já lhe parecia desagradável. Não via a hora  de passar por todo aquele turbilhão que o assolara no (arrrgghh) trabalho. Sabia  que havia sido escolhido! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Que falassem mal dele no escritório, que o pusessem no olho da  rua, pouco importava… havia sido escolhido! Dali em diante era só questão de  esperar o próximo sinal…&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Quase meia-noite; esperando a mensagem por horas a fio, a  segunda do dia, na verdade. Será que deveria estimulá-la de alguma forma? Da  última vez bastou comer um pouco além do necessário… &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;A expectativa era grande, quase o consumia; fosse como fosse  jamais o apanharia gritando bem alto “Shazam!” Desligou a TV, levantou-se, abriu  a geladeira, pôs as panelas sobre o fogão e preparou um banquete para si mesmo.  Se fartou, mais até do que no almoço. A etapa seguinte do processo consistiria  em pegar no sono e embarcar no tobogã da inconsciência rumo ao abismo. Fácil,  não? Qualquer ser menos digno do interesse dos deuses conseguiria, com certeza.  Infelizmente a meta não era vencer nenhum campeonato de emissão de gases, senão  já estaria tranqüilamente no alto do pódium. Depois de muito rolar de um lado  para o outro da cama o sono bem-vindo o alcança. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Ou melhor, não tão bem-vindo assim. Ser assombrado por  pesadelos, no que diz respeito à opinião da maioria, não é exatamente o que se  espera de uma boa noite de sono. A opinião da maioria, porém, é a última coisa  que importa agora; todo o terror noturno que os pesadelos puderem trazer,  sobretudo o desepero que acompanha a queda abissal, será mais do que bem  recebido. Que venha o abismo – e com ele o dom da profecia! &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;O dia amanhece, a assolação vai embora e deixa marcas, o lençol  empapado de suor, mas nem sinal de qualquer mensagem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Bem, de volta ao trabalho. A velha repartição pública, o velho  escritório, o velho gabinete, as velhas pessoas e uma nova mania: perguntar  sobre seu estado de saúde. A frustração na noite passada juntamente com a falta  de disposição para satisfazer a curiosidade alheia (incluindo a do chefe)  prenunciavam um dia ruim. Depois da série de perguntas inevitáveis e da  seqüência de respostas automáticas restava a visita do superior. Reunindo toda a  calma que seu eu poderia comportar nesse momento de tensão só comparável à sua  primeira vez, eis que a surpresa se manifesta na forma de uma aparição divina, a  secretária do chefe, a garota mais bonita do escritório. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Olhando-o com imenso desprezo ela lhe entrega o aviso de  demissão e prontamente se recolhe, deixando o infeliz à merce das esperanças  perdidas. “Eu sou o escolhido! Eu sei disso! Nada do que fizerem poderá mudar  esse fato!” – pensava com seus botões. Sob os olhares dos presentes retirou-se  sem mais delongas, confortado pela certeza da missão profética que lhe fora  entregue.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;Ao sair do prédio dava adeus à rotina dos meros mortais enquanto  um leve sorriso se esboçava em sua face. Estava feliz por ter descoberto o  significado dos sons e das imagens que o assaltaram no dia anterior.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:verdana;"&gt;O que mais queriam dizer senão que seria demitido?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-550561908176839166?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/550561908176839166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=550561908176839166' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/550561908176839166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/550561908176839166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2010/03/wishful-thinking.html' title='WISHFUL THINKING'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-3309847126434030307</id><published>2010-02-08T18:45:00.000-08:00</published><updated>2010-02-12T11:50:55.944-08:00</updated><title type='text'>ALTOS E BAIXOS</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Cabisbaixo, o homem invisível se esgueirava pelas sombras como se de outro jeito pudesse ser notado; de qualquer maneira, não arriscaria a segurança da caminhada em nome de algo tão revelador. Todos disputam seu lugar ao sol, muitos se acotovelam na busca por um mínimo de espaço que seja, por que ele haveria de ser mais um nessa competição? Assim, segue seu caminho sem apertar o passo, preocupado apenas em manter os óculos escuros, o sobretudo e o chapéu onde lhes caem bem. Isso basta. &lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Conhece sapatos de todos os formatos e tamanhos, sapatos que vêm e que vão; muitos são como velhos amigos, outros, completos desconhecidos. Tanto os mais extrovertidos quanto os mais reservados mantém certa discrição, em uma relação que se resume a uma troca unilateral de olhares - saudações e despedidas no primeiro e último encontro. Num desses passeios solitários a pressa de outrem levou-o a direcionar seu campo de visão para muito além da calçada empoeirada e ele olhou para o alto, numa rápida e não planejada mudança de rotina. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Foi quando avistou a fachada envidraçada de um edifício pelo qual deve ter passado uma centena de vezes ou mais mas que para ele se afigurava como grande novidade. A atração não estava na arquitetura requintada e futurista, embora causasse uma belíssima impressão aos olhos a estrutura como um todo; a sensação estava em um pequeno detalhe, projetando-se na parte externa de uma das laterais, um item de menor importância frente à grandeza do monumento: um elevador... panorâmico. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Dele era possível enxergar, à medida que ganhava altura, andar por andar dos edifícios vizinhos, as antenas de rádio, os pára-raios, o topo das torres quilométricas e a extensão territorial que culmina no horizonte. De fato, o elevador estava instalado em um arranha-céu, talvez o maior da cidade. O homem invisível retornou o aceno da curiosidade e deliberadamente mudou de rota, adentrando o obelisco da forma como somente ele era capaz. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Era desses raros momentos da vida em que se sentia à vontade junto a tantas pessoas - não porque as conhecia nem por estar sendo reconhecido por elas - ; tal estado de graça se tornara manifesto porque simplesmente as ignorava, dava a elas uma dose do seu próprio remédio, ainda que alheio a isso. Exceto pela indiferença do ascensorista, aquele grupo de oito espectadores extasiados tinha olhos apenas para o gigantesco monstro arquitetônico que se expunha diante deles; com o nono membro do grupo (segundo a ordem de entrada) o impacto ocorria duplamente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Estava ascendendo aos céus como jamais imaginaria que fosse possível a alguém tão acostumado à poeira da superfície (lágrimas escorriam tímidas pela face, por alguma razão incompreensível), ao mesmo tempo que (sorrindo) descobria um método muito pessoal e sutil de se destacar da multidão. Visitas sucessivas ao elevador de paredes transparentes lhe trouxeram uma perspectiva completamente nova sobre a vida, as pessoas e o mundo ao redor, fazendo-o, por fim, abandonar os hábitos antigos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Agora andava de cabeça erguida: largara o sobretudo em cima de algum móvel insignificante da casa, reservando ao chapéu destino semelhante; das peças que compunham seu vestuário de costume, os óculos escuros foram as únicas de que não se desfez. Abriu mão da amizade relativa dos sapatos, o pó das calçadas convertera-se em seu tapete vermelho, passou a ser visto e querido pelas mulheres, simpatizava com a opinião da maioria e por ela era devidamente correspondido, havia encontrado lugar e propósito na sociedade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Deixara de ser o homem invisível para se tornar um homem normal sob todos os aspectos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Certo dia - após meses de aventuras e descobertas - , em um gesto de agradecimento, resolve aparecer novamente naquele local tão marcante. Dirigindo-se ao velho ascensorista estampando um enorme sorriso nos lábios, imediatamente lhe pergunta 'como tem passado'  e 'como vão as coisas por ali'  com a informalidade dos amigos íntimos. Vencendo o habitual marasmo daquele senhor de idade, eis que se pôs a trocar impressões sobre os mais diversos assuntos, detendo-se naquele pelo qual revelava especial predileção: mulheres. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Não poupava detalhes dos seus casos amorosos, as partes mais picantes eram retratadas de forma minuciosa, as maiores obscenidades - dissecadas como que por um legista apaixonado pela profissão - faziam corar o amigo ascensorista. E quem poderia culpá-lo por tamanha empolgação se acabara de se deparar com esse novo mundo de prazeres irresistíveis? O entusiasmo era tanto que quando a porta do elevador se abriu para receber outro visitante, aquele senhor embaraçado se viu obrigado a interrompê-lo bruscamente em meio ao monólogo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Por sinal, o visitante em questão pertencia ao gênero recém-descoberto e tão cobiçado pelo homem sem papas na língua, uma bela representante do gênero, diga-se de passagem. E mais: para sua surpresa, a moça era ninguém menos que a filha caçula do ascensorista, no frescor dos seus dezoito anos de vida. Seria uma ótima aquisição às suas conquistas, não pôde deixar de pensar, mas como fazer para reconquistar a confiança do pai da adolescente, ainda chocado com a sucessão de barbaridades a que fora submetido? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;A garota, se revelava algum interesse por ele, conseguia disfarça-lo muito bem pois nenhum tipo de linguagem corporal refletia qualquer insinuação por menor que fosse - o aprendizado da 'linguagem corporal' era a mais nova sensação entre os pretensos Don Juans e este homem certamente gostaria de ostentar esse título. Estava diante de uma beldade indiferente aos seus&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;anseios, a única via de acesso a ela trazia no rosto marcado a imagem expressiva da decepção; se ao menos tivesse guardado a língua teria garantido pontos importantes na escala de respeito e bom-caratismo levada em alta consideração pelo senhor zeloso no elevador. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Percebia aquela contingência como um desafio, um tipo de teste proposto por aquele lugar, um último obstáculo para provar o seu valor, e se pudesse suplantá-lo certamente seria digno daquele novo estado por que passava... ninguém poria em cheque o mérito dessa nova fase. Invocava todo seu poder de concentração acionando cada neurônio daquele cérebro conturbado à procura de recursos que o ajudassem a lidar com a circunstância... tentava evocar dos recônditos da mente alguma experiência parecida, algum método infalível de enfrentar aquilo, uma técnica de sedução que fosse...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Não havia nada que pudesse fazer para remediar o ocorrido, pusera uma corda no pescoço e não havia meio de desatar o nó... mas... por que a apreensão, afinal de contas? O que de tão excepcional envolvia aquela garota? Seria a beleza? Sim, sem sombra de dúvida era muito atraente, bastava olhá-la uma única vez para ser definitivamente capturado pelo seu canto de sereia... tal atributo, no entanto, não era exclusividade dela, muitas outras também agraciadas com a mesma sorte passaram-lhe pelas mãos... essa ninfeta seria apenas mais uma. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Estava visivelmente confuso, perdera as rédeas da situação, a segurança havia fugido ao controle, e logo ali, naquele lugar que o acolheu, que o resgatou do nada, o alimentou e o fez crescer... aquele deveria ser o seu momento... e eles o roubaram... despojaram-no de toda a certeza, depuseram-no daquele altar de conquistas arduamente alcançadas... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Reapresentaram-lhe ao pó, no último andar do arranha-céu mais alto da cidade, dentro do elevador com vista panorâmica. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Com um mínimo de esforço: um olhar de desprezo e uma expressão de indiferença.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-3309847126434030307?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/3309847126434030307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=3309847126434030307' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/3309847126434030307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/3309847126434030307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2010/02/altos-e-baixos.html' title='ALTOS E BAIXOS'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-7852633116788734603</id><published>2009-12-22T21:19:00.000-08:00</published><updated>2010-01-16T20:52:51.249-08:00</updated><title type='text'>UMA FÁBULA NATALINA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Papai Noel estava se aprontando para mais um dia de trabalho num shopping movimentado da cidade; enquanto calçava as botas lustradas e engolia outro pedaço de pão, evitava pensar no que viria após o indigesto café da manhã. Indigesto pois elas estariam lá, sem dúvida nenhuma... fizesse sol ou chovesse em torrentes lá estariam elas, os pais ou os responsáveis, por certo, as levariam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças... são más todas elas, cruéis, pequenos torturadores... há que se ter paciência com as tais... muita paciência... mais do que caberia em um mísero saco de presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo são passivas de compreensão dado o meio onde vivem, o ambiente nada hospitaleiro em que habitam outras crianças cruéis, orientadas por malditos pais mal-educados... e mentirosos. Coitadinhas... têm que aprender a se defender desde a mais tenra idade se quiserem chegar à adolescência com todos os ossinhos do corpo ainda intactos. Devem suas vidas às academias de artes marciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O toma lá dá cá entre os selvagenzinhos, que não parece dar mostras de cansaço ao longo dos onze meses do ano, arrefece com a proximidade do Natal, e ao primeiro indício da chegada do Papai Noel marcado pela montagem do presépio, uma vaga noção de dever desponta no horizonte das jovens cabecinhas: algo a ver com obedecer aos adultos em troca de uma certa recompensa. A velha junção de pais incompetentes e métodos de educação apoiados em chantagens emocionais produzindo delinqüentes juvenis em série.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de parar para pensar se seria justo culpar as figuras paternas por tamanha negligência visto que fizeram apenas herdar a tradição e passá-la adiante; delegar responsabilidades a outrem, mesmo alguém que figure no imaginário, ao que se sabe não é crime previsto nas leis penais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a infelicidade das próximas gerações... de Papais Noeis de shoppings.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças de hoje em dia, de fato, representam perigo real e constante a quem pretende abraçar a carreira de símbolo natalino; qualquer aspirante a bom velhinho que ouse pôr uma barba branca, o inconfundível casaco vermelho, as calças da mesma cor e botas pretas está sujeito à ameaças infantis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infantis... mas não inofensivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estamos ás voltas com gangues de crianças desejosas dos presentes que pensam fazer jus - aquelas realmente merecedoras são as vilipendiadas e roubadas pelos pequenos marginais, e tal atividade criminosa vem crescendo de forma assustadora, desencorajando com isso comportamentos que até pouco tempo atrás eram regra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Elas descobriram um meio de voltar o feitiço contra o feiticeiro, isto é, se antes se encontravam indefesas, sendo obrigadas a obedecer a pai e mãe caso quisessem ter seus pedidos realizados, agora a situação passou a ser terrivelmente outra: estão usando das técnicas de artes marciais aprendidas nas academias - que à princípio deveriam servir apenas como ferramenta de defesa pessoal - para alcançar, pela prática gratuita da violência, seus sórdidos objetivos... e sem prejuízo de punição por parte das autoridades competentes, já que mal saíram das fraldas. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Foi-se a época das birras, das mágoas, dos artifícios engraçadinhos típicos da infância...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os pais estão acuados, as babás são uma classe extinta, a pré-escola é uma instituição falida, as professoras primárias estão pensando seriamente em se especializar nas matérias do ensino secundário... com os Papais Noeis não poderia ser diferente...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os sindicatos de trabalhadores natalinos, representados também pelos duendes e as renas além, é claro, de Noeis e de uma nova categoria, a das árvores de Natal ambulantes, têm em sua pauta de discussões a questão do "calar e consentir" como medida a ser tomada no intuito de sanar as desavenças com os exigentes e presunçosos infantes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Semana passada duas dessas figuras natalinas, gravemente feridas, foram levadas ao hospital; uma se encontra em observação, permanecendo internada na Unidade de Tratamento Intensivo enquanto a outra já se recupera em casa, tendo sofrido cortes profundos e fraturado uma costela. Casos como esses desestimulam cada dia mais os "velhinhos" e seus ajudantes, fazendo-os refletir sobre mudar o foco de atuação - a possibilidade de trajarem a vestimenta clássica durante o período do Carnaval não está muito longe de se viabilizar (e estratégias de prevenção contra os bailes infantis receberam prioridade).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Entretanto os planos para os festejos de Momo só poderão ser postos em prática no mês de fevereiro - e ainda estamos em dezembro - , até lá temos que tratar de manter a geladeira abastecida e a panela no fogo, o que nos traz de volta à dura realidade. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Por quê arriscar a vida em uma atividade pouco valorizada e assim nem tão bem-remunerada é uma dúvida com peso equivalente ao "ser ou não ser" de Hamlet, acompanhando o Papai Noel no passo a passo em direção ao shopping. Talvez ele nunca chegue a uma conclusão a esse respeito... ou talvez esteja simplesmente se esquivando da verdade inegável: a recusa em admitir o profundo carinho pelas crianças.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A recepção dos adultos é calorosa, a cadeira, confortável; no lado esquerdo e no lado direito estão posicionados dois "duendes", seus ajudantes. Com o hall de entrada daquele grande centro comercial repleto de visitantes, é natural que muitos deles - a maioria seria uma aposta segura - sejam pais e mães; e se há pais e há mães no recinto, onde estariam os filhos? Os pequenos a essas horas deveriam estar por perto, como é de costume. Ou como &lt;strong&gt;era&lt;/strong&gt; de costume pois os tempos agora são outros.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Já não se fazem mais crianças como antigamente... os meandros da reprodução ainda persistem (ao natural, artificial, in vitro), o termo "criança", no entanto, perdeu o significado. A definição conhecida nos dicionários está desatualizada, criança agora (e impossível precisar até quando) é sinônimo de adulto apresentando porte e estatura diminutos mas nem por isso proporcionais ao desenvolvimento mental... trocando em miúdos, homens crescidos numa versão compacta. E em toda a natureza somente uma forma de vida inteligente rivaliza com elas: os anões (os dos jardins não contam).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os acometidos de nanismo, como manda o politicamente correto (ou anões mesmo, que mal há nisso?) vêm sendo preparados técnica e taticamente à semelhança do famigerado Batalhão de OPerações Especiais para combater o novo mal social que se espalha nesses tempos decembrinos; estão prontos para, se preciso for, dar a vida em prol da causa natalícia, protegendo e servindo a velha classe dos "barbas brancas" de toda e qualquer injúria que possam vir a sofrer. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tanta devoção é explicada pelo fato de que, sem distinção de gênero, número e grau, qualquer pequenino representante dessa fauna já nasce sabendo das suas limitadas perspectivas para o futuro, sabe que são curtas as chances de se aventurar com sucesso por outras profissões que não sejam a de "pintor de rodapé" ou "ajudante de Papai Noel". A resposta para a pergunta do teste vocacional, "o que você vai ser quando crescer", eles têm na ponta da língua, seja no sentido profissional ou não. Seria cômico se não fosse trágico mas verdade é que todos vêem a nova ocupação com bons olhos: finalmente as atenções do mundo (dos maiores de 1,30 cm de altura) estarão voltadas para o cotidiano dos anões - um novo leque de possibilidades que se abre para além do reino dos elfos e dos duendes cinematográficos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Papai Noel estava se sentindo seguro ladeado pelos dois mini-mestres das artes marciais e ainda respirava aliviado quando de repente a balbúrdia se instaurou, era a terrível gangue das crianças aparecendo para exigir seus presentes com a insolência que lhe era de praxe. Atravessando a multidão sem pedir passagem, puseram-se diante do bom velhinho que agora os olhava altivamente, inquirindo-o sobre o que tanto lhes interessava: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;E aí, coroa! Tá ligado que eu quero um carrinho com controle remoto, hein? - um deles lembrava &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Qual é, tiozão? Manda lá a minha bola de basquete! - um outro ordenava&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Os anões, tranqüilos como os praticantes do zen-budismo, esperavam a deixa, atentos a qualquer movimento brusco. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Papai Noel levantou-se calmamente, dando as costas para os garotos abusados; virou-se em direção ao saco de presentes simbólico, fechando as duas mãos em torno da abertura e em pensamento contou até três enquanto sugava uma quantidade generosa do ar condicionado do local. Liberou aos poucos o gás carbônico dos pulmões e veloz demais para alguém da sua idade e histórico de vida, girou o corpo feito um arremessador de discos olímpico, bradando uma singela homenagem ao seu personagem de quadrinhos favorito:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Tá na hora do pau!!!!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Cabeças de crianças rolaram quase que ao pé da letra... às poucas que permaneceram acordadas sobreveio a constatação de que mesmo o saco de uma figura doce como Noel, de tempos em tempos, sobrecarrega.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quanto aos demais freqüentadores do shopping center... bem, digamos que sua reação não foi nada imprevisível: as sílabas da palavra "linchamento" preencheram cada fibra muscular da turba enraivecida, obrigando uma tomada de atitude por parte dos anões.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Boa hora para encarnarem uma versão minúscula de Bruce Lee.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-7852633116788734603?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/7852633116788734603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=7852633116788734603' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/7852633116788734603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/7852633116788734603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/12/uma-fabula-natalina.html' title='UMA FÁBULA NATALINA'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-6717455762223171724</id><published>2009-11-16T16:49:00.000-08:00</published><updated>2009-12-01T06:19:31.761-08:00</updated><title type='text'>BESTIÁRIO</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Toda vez que punha os olhos sobre imagens de garotas em poses insinuantes, uma lágrima descia. Sentia saudades de uma época em que podia fazer mais do que simplesmente olhar... podia tocar! Não na imagem da garota (apesar de muitas vezes tê-la ao alcance), nem na garota em si mas nele mesmo. Toda vez que cenas provocantes eram capturadas pela retina, acendendo o estopim daquela reação familiar, misto de cobiça e excitação extremas, lembrava da atitude instintiva peculiar àquelas horas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;"Um leproso... sou um leproso..." - desesperava-se. Como quem segura delicadamente um bebê recém-nascido ou mesmo um querido animal de estimação, acariciava aquele objeto tão precioso. A tensão de estar atravessando um campo minado dificultando-lhe a respiração ao depositar na urna sagrada o caro artefato. Uma lágrima descia para cada sensação de alívio quase imediato que vivenciara - e não foram poucas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preferiria jamais ter conhecido aquela prática vil de obtenção do prazer, aquele método pecaminoso e distante que agora zombava da sua condição de imensa fragilidade. Desviava o olhar tentando esquecer das glórias passadas, no entanto, a presença irresistível do objeto flutuando no interior do recipiente de vidro configurava uma visão esmagadora, a imponência daquele pedaço inútil de carne desafiava obstinadamente sua força de vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava à mercê daquela pequena peça de açougue imersa em formol e todo o sentido de uma vida fixava residência dentro daquela insignificância. Era nada mais que nada, e tinha plena consciência da crueldade desse fato. As garotas, perfeitas nos mínimos detalhes, esculpidas pelas mãos habilidosas do capricho, eram privilégio dos fisicamente íntegros; observavam-no de cima para baixo, do Olimpo pictórico onde habitavam até as regiões inferiores onde havia sido despejado - um demônio da mitologia condenado às fossas abissais era mais digno de atenção do que aquele pobre diabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O suicídio nessas alturas parecia a luz no fim de um túnel que se estreitava mais e mais com cada tique-taque insuportável do despertador - já não havia porquê despertar, afinal de contas. Para quê abrir os olhos novamente se o principal objetivo para o qual foram feitos lhes tirara o gozo da observação? As garotas nas imagens não se comportavam da mesma forma, demonstravam antipatia como nunca antes, era nítida a rejeição estampada naqueles rostos estáticos e terrivelmente belos, na estética acima da média daquelas expressões em movimento no vídeo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Se via na pele de um escravo passivo ante as injúrias perpetradas pela dominatrix, com o agravante da absoluta falta de simpatia pelas práticas sadomasoquistas; experimentava impotente o gosto amargo da traição ciente de que qualquer tentativa de revide estava longe do praticável. Um câncer maligno e uma prazeirosa carreira onanista encerrada abruptamente, um membro engarrafado feito um ridículo souvenir macabro e lindas e sensuais e hipnóticas atrizes e modelos e dançarinas e apresentadoras nos televisores e computadores e anúncios publicitários e capas de revistas e outras mulheres não menos desejáveis nas ruas, nas praças, nos jardins, nos quintais, nos bares, nas boates, nas danceterias, nos colégios, nas faculdades, nos shoppings, nos supermercados, na vizinhança... provocando-o sem piedade em todas as situações possíveis de se imaginar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Estava num beco sem saída: apesar de já não ocupar o topo da lista dos mais cobiçados por toda a elite do gênero feminino ainda alimentava a esperança de estar entre os demais competidores, entretanto, com o instrumento de qualificação profissional lhe fugindo das mãos, via o chão desaparecer sob os pés. Queria violentá-las... apesar da inaptidão. De súbito, lhe passou pela cabeça a lembrança da antiga versão cinematográfica da passagem bíblica Sansão e Dalila - os instantes finais onde Deus, tomado de compaixão, renova os poderes do herói traído a fim de que se vingasse dos inimigos - , um apelo equivocado pois como recordava das aulas de catequese: "os fornicadores não herdarão o reino dos céus!" Se tal quesito incluia 'masturbadores' a questão permanecera em aberto, admitia a condição de 'pecador'. E Sansão morrera cego, se não lhe falhava a memória - os olhos ainda eram seu único contato com elas, perdê-los seria assinar a sentença de morte. "Um eunuco cego...!" A simples idéia congelava-lhe o sangue nas veias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;"Se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado no inferno!" - como poderia esquecer dessas palavras? "E se a tua mão direita te escandalizar, arranca-a e atira-a para longe de ti, pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que todo o teu corpo seja lançado no inferno!" - palavras proferidas enfaticamente nos estudos religiosos dos tempos de colégio cristão. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt; "Minha mão direita e minha mão esquerda me condenam, meus olhos me condenam... bem... perdido por um, perdido por mil..." - pensou. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Deus certamente se recusaria a ajudá-lo mas restava uma alternativa, ainda que temerosa: o Diabo. Jamais fora dado à crença no sobrenatural, sequer freqüentava a igreja na qual fora batizado, da última vez que ouvira falar do Diabo ele já não era a criatura ameaçadora que punha tropeços no caminho das almas de tantos, havia sido rebaixado à categoria de mera 'figura de linguagem'. Mesmo assim, a despeito do convencionalismo moderno, aquele construto medieval lhe parecia uma opção viável; o aterrorizante demônio de séculos atrás teria de se erguer das cinzas do inferno, seria a sua salvação. Um pacto deveria ser selado - sabia muito bem disso dos filmes de terror - , um que satisfizesse ambas as partes. Daria a alma em troca da reposição do membro extirpado e nada o faria mudar de idéia. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Nada... a não ser uma boa noite de sono. Convicto que estava a respeito de ter encontrado a solução do problema, dormiu como as pedras. Na manhã seguinte, a idéia do pacto havia voltado ao seu lugar de origem, o reino das fábulas. Acordara com um sopro de ar fresco revigorando-lhe as forças; estar impregnado de disposição após a fatalidade representava uma experiência nova, com a qual teria de reaprender a lidar, e que melhor campo de provas para se testar a dimensão desse estado de espírito do que o universo além das suas quatro paredes? Enfrentar o dragão, esta era a ordem do dia. Tendo observado os ritos de preparação do guerreiro antes de se lançar à batalha - controlar a respiração, evitar expectativas desnecessárias, estar atento ao perigo vindo de onde vier - , partiu ao encontro do mistério. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Mostrava-se confiante como há muito não se notava, surpreendia-se consigo mesmo e tal sensação ainda lhe envolvia quando de repente topou com o primeiro belo par de pernas do caminho. "Consegui resistir..." - sorriu aliviado. Ao dobrar de uma esquina, porém, o peso do desafio recaiu sobre seus ombros: lá estavam elas, aos montes! Toda a exuberância da natureza reunida de uma única vez. Um caleidoscópio de lábios carnudos, seios fartos, bumbuns salientes, quadris torneados, conferindo à paisagem um painel impressionista de cores fulgurantes. Sem mais nem porquê diante do espetáculo enlouquecedor, correu para casa com o rabo entre as pernas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Em meio ao suor abundante e às palpitações cardíacas aceleradas, agarrou o objeto de culto e o atirou porta afora. Menos de um minuto depois, um estrondo se antecipava ao arrependimento e memórias se espalhavam vermelhas, tingindo de negro o brilho das imagens fugidias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-6717455762223171724?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/6717455762223171724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=6717455762223171724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6717455762223171724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6717455762223171724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/11/bestiario.html' title='BESTIÁRIO'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-3298192886240062141</id><published>2009-11-02T14:45:00.000-08:00</published><updated>2009-11-02T22:04:17.369-08:00</updated><title type='text'>COMO ASSIM...?</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Sentado na entrada de casa com o pensamento disperso e o dedo indicador esquerdo enfiado na narina, ele relaxa após ter alcançado um pedaço considerável de catarro solidificado. Respirando quase normalmente em direção ao banheiro, a toalha de rosto recebe um último jato de muco expelido com veemência - ufa! Finalmente! Sentando na entrada pela segunda vez, se põe a pensar no quanto de verdade existe no dito popular que afirma: o que vem fácil, vai fácil. Jamais imaginaria experimentá-lo com tamanha intensidade em um espaço de tempo tão curto. &lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Tudo começou a seis meses atrás na euforia das redes de relacionamento virtuais, alternativa para o convívio social pouco satisfatório dos solitários por natureza. Com a violência da cidade grande inspirando desconfiança entre as pessoas e a frieza típica dos habitantes daquela região pouco calorosa mesmo nos dias mais quentes, nada melhor do que desfrutar da comodidade dos relacionamentos à distância, uma loteria onde a probabilidade de que as coisas saiam conforme o planejado é matematicamente desanimadora mas, enfim... A ficha é preenchida, o cadastro é feito e, instantâneo como o cimento de secagem rápida dos desenhos animados, o internauta passa a fazer parte do corpo de membros do site. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Mais e mais amigos invisíveis visitam o perfil recém-criado e por um motivo ou outro solicitam-lhe a amizade, que é prontamente atendida tão logo toma conhecimento do pedido. Num dado momento, entre o primeiro e o segundo mês de participação no site, na caixa de entrada de e-mails uma mensagem em especial chama a atenção; não é uma simples mensagem na verdade, a diferença desta para as demais recebidas anteriormente é o propósito a que é dedicada. Não é apenas mais uma solicitação de amizade mas um convite a um relacionamento, digamos, mais sério - por mais sério, entenda-se troca de correspondência eletrônica em período semanal a fim de avaliar o grau de compatibilidade dos dois pombinhos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Até aí nada de extraordinário, era de se esperar que mais dia, menos dia alguém  manifestasse um interesse maior pela pessoa por trás das descrições do perfil, afinal esse é o papel a que se prestam as redes sociais de internet; surpreendente mesmo era a localidade da parte interessada: um país estrangeiro. Ler e entender a "carta" não chegava a ser tarefa das mais difíceis, respondê-la, sim, era problema; estar familiarizado com um idioma universal não implica em dominá-lo, nisso residia a grande dificuldade. E foi assim, aos trancos e barrancos, que se deu o contato quase que imediato do improvável casal, com a world wide web intermediando a relação, uma espécie de "santo casamenteiro" da atualidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;De início já se via o fracasso da empreitada, porém, como bom curioso que é, cedeu à tentação de ser mais um a constar do rol dos relacionamentos modernos e incentivados pela globalização - não perderia a oportunidade de se sentir um ser "globalizado", travando contato ainda que mal e porcamente com uma nativa de uma nação distante na língua natal da mesma: 'chique no úrtimo', diriam os fúteis. Apesar dos pesares, tudo corria bem; mas esses dias de troca de informações inúteis estavam com os minutos contados, tudo graças a estrangeira que, a pretexto de uma viagem de trabalho para um país da África e de problemas com seu cartão de crédito no aeroporto na data prevista para o retorno, viu no seu "par" a salvação da lavoura ou uma ótima chance de lucro, não se sabe ao certo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Fato é que a garota virtual se disse presa nesse país de terceiro mundo com o qual não guardava a mínima afinidade e que estava desesperada, a ponto de arrancar os fios de cabelo, para voltar ao seu habitat natural, e quem seria a ponte para a travessia? Adivinhe! O 'globalizado' da vez, é claro. Segundo ela, faltavam duzentos dólares para que pudesse comprar o bilhete de regresso, o passaporte para a liberdade, a carta de alforria; prisioneira dos selvagens africanos que era, nenhuma brisa soprava a seu favor, todos os deuses das tribos indígenas conspiravam contra ela, interferindo inclusive num possível esforço humanitário da embaixada do seu país sediada naquele cafundó infernal. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;E o que dizer então da família da distinta, digo, seu pai e sua mãe? Separada dela por mais do que um oceano, por mais do que um continente, repousaria alheia no reino dos mortos? Ela dava a entender que sim. Quanto aos amigos, irmãos, primos, tios, ela não os tem ou eles simplesmente não a querem por perto e esse episódio seria a resposta às suas fervorosas orações para mantê-la afastada? Vai saber... 'For God´s sake! Help me, please!' Dizia a moça, alarmada. 'Só você pode me salvar!' E o amigo devolvia, recorrendo aos infames tradutores on-line: tenta a ajuda da imprensa, procura o jornal local, sabendo da sua história trágica eles não vão se negar a cooperar com você. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Mas você não tem duzentos dólares? Não posso acreditar que você não tenha essa quantia! São só duzentos dólares, porra!! - eram quase audíveis os clamores da garota. E o pior. Em plena madrugada, devido ao fuso horário. Seis horas da manhã, tentando dormir e a ameaça ecoando no pensamento: 'gimme the money, motherfucker!', ou quase isso... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Dois meses depois, pensando ter baixado a poeira, a curiosidade o impele a um novo contato e a constatação de que nada havia mudado no tom da conversa surge logo após as costumeiras saudações. De bate-pronto, a garota reinicia o interrogatório colocando-se na posição de carrasco do infeliz que se voluntariou para a sessão de tortura: 'what´s up, man! Did you get the money?', numa clara tentativa de extorsão. 'Antes tivesse permanecido em off...' - concluiria mais tarde. Enquanto isso, o diálogo se desenvolvia: 'bem, não consegui o dinheiro porque (espaço para a desculpa esfarrapada - como se houvesse necessidade disso) ... mas e os bombeiros? E a polícia? A guarda nacional? O exército, a marinha, a aeronáutica? They care a lot about your wellfare. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Quando pensava que encerraria a conversa com a pérola máxima - 'In God you can trust, baby. Believe me.' - , uma última mendicância extorsiva o fez parar para pensar em algo melhor e mais prático: 'ora, ela faz o tipo modelo...' E o raciocínio prosseguiu com a frase: 'por que você não usa o seu charme, a sua beleza (ou o seu belo corpinho, como queiram) para conseguir os dólares que tanto precisa?' A resposta esperada na maioria desses casos vem na forma de um singelo elogio à progenitora de quem dá a cara para bater; a garota, no entanto, ficou em silêncio, talvez questionando a verdadeira intenção por trás da pergunta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Cinco longos minutos depois, um sonoro 'offline' dava por terminado o bate-papo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;"O que vem fácil, vai fácil."- lembrava o rapaz agora sentado no vaso sanitário, livrando-se do excedente físico e mental.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-3298192886240062141?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/3298192886240062141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=3298192886240062141' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/3298192886240062141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/3298192886240062141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/11/como-assim.html' title='COMO ASSIM...?'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-8181366544940758812</id><published>2009-10-01T16:56:00.000-07:00</published><updated>2009-10-04T19:31:44.279-07:00</updated><title type='text'>ÂNCORAS</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Contemplando o oceano das possibilidades infinitas, arrebatados pela maré das indagações&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;construímos castelos de areia à beira-mar &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;castelos que ao avançar das ondas se desfazem ao mero toque, partilhando a sina das nossas mais firmes convicções&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;aos olhos desenhados para a escuridão, desejosos de um vislumbre da luz do dia em technicolor, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;resta o consolo de um filme mudo em preto e branco, quando muito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;... as sombras da caverna de platão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;em dívida com a certeza, compramos outra noite de sono com a moeda fácil do subterfúgio, subornando a dúvida com as migalhas de realidade de que dispomos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;a pergunta que não se cala exige sempre mais desculpas &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;desculpas dignas de uma cela acolchoada, no mais das vezes&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;cinco sentidos apenas e uma paleta limitada de cores, a mistura de tintas intuitivas na paisagem da percepção&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;plástica disforme do mundo exterior, imagem e semelhança do pouco que somos e do muito que pensamos ser lançada sobre tudo que é&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e a obra-prima natural necessitaria de retoques?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;mente humana: berço e sepultura dos esforços vãos, panteão de deuses efêmeros, alimento perecível da conveniência temporária&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;na praia segura da razão, tendo à frente as águas turvas do desconhecido, a promessa tentadora do horizonte acena&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;...a nau da utopia conduzirá a aventura aos muitos portos de escala da desilusão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;testando a fronteira final da curiosidade&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-8181366544940758812?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/8181366544940758812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=8181366544940758812' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/8181366544940758812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/8181366544940758812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/10/ancoras.html' title='ÂNCORAS'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-3764014304907912327</id><published>2009-09-10T18:15:00.000-07:00</published><updated>2009-09-13T02:41:09.200-07:00</updated><title type='text'>ÀS NA MANGA</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;Demarcador enegrecendo os cílios,&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;baton&lt;span&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;avermelhando os lábios, chave girando a tranca e as ruas são apresentadas a novos pares de sapatos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;a postura provocante e atrevida desvia a atenção requerida pelo trânsito, o sorriso simpático na janela do&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;automotivo&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;completa parte do serviço, a porta sendo aberta é uma metáfora do próximo movimento&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; um dos muitos que fará sob o olhar atento dos espelhos no&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;teto&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; a competência no exercício da profissão lhe daria o ouro olímpico se lençóis fossem juízes &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;nessa modalidade desportiva, no entanto, dinheiro vivo basta; e é por ele que encontra disposição para cada nova empreitada&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;noturna, só por ele que junta forças para aceitar cada novo desafio masculino que se lhe apresenta&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;se o corpo estremece de prazer por algum momento, de certo não é graças aos esforços&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;virís&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;do amante durante o ato mas sim pela antecipação de ver futuras cifras preenchendo-lhe a conta bancária&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; como de costume, nomes descartáveis vêm, deixam fluídos corpóreos&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;biodegradáveis, e vão, levando o odor peculiar do encontro íntimo como único traço residual&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; isso, por si só, já valeria uma noite em claro: o lucro advindo de uma transação sem compromisso&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;a consciência limpa, a sensação do dever cumprido...&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; os fins justificariam os meios caso não houvesse a hora odiosa, detestável, da prestação de contas&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;ocasião infeliz em que se vê face a reminiscências de uma&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; vida pregressa... memórias do cárcere, em um pesadelo recorrente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; seu corpo não lhe pertence, pertence a todos; todos quantos puderem pagar por merecê-lo&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;tem muito em comum com os animais selvagens, as feras indomadas, no livre curso de sua espontaneidade&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt; e agora esse percalço, essa pedra no caminho...&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;algo precisa ser feito, que evoque uma lei&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;não a da civilização, esta não lhe cabe; tampouco as dos homens, que não lhe convém &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;a lei da selva... esta sim; a de quem tem jogo de cintura&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;jogo de cintura... seu maior trunfo &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;font-size:14.0pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-3764014304907912327?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/3764014304907912327/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=3764014304907912327' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/3764014304907912327'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/3764014304907912327'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/09/as-na-manga.html' title='ÀS NA MANGA'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-7961694276691744088</id><published>2009-08-20T12:52:00.001-07:00</published><updated>2009-08-20T16:49:18.080-07:00</updated><title type='text'>VÁ BUSCAR QUEM MORA LONGE, SONHO MEU</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;Ela tem narinas esbranquiçadas de quem aspira uma carreira de superstar morta por overdose&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;é a preferida de dez entre dez manchetes de jornais&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;o rosto nas capas de revistas é a imagem de hábitos ruins&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;os pôsteres nas paredes adolescentes ainda inspiram exercícios manuais solitários, apesar de tudo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;enquanto viajava, dessa vez pelas linhas aéreas, desvanecía-se em sonhos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;quanto mais conhecia do reino de morfeu, tanto mais era a solidez de tal realidade&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;e lá estava ela, voluntária da primeira missão tripulada até a lua&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;única companheira do piloto automático que a entretia com as novas da biosfera ll&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;a proximidade das crateras revelava no lado escuro do satélite o brilho fosco da redoma&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;seu lar pelos próximos cinco minutos da contagem regressiva&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;o trem de pouso na pista coincide com os pés de volta ao chão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;e a águia pousa... na terra&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;... do misantrôpo perdido na desorganização do quarto não se sabe muito&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;quem o viu diz que ele mora numa ilha, a milhas de qualquer contato&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;toda a areia dessa ilha cabe na caixa onde um gato velho deposita as fezes&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;toda a vegetação, dentro do vaso esquecido e mal-iluminado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;a pobre planta se arrastaria para a luz se pudesse&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;não é o caso do misantrôpo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;dentro do oceano de concreto e aço, não guarda hábitos de banhista&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;cumpre um ritual, o do sono... é imerso nele que sai da concha&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;dia desses teve um sonho - e sonhos não lhe faltam:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;era aceito como voluntário na primeira missão tripulada para a lua&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;orgulhoso de si mesmo, mal continha a emoção intensa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;a nave ganhava os céus, ultrapassava as nuvens, contemplava as estrelas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;penetrava no vácuo, percorria do alto a superfície lunar e por fim alunissava&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;a porta de entrada e saída do passageiro, que supunha-se única, reservava surpresa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;ao lado do compartimento ocupado pelo cosmonauta, um outro compartimento&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;e nesse compartimento, outra porta&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;e dessa porta, uma viva alma a surgir&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;cumprimentou-a perdido em interrogações e mais do que depressa tratou de saciá-las:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;"disseram que eu seria o único tripulante da missão... não entendo o que você faz aqui."&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;"me disseram o mesmo." - ouviu dela (reconhecera a voz feminina por trás do espesso capacete) &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;no interior do jardim do éden lunar, a biosfera ll, um romance aconteceu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;a garota de narinas esbranquiçadas viajando pelo reino de morfeu pelas linhas aéreas decidiu que seria feliz&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;mesmo no mundo da lua... por uma eternidade... que acabaria em cinco minutos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;o misantrôpo ilhado no oceano de concreto, aço e sonhos desfrutará da doce companhia da estrela cadente pelo tempo que for preciso... e enquanto puder sonhar jamais será um solitário em mundos que não são o seu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;    &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-7961694276691744088?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/7961694276691744088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=7961694276691744088' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/7961694276691744088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/7961694276691744088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/08/va-buscar-quem-mora-longe-sonho-meu.html' title='VÁ BUSCAR QUEM MORA LONGE, SONHO MEU'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-399299248802534738</id><published>2009-07-16T18:59:00.001-07:00</published><updated>2009-07-16T18:59:56.873-07:00</updated><title type='text'>SERIA DOMINGO</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Gangorras sobem e descem em seu movimento familiar enquanto  sacos de pipoca e algodões doce são degustados por bocas infantis sorridentes;  desafiando a gravidade, impulsionados por mãos adultas prestativas, outros  sorrisos maravilhados se encantam com os balanços do parque: é domingo.  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;uma luz vermelha se acende no ar sustentada por uma estrutura  metálica e automóveis detém seu avanço em um gesto simultâneo, dando passagem  para pés apressados cobrirem linhas paralelas; olhos femininos se rendem aos  últimos modelitos das vitrines: é segunda-feira. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;entre as nuvens e os arranha-céus, um rastro de fumaça  esbranquiçada denuncia o estrondoso pássaro supersônico; abaixo, pacientes em  estado vegetativo permanecem indiferentes a qualquer estímulo, esperança salgada  vertendo dos rostos dos familiares e amigos, mais próximos do que nunca: é  terça-feira. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;casais trocam confidencias e carícias em passeios públicos,  momentos a dois divididos por centenas e milhares – as taxas de natalidade  receberão acréscimos; àqueles para quem o amor não foi endereçado têm um  encontro marcado com os monitores de computador e as telas de televisão, adiando  a visita à maternidade: é quarta-feira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;do lado de fora da janela do sexto andar, o vazio captura o  olhar pensativo de alguém flagrado no equilíbrio precário entre a atitude e a  indecisão; uma troca de tiros na mesma rua encerrará o dilema shakesperiano,  assassinando a dúvida torturante: é quinta-feira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;a pressão de um dedo sobre um número errado apresentará o  admirador secreto à estrela que se sobressai em meio aos flashes e holofotes;  quando as asas da mariposa estiverem sendo chamuscadas pelas luzes intensas, ele  lembrará dos breves momentos de ausência da realidade e lamentará o imprevisto:  é sexta-feira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o abominável homem desprezado que fez de jornais velhos, cama, e  de sacos de lixo, cobertor, acordará dentro de um sonho; o assaltante de bancos  não deu pela falta de um milhão de reais durante a fuga – quantia modesta  comparada ao produto total da pilhagem: é sábado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;lentes telescópicas em observatórios astronômicos insones  identificam a aparência inconfundível de um asteróide se avizinhando em  velocidade maior do que qualquer providência a ser tomada: seria  domingo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-399299248802534738?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/399299248802534738/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=399299248802534738' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/399299248802534738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/399299248802534738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/07/seria-domingo_3694.html' title='SERIA DOMINGO'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-5630569094818166450</id><published>2009-06-21T22:51:00.000-07:00</published><updated>2009-06-23T22:21:39.975-07:00</updated><title type='text'>ZIGURATE</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;Alçar-se aos céus, penetrar o véu &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;a face proibida do azul &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;aos mistérios do oculto: aríete &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;tijolos como Ícaro em punho&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;desafio de Nimrode às nuvens &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;vertigens encapeladas de torres babilônicas &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;lançando pergaminhos às chamas de Prometeu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;as asas de Nabucodonosor, suspendendo os jardins da imaginação&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;Babel aninhando-se aos pássaros&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:7;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 48px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;voar... mas não por voar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;almejar o Olimpo, o trono de Zeus&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:7;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:48px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;barro no quintal dos deuses, degrau a degrau&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;ascenção da vontade em espiral&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;orgulha-se o pó da terra, flor da aridez &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;nascida do dilúvio &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:7;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:48px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;imortalidade vertical de Gilgamesh&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;em línguas, espalhada pela memória&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;unindo templo e espaço &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;homem e super-homem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;transitando junto aos anjos &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;na escada para o paraíso&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-5630569094818166450?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/5630569094818166450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=5630569094818166450' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/5630569094818166450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/5630569094818166450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/06/alcar-se-aos-ceus-penetrar-o-veu-face.html' title='ZIGURATE'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-3848831377644169516</id><published>2009-05-28T16:03:00.000-07:00</published><updated>2009-05-28T16:34:44.657-07:00</updated><title type='text'>HALF LIFE</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Desde que a vida foi morar no monitor&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;fica mais difícil ver o sol&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;o mundo está guardado dentro do globo ocular&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;e uma xícara de café é mais rápida do que um fast food&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;os pacientes terminais sentam-se em cadeiras giratórias&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;a máquina de sustentação atende em casa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;unidades de tratamento intensivo em cada lar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;e cuidados especiais com os olhos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;digitais e genitais também recebem atenção&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;atenção é a taxa cobrada pela atenção&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;descontada de cada número do calendário&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;a cada página aberta um novo deja vu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;e dizem que não se pode voltar no tempo&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;estamos sendo enganados?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;tudo o que tenho agora são segundas opiniões &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;segundas opiniões emitidas por terceiros&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;deixem estas pérolas para os porcos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;eles sabem o que fazer com elas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;desde que a vida foi morar no monitor&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;eu só quero poder ver o sol mais uma vez&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;e lembrar dos velhos tempos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;sem ter uma corrente nos pés&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;o pouco que restou do oxigênio&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;font-size:180%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 18px;"&gt;antes isso que a respiração artificial&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-3848831377644169516?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/3848831377644169516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=3848831377644169516' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/3848831377644169516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/3848831377644169516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/05/half-life.html' title='HALF LIFE'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-3724759268084971054</id><published>2009-05-10T13:18:00.000-07:00</published><updated>2009-05-10T14:50:54.254-07:00</updated><title type='text'>FORMULÁRIO CONTÍNUO</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;Robôs, alienígenas, naves espaciais, viagens no tempo, artes marciais, raios laser,&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;mortes, ressurreições, finais felizes... segue a vida&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;a noite indo embora indiferente, sons embalando sonhos esquecidos, olhos se abrindo vespertinos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;gols da rodada, zagueiros, atacantes, artilheiros, as últimas notícias, o glamour dos atores e atrizes, o entusiástico ritual da higiene...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;e o estômago se satisfaz com a fome&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;mais sons guiando os passos para a praça, aquela praça, aquela gente, aquelas flores onde vitrines fazem jardins&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;rápidos cumprimentos manuais, revezamento de novidades obsoletas, assuntos sem tempo para a memória... despedidas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;cartazes de cinema, hollywood na película, novos ingredientes, velhas fórmulas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;robôs, alienígenas, naves espaciais, viagens no tempo, artes marciais, raios laser,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;mortes, ressurreições, finais felizes... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;sons embalando passos automáticos na casa que volta, olhos domesticados encontrando telas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;gols da rodada, zagueiros, atacantes, artilheiros, as últimas notícias, o glamour dos atores e atrizes, desejos lançados à distância, orgias virtuais, pretensões numa teia &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;rápidos cumprimentos digitais, revezamento de novidades obsoletas, assuntos sem tempo para a memória... despedidas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;a noite indo embora novamente, sonhos embalando sonos perdidos, olhos se fechando matutinos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;retomando o fôlego para mais um ontem que se inicia e (maldição)... segue a vida&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-3724759268084971054?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/3724759268084971054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=3724759268084971054' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/3724759268084971054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/3724759268084971054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/05/formulario-continuo.html' title='FORMULÁRIO CONTÍNUO'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-4725638643710173311</id><published>2009-05-07T19:23:00.000-07:00</published><updated>2009-05-10T20:44:24.549-07:00</updated><title type='text'>D0ES IT CARE ?</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;Um acidente, outro acidente e mais outro&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;algumas pessoas partiram desta para uma melhor&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;outras foram postas no espaço em branco deixado por elas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;preencher a lacuna significa assinalar a resposta correta?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;um x na opção mais óbvia descarta as demais possibilidades?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;nenhuma das alternativas apresentadas responde a pergunta&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;quando não há nenhuma pergunta que necessite de resposta&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-size:18px;"&gt;acidentes acontecem porque querem acontecer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;quando não querem, acontecem da mesma forma&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;um lance de dados carrega tantas probabilidades quanto um passo mal-dado&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;uma jogada estratégica não foge muito à regra&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;o mecanismo de funcionamento dos casos isolados dentro de qualquer sistema&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;trafega por caminhos misteriosos&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;as engrenagens intrincadas dos esquemas lógicos são insuficientes para abarcar tamanha desordem&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;a índole do caos tem a rebeldia na sua essência&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;satélites meteorológicos e homens do tempo jamais descreverão com fidelidade o comportamento desta atmosfera&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;é como opera o imprevisível&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;nem todos estaremos aqui amanhã para vê-lo agir&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;no entanto, os que ficarem só ficarão por estar sob a ação dessa força oculta&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;gerando big bens e úteros maternos e mais deuses do que podem comportar todas as mitologias, deve ela contas à curiosidade de algum ser pensante?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;se a mente é invenção do acaso quem ela pensa que é  para lançar interrogações acerca do porvir?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;ou do que se passou antes da primeira atividade cerebral entrar em curso?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;ela que se recolha à sua insignificância&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;se um fenômeno se importa com alguma coisa é em nos deixar na expectativa do seu próximo movimento  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;à mediunidade e à matemática, à astrologia e à ciência exata o insondável aconselha:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;não abusem do seu poder de dedução&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:18px;"&gt;ele não ultrapassa o limite dos seus cinco sentidos &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-4725638643710173311?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/4725638643710173311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=4725638643710173311' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/4725638643710173311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/4725638643710173311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/05/it-cares.html' title='D0ES IT CARE ?'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-6829209080633752811</id><published>2009-03-03T15:15:00.000-08:00</published><updated>2009-03-03T15:59:07.984-08:00</updated><title type='text'>JULGAMENTO</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O recinto transbordava&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;pessoas submergiam nas profundezas da superficialidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;petiscavam e bebericavam segundo é de costume&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;a fidelidade religiosa zodiacal, tema corrente nas rodas, não as prevenira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;aquele tal pressentimento de algo incomum adormecera alcoolizado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;tudo transcorria nos moldes da naturalidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;reticências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;fecham-se as cortinas para o segundo ato&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;persona non grata &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nu como quem acabara de nascer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;somente para os olhos da turba horrorizada, ao menos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;aqueles olhos... viam mais do que lhes era dado a ver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;penetravam os andrajos qual ultrasonografia moderna&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;detinham-se no peito parcialmente desnudo, ignorando o coração&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"não passa de um cão sarnento!" - diziam entre si&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"sujeito horrível!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"sem classe!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"de que sarjeta terá surgido?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"crianças, fechem os olhos ou terão pesadelos em série pelo resto dos seus dias!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"garçon, se quiser atendê-lo é por sua conta e risco!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;dava de ombros... acostumara-se ao tratamento desde há muito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o orgulho ferido havia aprendido a fechar um sem-número de cortes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;açoite após açoite era quase que imediatamente cicatrizado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;já não sangrava ante as ofensas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o sangue rubro transformava-se em translúcidas bolhas de sabão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;espoucando e desaparecendo no ar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;com a rapidez de algo que não intentara criar raízes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;reflexo daquele cujo sangue nobre e injustiçado se perdia novamente na sarjeta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;enveredava pela trilha dos humilhados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ao mesmo tempo em que brindes de alívio eram propostos em sua homenagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;comemoravam uma pré-concepção da realidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;concepção... quem teria cometido tal ato criminoso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;se teve um êxito na vida foi o de conseguir esquecer &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;fosse quem fosse a madre desnaturada que lhe dera à luz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;dela herdara unicamente as trevas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;tateava no escuro desde as primeiras passadas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e se ainda lhe restava alguma parcela de orgulho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;era a de nunca ter olhado para trás&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;por uma mão de ajuda&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;entre um gole e outro da cachaça, eterna companheira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;era acolhido pelos braços do torpor &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;enquanto aqueles olhares de repulsa e de acusação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;iam perdendo o foco sob a enxurrada etílica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;talvez sonhasse e quem sabe fosse visto por outros olhos&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-6829209080633752811?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/6829209080633752811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=6829209080633752811' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6829209080633752811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6829209080633752811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/03/julgamento.html' title='JULGAMENTO'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-5694443998882840455</id><published>2009-02-23T12:03:00.000-08:00</published><updated>2009-02-24T14:23:07.476-08:00</updated><title type='text'>UNS E OUTROS</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Enquanto os porcos chafurdam na lama das migalhas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;deleitando-se com toda sorte de restos dormidos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;do outro lado da cerca, de um posto de observação seguro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;espectadores aborrecidos assistem a cena entre bocejos sincronizados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;de onde termina a lente até onde começa a imagem, uma barreira invisível impede a contaminação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;são duas ilhas num mesmo arquipélago e sequer um único nativo de cada uma delas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;jamais pôs os pés na areia da praia da ilha vizinha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;houveram tentativas fracassadas de comunicação que nem por isso inibiram novas tentativas fracassadas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;as águas não tão rasas, os recifes agudos de corais, os tubarões à espera de um movimento brusco...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;fossem somente estes os obstáculos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;todos são pecadores, todos têm suas vestes maculadas pela mancha indelével da profanação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;todos são santos e carregaram sobre si suas próprias cruzes até o gólgota&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;são um casal que nem que quisesse deitaria na mesma cama&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;duas linhas paralelas dispostas lado a lado sem a menor perspectiva de coincidirem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;no mesmo ponto de fuga em comum&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;em comum, têm apenas os olhares de reprovação lançados um em direção ao outro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;estes sim, entrecruzados como serpentes inimigas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e não há quem esteja certo ou errado...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;a menos que ambos estejam&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-5694443998882840455?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/5694443998882840455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=5694443998882840455' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/5694443998882840455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/5694443998882840455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/02/uns-e-outros.html' title='UNS E OUTROS'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-6705907247578654234</id><published>2009-02-22T00:20:00.001-08:00</published><updated>2009-02-24T14:32:01.316-08:00</updated><title type='text'>PENSE OU DANCE</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Plugue o trio elétrico, aperte a tecla felicidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;levante as mãozinhas, bata palminhas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;mexa os quadris e dê uma reboladinha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;vamos lá! você consegue!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;está dentro das suas capacidades&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;pode rolar se quiser só não pode fingir de morto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o modo morte está desativado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nesse momento você vive&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;são ordens superiores&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;questionar não faz parte da sua programação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;agora sossegue, pare de repetir esse refrão e ouça a sua estória:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;no princípio quando os deuses criaram o céu e a terra também inventaram o carnaval como que para preencher o espaço vazio entre eles &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;mas sentiam que ainda faltava alguma coisa... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;então, misturando dois dos elementos mais baratos e mais desprezíveis da tabela periódica carnavalesca, a axé music e o funk carioca, moldaram seu espírito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e lhe insuflaram o fôlego da vida &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;havia a necessidade de batizá-lo; assim, entre boneco de ventríloquo e bobo da corte optaram por chamá-lo de folião&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;esta é a sua origem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;seus direitos básicos e suficientes são:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;dançar, pular, formar trenzinhos e ficar bêbado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;pensar em se entristecer ou pensar E se entristecer implicariam em falha na programação, desta forma tais diretivas foram excluídas do seu software&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;portanto vista essa fantasia chamada alegria e dê-se por satisfeito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;porque isso é mais do que você merece&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-6705907247578654234?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/6705907247578654234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=6705907247578654234' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6705907247578654234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6705907247578654234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/02/pense-ou-dance.html' title='PENSE OU DANCE'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-121923355490664864</id><published>2009-02-11T04:16:00.000-08:00</published><updated>2009-02-11T04:31:22.393-08:00</updated><title type='text'>VIA DE MÃO DUPLA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estrada de chão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;estrada de chão batido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;estrada de chão batido empoeirada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;estrada de chão batido empoeirada esburacada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;estrada de chão batido empoeirada esburacada debaixo de paralepípedo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;estrada de chão batido empoeirada esburacada debaixo de paralepípedo coberta de pixe&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;estrada de chão batido empoeirada esburacada debaixo de paralepípedo coberta de pixe asfaltada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;as estradas sempre nos mostraram o caminho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nunca nos disseram aonde ir&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nem se deveríamos ficar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;demos o primeiro passo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;corremos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;alcançamos o primeiro posto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;a linha de chegada deveria ser o ponto de partida para começarmos a nos perguntar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;onde chegamos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ou onde queremos chegar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;tanto asfalto, tanto pixe, tanto paralepípedo, tanto buraco, tanta poeira, tanto chão batido...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nos trouxeram aonde queríamos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ou fomos longe demais nessa estrada?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-121923355490664864?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/121923355490664864/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=121923355490664864' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/121923355490664864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/121923355490664864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/02/via-de-mao-dupla.html' title='VIA DE MÃO DUPLA'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-4256662097555717119</id><published>2009-02-04T08:31:00.001-08:00</published><updated>2009-02-04T08:55:51.090-08:00</updated><title type='text'>A AVENTURA DA POESIA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Só entende a alma do poeta aquele que vive&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;vive e observa a passagem do tempo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o poeta é simples de coração, tem somente a lua e as estrelas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;confidentes e testemunhas de suas desventuras&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;passa por derrotado aos olhos do vencedor &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;seu próprio chão lhe estende um tapete de espinhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;está à margem do lucro e das aparências&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;não chama a atenção dos que estão atrás das vitrines&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;tampouco faz por onde chamá-la&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;a essência de cada momento alimenta, em gotas, sua alma&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;como o pólem ao beija-flor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;sentimento impossível de ser contido em qualquer embalagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;seiva impossível de se engarrafar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;apenas ao poeta e ao aventureiro cabe o sentido da vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e embora todo aventureiro tenha em suas ações a poesia, mesmo não sendo poeta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o poeta, sem se dar à aventura, por si só é a poesia, pois sabe:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o sentido da vida é estar vivendo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-4256662097555717119?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/4256662097555717119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=4256662097555717119' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/4256662097555717119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/4256662097555717119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/02/aventura-da-poesia.html' title='A AVENTURA DA POESIA'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-7454939092366900086</id><published>2009-02-04T07:37:00.000-08:00</published><updated>2009-02-04T08:09:40.823-08:00</updated><title type='text'>ALEGRIA, CADÊ VOCÊ?</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;É noite... me lanço nos braços da vida como um bebê ao colo de sua mãe&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;minha mãe, nesse momento, é a lua e as estrelas a me indicarem o caminho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o caminho que muitos tomam, o caminho que ninguém tomaria&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o bom e o mal caminho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;professores de todas as matérias que não se ensinam nas escolas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;formados na universidade da boemia, catedráticos em todas as formas de realidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e as formas de realidade que se vêem durante o dia em todos os detalhes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;desbotam e entram em férias durante a noite&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;submetidas ao som e à luz numa miscigenação estroboscópica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;onde quem é quem e o quê é o quê não dizem muita coisa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;chôro, riso e velas artificiais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;emoção à flor da pele, todas as peles&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;unidas num caldeirão de cores, cheiros e sabores&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;dissabores esquecidos por um momento em respeito à hora sagrada da escuridão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;apaixonante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;que extrai a alegria da tristeza rançosa do dia a dia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;busco a parcela que é minha por direito, a parte que me cabe no coração&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;coração encouraçado nas agruras da vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;freguês de tantos e quantos males necessários&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ah, alegria... mesmo que somente ao tempo de uma noite&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;sejas bem-vinda &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-7454939092366900086?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/7454939092366900086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=7454939092366900086' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/7454939092366900086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/7454939092366900086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/02/alegria-cade-voce.html' title='ALEGRIA, CADÊ VOCÊ?'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-2639294760437611914</id><published>2009-02-01T19:16:00.000-08:00</published><updated>2009-02-04T08:14:21.598-08:00</updated><title type='text'>JOGO DE ADIVINHAÇÃO</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Meu melhor amigo mora dentro de uma garrafa cheia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;mas cabe como uma luva em um copo vazio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;é um motorista de táxi em Nova Iorque que tem pára-brisas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nos olhos e retro-visores nos ouvidos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ele acende uma fogueira em frente ao mar e mergulha em seco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;voltando do banho sem queimaduras de qualquer grau&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;passeia entre canais de tv feito um ás do controle remoto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;mesmo lhe faltando aulas de direção&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ouve suas canções preferidas no nível máximo de decibéis&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;permitido pelo seu medidor de ondas cerebrais&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;as canta a plenos pulmões sem mover os lábios&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;no silêncio da alta madrugada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;prefere a companhia ausente das calçadas e ruas vazias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;à onipresença invasiva dos pedestres&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;conhece mundos e mundanos no espaço ocupado de cada página&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;percebendo nas entrelinhas o seu próprio lar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e escrevendo sem letras o seu próprio livro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-2639294760437611914?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/2639294760437611914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=2639294760437611914' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/2639294760437611914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/2639294760437611914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2009/02/jogo-de-adivinhacao.html' title='JOGO DE ADIVINHAÇÃO'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-4866851787517594398</id><published>2008-11-21T17:23:00.000-08:00</published><updated>2009-02-04T08:18:33.226-08:00</updated><title type='text'>MOTION PICTURE</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eu estava lá quando o galo cantou anunciando a presença do sol&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;vi quando retribuiu a recepção dando luz ao dia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;acompanhei-o no caminho das horas até o crepúsculo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;onde fechou os olhos nos braços da escuridão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;observei a lua surgir a passos tímidos no céu&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;como o mais humilde dos astros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e ser eleita rainha da noite pelas próprias estrelas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;uma a uma, elas despontaram no espaço&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e uma a uma, se dissiparam no éter&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;sob a trilha dos pássaros que ganhava corpo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;então acordei o galo e me recolhi aos aposentos da inconsciência&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;retrocedendo o filme da visão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;logo me encontrava junto ao galo, que cantou outra vez&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e o sol se fez presente, pondo o dia a descoberto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;me tornei o próprio ante a marcha das horas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e, no abraço da escuridão, desapareci noturno&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;antes da última estrela em vigília&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;pensar em me seguir&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-4866851787517594398?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/4866851787517594398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=4866851787517594398' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/4866851787517594398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/4866851787517594398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2008/11/motion-picture.html' title='MOTION PICTURE'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-4160918763451428939</id><published>2008-11-13T14:35:00.000-08:00</published><updated>2009-02-20T07:51:37.143-08:00</updated><title type='text'>INVISIBILIDADE</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Eremita de regiões inóspitas atravessando as ruas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;dentro da multidão de eficientes visuais sem ser notado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;detetive involuntário atrás de uma pista da vítima que for&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;certo de que o sexo tem de ser oposto para o caso de compatibilidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nenhuma certeza a mais a não ser a da própria falta de certeza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;pronto para vestir a verdade que a oportunidade pede&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;participante ativo do jogo de interesses dispensável &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;mas sempre mais estimado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;dando a cara pra bater e, se não for o bastante, oferecendo as demais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;criadas especialmente para o confronto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;em pele de lobo travestido de cordeiro e vice-versa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o momento é a lei, o hábito fazendo o monge&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;tubarão faminto salivando sobre o cardume de peixes ornamentais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;semi-contido até ser saciado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;quem verá o invisível? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;está escrito nas estrelas para leigos em astronomia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;tá na cara mas há algo ofuscando a visão geral&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e não é o sol que nos aquece&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;placebo, paliativo, substitutos do insubstituível&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;vazios preenchendo o vácuo das almas vazias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;incapazes de se livrar do abismo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;tomaram o caminho errado na bifurcação das escolhas que fazemos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;agora andam em círculos numa espiral de atitudes nauseantes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;levando para além do terreno da previsão toda possibilidade de mudança&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e eu ainda estou aqui &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;como um dos poucos representantes da velha maneira de se viver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;contando estórias incríveis de um passado não muito distante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;a pessoas evoluídas demais para acreditar em coisas simples&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;remanescente de uma era soterrada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;debaixo de escombros pseudo-valiosos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;me entrego à nostalgia dos sentimentos neandertais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;sentimentos brutos &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;lapidados pela sabedoria da natureza em experiências de vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nunca em experimentos de laboratório&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;um ser natural habitando entre pessoas saídas de fábrica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;tentando funcionar na vida moderna&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-4160918763451428939?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/4160918763451428939/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=4160918763451428939' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/4160918763451428939'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/4160918763451428939'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2008/11/invisibilidade.html' title='INVISIBILIDADE'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-73515143884418576</id><published>2008-11-02T22:33:00.000-08:00</published><updated>2008-11-02T23:01:33.173-08:00</updated><title type='text'>PARA O ALTO E  AVANTE</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Até onde leva a motivação dos pés e além, segue a jornada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;mesmo os olhos embaçados pela fuligem não impedem a trajetória&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;uma placa na entrada da cidade deixa claro:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"nada de novo na terra da mesmice"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e como estamos aí pro que der e vier, pagamos pra ver&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ver a maria, cumprimentar o zé, comemorar o gol, tomar a cerveja&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"que tal um cineminha?"; "baile funk ou cristo redentor?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"você decide!"; "ah, aquele programa?"; "tudo bem, eu te ligo!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"atenção, passageiros com destino à esperança perdida, embarque &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;em qualquer portão!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e se uma mulher abrir as pernas na esquina...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"põe dez reais de ilusão no coração cansado do possante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;isso deve bastar pra gente chegar onde todo mundo tá indo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e onde é isso, chefia?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;lá em nova desilusão, conhece?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;vou levar a família pra passar o reveillon...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;então, boa entrada de ano novo pra você, patrão!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;igualmente, amigo!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;"ô, pai, vamo logo!"&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-73515143884418576?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/73515143884418576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=73515143884418576' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/73515143884418576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/73515143884418576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2008/11/para-o-alto-e-avante.html' title='PARA O ALTO E  AVANTE'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-6864551159423618337</id><published>2008-10-24T00:11:00.001-07:00</published><updated>2008-10-24T00:33:32.215-07:00</updated><title type='text'>GELO</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Nas minhas horas vazias, alguma parte adormecida do meu cérebro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;resgata seu rosto das profundezas do esquecimento voluntário&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nas prateleiras da minha farmácia emocional, todas as embalagens levam seu nome&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;como se dissessem que você é o único remédio possível nessas horas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e você já nem existe mais na minha rotina&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;disse adeus e tomou o rumo do calendário, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;perdendo-se na seqüência dos dias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;indo preencher espaço em algum coração sem propósito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;fustigado pelas surpresas de vários volts de potência trazidas pela vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nos meus momentos à deriva, você atracou no porto vago ao meu lado &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;presenteando-me com toda a sua riqueza pessoal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;agora estou aqui, lamentando não ter o mapa do seu paradeiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;à mercê das lembranças frescas de tempos tão distantes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;calor coberto pela poeira que a memoria  sofrida fez questão de lançar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;minha alma está  de luto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;a alegria era sua... e partiu com você na sua fuga&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;estou aqui... e em todos os lugares desolados do  mundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;lugares onde você não está&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;lugares onde não há sol, nem lua, nem estrelas &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nem beleza alguma que lembre a sua companhia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;no silêncio, no vácuo do espaço sideral, no lado escuro da lua&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;no mais profundo dos oceanos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;sem você&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-6864551159423618337?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/6864551159423618337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=6864551159423618337' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6864551159423618337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6864551159423618337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2008/10/gelo.html' title='GELO'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-1480672354742515136</id><published>2008-10-23T23:49:00.000-07:00</published><updated>2008-10-24T00:08:36.946-07:00</updated><title type='text'>A CELA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Quero fugir, quero fugir pra outro lugar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;qualquer lugar que tenha mais a oferecer que essa terra estéril&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;sentado numa praça vazia de gente numa tarde de domingo fria&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;tenho esses pensamentos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;esperando não se sabe o quê&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;esperando não se sabe quem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;apenas esperando&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;indiferente aos pássaros que cantam&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;aos ventos que assoviam&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;às folhas que caem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;pois nada mais tem gosto, cheiro ou cor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nada restou que chame a atenção&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nenhuma canção que valha a pena ser lembrada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;à distância de qualquer possibilidade de ilusão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;faço parte da paisagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;uma nova espécie de planta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;caso atípico da botânica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;algo para ser catalogado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;um espantalho de carne e osso, apenas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;colecionando histórias secretas de corvos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;num milharal fora de estação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;tudo isso me ocorre&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;sentado numa praça vazia de gente numa tarde de domingo fria&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ao levantar, minha carcaça moribunda prosseguirá&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;com passos incertos na direção da incerteza dos dias de chumbo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;a percorrer cada palmo do deserto seco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;equilibrada tão-somente por um fio quase invisível de esperança&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;até voltar novamente à praça da tarde de domingo fria&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-1480672354742515136?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/1480672354742515136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=1480672354742515136' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/1480672354742515136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/1480672354742515136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2008/10/cela.html' title='A CELA'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-8812700069226416382</id><published>2008-10-23T23:17:00.000-07:00</published><updated>2008-10-23T23:46:31.941-07:00</updated><title type='text'>MADRUGADAS DESESPERADORAS</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O amor da donzela frígida ainda vai matar numa noite dessas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;horas perdidas em  serenatas vãs para ouvidos surdos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;galanteios inspirados para corações vazios&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;oh, dama da madrugada, por quê te ocultas nas brumas do invisível?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;te faz bem privar os meus olhos da tua visão?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;és a senhora  dos meus  sentidos famintos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;por ti tenho erguido monumentos em forma de palavras&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;altares em honra à tua existência&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;existência apenas pressentida, jamais manifestada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;negas o gozo da tua presença a mim, teu fiel admirador&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;como se risses por trás da máscara do mistério&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o riso da insensibilidade... incompreensível para minha mente em confusão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;pobre de mim, humilde pretendente do teu amor  frio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;dedicando-me absurdamente a uma causa perdida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;hércules já cansado, com todos os trabalhos pela frente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;platão vislumbrando atlântida sem poder pisar seu solo ideal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;bebê indefeso à espera do leite materno torturante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;até quando me farás esperar pelo aconchego dos teus braços?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;qual será o dia do sim vitorioso e recompensador?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;qual será a hora do não angustiante mas libertador?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o dia da revelação?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o momento em que as cortinas finalmente se abrirão?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;mulher-enigma, deixe as trevas!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;tua é a luz que desvanece a minha escuridão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;meus dias têm sido para os teus olhos alheios&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;minhas esperanças morrem e voltam à vida numa sucessão de fraqueza e coragem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nada me diz que verei seu rosto desconhecido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nenhum breve sussurro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;nenhum milagre em vista&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;os deuses estão do seu lado - sejam eles quem forem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;ignoram os apelos desesperados do verme que se debate sobre-humanamente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;atrás de uma fagulha da sua atenção    &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-8812700069226416382?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/8812700069226416382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=8812700069226416382' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/8812700069226416382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/8812700069226416382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2008/10/madrugadas-desesperadoras.html' title='MADRUGADAS DESESPERADORAS'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-6429258235326846857</id><published>2008-10-21T19:58:00.000-07:00</published><updated>2008-10-22T00:23:35.458-07:00</updated><title type='text'>MAIS UMA VEZ</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Sorvendo gotículas de lúpulo e malte às &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;vésperas&lt;/span&gt; de um desespero apocalíptico entre paredes arcaicas e outras velharias mentais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;último alento da madrugada na cidade morada de fantasmas com perpétuas ilusões de vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;coleciono&lt;/span&gt; pequenas doses de satisfação, rápidas como carros velozes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;venho de cuspir sobre o sonho vermelho de um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;playboy&lt;/span&gt; desconhecido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;jorrando adrenalina na pista de dança&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;vivo de aspirar partículas cada vez mais raras de sinceridade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;lançando âncora em portos de improváveis alegrias&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;alegrias magras mas verdadeiras&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;motivadas por sentimentos humanos livres de segundas intenções&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;automóveis à minha volta e dentro deles pessoas feitas do mesmo material&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;aterrissando&lt;/span&gt; para abastecer suas vaidades &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;fashion&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;vêm de outras esferas, mundos impróprios para a vida humana&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;observo com telescópios orgânicos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;atividades&lt;/span&gt; clonadas de pretéritas gerações&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;espalhando sementes infelizes em corações estéreis&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;que germinarão plumas e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;paetês&lt;/span&gt; frívolos até o dia sem paradeiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;trago nos genes o &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;signo&lt;/span&gt; da independência&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;assim me locomovo com graça de bailarino por entre camadas sociais distantes do meu habitat natural&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;sou de espécie rara, quase à beira da extinção&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;a torre e o abismo ladeiam meus passos de equilibrista bêbado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;a enveredar por trincheiras ao abrigo do campo minado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;castigo de tantas vidas inocentes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;com passadas furtivas em leveza de sombras&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;vou costurando minha pequena e &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;despretensiosa&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;estória&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;à vista dos olhos ocupados com grandezas dos meus vizinhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;companheiros de época&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;quero explorar o espaço de limites encobertos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;que me divide do meu horizonte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;abrindo picadas na floresta de surpresas do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;cotidiano&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;rejeitando mapas, bússolas e lógicas convencionais frias e desalmadas &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2107567501533467026-6429258235326846857?l=parlatrio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://parlatrio.blogspot.com/feeds/6429258235326846857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2107567501533467026&amp;postID=6429258235326846857' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6429258235326846857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2107567501533467026/posts/default/6429258235326846857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://parlatrio.blogspot.com/2008/10/mais-uma-vez.html' title='MAIS UMA VEZ'/><author><name>Rinaldo L.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07933667298042178024</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='21' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_UG_BanHIvHQ/S7SH6TLcOMI/AAAAAAAAALg/Aa7keoUYm0o/S220/RL+11.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2107567501533467026.post-5793635772910768358</id><published>2008-10-20T18:08:00.000-07:00</published><updated>2008-10-20T18:46:50.786-07:00</updated><title type='text'>JEOVAH, O ASTRONAUTA</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Em sua carruagem de fogo indescritível nos pormenores&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;cavalgando o raio ao som da tempestade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;descortina as brumas da pré-história distante o navegante dos astros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;trazendo consigo uma infinidade de milagres bíblicos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;o deus tecnológico dos antigos cria e recria a vida como lhe apraz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;sua sabedoria impenetrável, mente alguma sobre a face da terra é capaz de alcançar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;pois está para o nosso entendimento assim como a estrela solitária está para o verme rastejante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;acima das nuvens, na morada dos falcões, faz seu ninho glorioso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;acima dos olhares atemorizados dos homens&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;em meio ao brilho de mil tochas elétricas, assenta-se em seu trono&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;imerso em pensamentos profundos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;e lembranças de galáxias por ele exploradas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;traça planos além de toda imaginação para suas peças de xadrez humanas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;em nossos raciocínios imaturos sequer suspeitamos das reais intenções desse "deus"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;quanto ao nosso destino&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;perdendo-nos no labirinto tortuoso da adoração cega&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style
